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Polícia

Família de médico assassinado em BH aguarda esclarecimentos

Por Portal Agora
Família de médico assassinado  em BH aguarda esclarecimentos

Da Redação

 

—Muitas perguntas ainda precisam e serão respondidas, certamente, mas uma certeza nós temos: ele foi morto de forma covarde dentro da própria casa— as palavras de Angela Soares Garcia, irmã do médico Vinícius Soares Garcia, morto em BH no sábado, 22, misturam dor, revolta e dúvidas. A família, que é de Divinópolis, aguarda a apuração da Polícia Civil (PC) que vai apontar o que ocorreu no dia em que o médico foi assassinado com 29 facadas no corpo.

Segundo a polícia, a versão dada pelo suspeito do crime, de 30 anos, que já está preso, foi de que ele e Vinícius tiveram uma luta corporal e então ocorreu a agressão que provocou a morte do médico. A versão é contestada pela família.

— Foram 29 facadas. Oito delas nas costas que podem ter sido as primeiras. Como uma luta corporal resulta em 29 movimentos contínuos? Meu irmão ainda tinha ferimentos nas mãos que indicam a tentativa de se defender. Além disso, ninguém do prédio ouviu nada, nem a própria síndica — contou. 

A Polícia Civil nomeou o crime como homicídio por motivo fútil. O suspeito segue preso e o caso segue sendo investigado.

O sepultamento de Vinícius foi no último domingo em Divinópolis e na manhã desta terça-feira parentes foram a Belo Horizonte acompanhar as investigações. 

 

O crime

 

O médico foi assassinado com 29 facadas no apartamento onde ele morava, neste sábado, 22, na à avenida Augusto de Lima, no Centro de Belo Horizonte.

De acordo com depoimento dado pelo suspeito, de 30 anos, e registrado no boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), ele e o médico estavam com mais duas pessoas no imóvel, mas o homem não especificou quem seriam elas.

A perícia constatou que o médico sofreu 10 perfurações no peito, uma no rosto, três na mão esquerda, uma na mão direita, seis na cabeça e no pescoço e oito nas costas.

O suspeito foi internado no Hospital Espírita André Luiz, um hospital psiquiátrico em Belo Horizonte, com cortes na cabeça e no peito, lesão no pescoço e hematomas.

Ele ficou sob escolta policial e, neste domingo, 23, após receber alta, foi levado para o Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) Gameleira, de acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Segundo o boletim de ocorrência, o suspeito falou que passou a noite de quinta-feira, 20, e a sexta-feira, 21, na companhia do médico e mais outras duas pessoas.

Ainda segundo a versão do suspeito, Vinícius não o deixava sair do apartamento e estaria ameaçando-o com uma faca. Ele disse que entrou em luta corporal com o médico, tomou a faca e desferiu golpes contra ele. Ao perceber que a vítima tinha caído, tentou se matar.

Após o crime, o suspeito foi ao consultório de um psiquiatra, que diagnosticou um quadro de surto psicótico com ideação delirante. O médico entrou em contato com os familiares do homem e indicou que ele fosse encaminhado ao Hospital Espírita André Luiz.

 

Quem era o médico?



Vinícius Soares Garcia tinha 31 anos, nasceu em Divinópolis,, era médico formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e fazia doutorado na mesma instituição.

Na pandemia trabalhou na linha de frente e na área científica tem várias pesquisas publicadas, inclusive artigos internacionais.

Pela família Vinicíus é descrito como uma pessoa brilhante que sempre estava disposta a ajudar o próximo. Após se formar na capital atuou em Divinópolis, Bambuí e outras cidades da região.

— Quem conhece meu irmão sabe do coração enorme que ele tinha. Um exemplo foi quando ele recebeu o primeiro salário como médico e entregou à Vila Vicentina para trocar os colchões de todos os idosos. Meu irmão foi vítima de um assassinato covarde dentro da casa dele. Queremos que tudo seja esclarecido — finalizou Angela.

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