Gratidão

Antônio de Oliveira
No dia primeiro do mês passado comemorou-se o Dia da Gratidão. Comemorar significa recordar. A sílaba “cor” no meio do verbo re/cor/dar, por sua vez, tem a ver com cor/ação. Assim, geralmente se comemora aquilo que nos parece “cordial”. A palavra "dia" tem origem na palavra latina dies, que significa "brilhar”, em sânscrito dyāuḥ, significa "céu luminoso". Gratidão, etimologicamente, vem do latim gratus = agradável, agradecido. Gratidão é palavra que vai e que vem, isto é, deveria ter sempre retorno positivo.
Consta que o nome janeiro foi dado em homenagem a Jano, o mais antigo rei do Lácio, que acolhera Saturno expulso do céu. Saturno, agradecido, dotou Jano da faculdade de conhecer o passado e o futuro, por isso representado com duas cabeças, podendo olhar para trás e para frente ao mesmo tempo. Porteiro celestial, Jano segura, na mão direita, uma chave, pois foi ele quem inventou a porta (“janua”, em latim) e, na esquerda, um báculo para indicar domínio sobre caminhos e estradas, entradas e saídas. O rei Numa fez erguer, no Foro Romano, o templo de Jano, que ficava fechado quando a República também estava em paz, o que aconteceu nove vezes em mil anos.
Finalmente, há um aspecto importante nem sempre lembrado. Achamos que somos sempre vítimas de ingratidão e que nunca somos ingratos. Além disso, quando somos tachados de ingratos nem sempre isso corresponde à verdade. Sou bem mineiro, porém às avessas: prefiro dar um boi para entrar em uma briga e uma boiada para sair dela. Quando um não quer, dois não brigam. O sentimento habitual de gratidão, sem dúvida, é um sinal inconfundível da nobreza da alma humana. Sem nos darmos conta, estamos sendo gratos ao dizermos “graças a Deus” ...
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