Hipócritas com histórias para comprovar
“O Estado de S. Paulo” de ontem de terça-feira desta semana, em editorial, põe o país “no eixo dos hipócritas” pelo fato de o Itamaraty ter divulgado nota criticando o ataque ogresco ao Irã. Uma atitude correta da diplomacia brasileira.
Sem dúvida, há uma tendência de Lula ser condescendente com ditadores e autocratas como consta no editorial. Basta ver seu comportamento em relação a Nicolás Maduro, Daniel Ortega e Vladimir Putin. Até hoje não ficou claro o que o presidente pensa em relação aos crimes que estão sendo cometidos na Ucrânia. É evidente que a soberania da Ucrânia é violada da mesma forma que a do Irã foi atacada pelos EUA.
Os Estados Unidos atacaram o Irã sob o argumento de que o país está prestes a fabricar uma bomba nuclear, seguindo o lenga-lenga do criminoso Netanyanhu que segue matando palestinos como se fossem moscas. E se acha melhor que o aiatolá Khamenei. Ele pode ter arma nuclear – todos sabem que tem –, ele é puro, ele é equilibrado segundo ele mesmo.
Não custa lembrar que em março de 2003, os Estados Unidos, com George W. Bush na Presidência, invadiram o Iraque sob a justificativa oficial de posse de armas de destruição em massa, alegações desmentidas pouco depois.
Que a teocracia vigente no Irã é um atraso não restam dúvidas – aliás qualquer país em que a religião tenha muito peso está perto de um desastre – mas o maior matador de inocentes dos tempos recentes é o líder israelense. Se os radicais iranianos têm como meta condenável varrer Israel do mapa, Netanyahu vem eliminando palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, uma terrível limpeza étnica. E não faltam rabinos a apoiá-lo na missão. Mutatis mutandi…
Mas, por que o título “Falam com conhecimento de causa”? Abaixo virá o porquê, a demonstração da hipocrisia do jornal que sempre se arvorou de um defensor da Democracia.
Seguem reproduções de trechos do livro do jornalista Luiz Cláudio Cunha, “Naqueles tempos em que mataram Vlado”, em que ele narra a participação da família Mesquita, dona do jornal, na preparação e apoio ao golpe que estabeleceu a ditadura militar no país em 1964.
“No início de 1962 oficiais das Forças Armadas, falando em nome de um trio histórico de conspiradores – o marechal Odylo [Odylio] Denys, o almirante Sílvio Heck e o brigadeiro Gabriel Grun [Grün] Moss –, foram a São Paulo para um encontro com Júlio [Julio de] Mesquita Filho, dono de O Estado de [S.] Paulo, a quem entregaram um documento sobre as normas que iriam orientar o governo militar após a queda de Jango.
O grupo, integrado pelos generais Cordeiro de Farias e Orlando Geisel, foi mais explícito com o dono do Estadão: o regime discricionário teria de ficar no poder por pelo menos cinco anos. Animado com a conversa, Mesquita chegou ao ponto de sugerir oito nomes para o futuro ministério revolucionário, incluindo entre eles Mem de Sá, Roberto Campos, Dario de Almeida Magalhães e Milton Campos. Todos os quatro chegaram lá.
Com o jurista Vicente Rao, advogado da mineradora americana Hanna, Mesquita chegou a fazer o rascunho de um Ato Institucional para fechar o Senado, a Câmara e todas as Assembleias estaduais e cassar mandatos – o mesmo instrumento de força que a ditadura anos depois faria seu jornal engolir com o Ato Institucional nº5, na forma de versos de Camões e receitas de bolo.
“Até ali [o AI-5], nós vínhamos divergindo em caso e número, mas não em gênero, porque sabíamos que o processo tinha que ser aquele, achávamos que devia ser aquele”, reconheceria anos depois Ruy Mesquita, irmão de Júlio [Julio] e também diretor de O Estado de S. Paulo.
Em entrevista a Audálio Dantas, em 2005, Mesquita foi além: “Não só apoiamos, como conspiramos”.”.
Na segunda-feira, um dos colaboradores assíduos do jornal teceu loas a “são” Josemaría, o fundador do reacionário Opus Dei, apoiador desde a primeira hora da ditadura de Francisco Franco: “São Josemaría, uma luz que não se apaga”.
A revista “Le Monde Diplomatique” assim definiu o “santo”: Um santo fascista e depravado
Realmente, trata-se do eixo dos hipócritas, a começar por eles.
Não, não, o título vai ser outro
Um “influenciador” brasileiro apelou ao Livro dos Recordes para que o reconheça como o “maior corno do mundo”. Casado há 16 anos, gaba-se de haver levado mais de 100 chifres da mulher e ainda diz que é “prazeroso.
Sendo delicado, é o maior bocó do mundo.
E quem será que é influenciado por ele? Um daqueles descritos na abertura do “Mira” de ontem?
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
