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História que vai

Por Portal Agora

Preto no Branco

Quem nasceu em Divinópolis e, especialmente, se tiver mais de 60 anos de idade, certamente, se lembra de muita coisa boa nesta cidade. E tem muita gente, pode crer. Vira e mexe, alguém nesta faixa etária comenta sobre o fim das casas mais antigas na região central da cidade, jogadas ao chão, dando lugar à modernidade. É uma tendência, sem dúvida. Prédios imponentes, comerciais e residenciais, mas não precisava ser um em cima do outro. É muito cimento e aperto, próximos. Não deixa nem as pessoas nem as poucas árvores que restam respirar.  Em cidades onde existe uma maior organização na arquitetura e urbanismo, as novas construções preservam as antigas e são mais longe do Centro. Que os jovens eleitos voltem seus olhares para esta questão. Caso contrário, não demora muito, com a previsão de mais calor a cada ano, muita gente morrer assada. 

Saudosismo 

A Cidade do Divino vai perdendo parte de sua história e perdeu muitas pessoas também que fizeram parte dela. Dos ex-combatentes, por exemplo, com a morte de João Okada, aos 99 anos há poucos dias, resta apenas  Zico do Lalau , 98 anos, irmão de Oribes Batista Leite. Na política,  nomes da gestão Antônio Martins – uma das melhores que Divinópolis já teve, como conta a história até por meio de livros –, Alberto Pequeno, Antônio Silva, Arimathea e Dona Raquel, estão apenas nas memórias de muitos e nos feitos em prol de Divinópolis.  Restam poucos para manter viva a lembrança da época, como José Elísio Batista, José Roberto Saléh e Dr. Anésio. Há quem diga que tudo deu certo na época porque havia planejamento. As ideias eram amadurecidas com a participação de toda a equipe. Muitas vezes, o prefeito era um mero espectador nas discussões, mas tinha sabedoria na hora de decidir. Ao contrário de hoje, que tem muito blá-blá-blá e pouca ação. Sem contar os “eu decido”, “eu mando”, “sou dono da verdade”. Muito ego que culmina em gestões desastrosas. 

É de doer 

O que falar então do nosso rio Itapecerica? Ainda vive muita gente também que, em períodos de calor “infernal” como agora, se refrescava em suas águas, limpas e cristalinas. Não só se banhavam em diversos pontos ao longo da cidade, como pescavam. Atualmente, quem se arriscar a fazer isso pode ser considerado condenado pelo resto da vida por diversas doenças. É de partir o coração ver seu estado de podridão. Lixo, entulhos, aguapés e o esgoto in-natura são seus retratos hoje. Como admiradora e encantada pela natureza que sou, outro dia fiz um percurso do bairro Candelária até a Cachoeira do Caixão. A cada parte que parava e olhava, ficava imaginado como seria se a água fosse limpa e servisse como opção de lazer. E a cachoeira, então! Simplesmente linda, especialmente agora, em que os rios estão mais cheios. Mas o odor é insuportável. Diante de tudo isso, ficam as perguntas: quando a geração que desfrutou das maravilhas dos rios Itapecerica e Pará terá a felicidade de vê-los limpos novamente? E a atual geração terá também este privilégio? Com a resposta, os nossos representantes, afinal, estamos pagando caro para eles e para a responsável pelo tratamento do esgoto dos rios. 

Muito bom ver

E como o assunto é a época antiga da nossa cidade, o hospital São João de Deus, hoje Complexo de Saúde, não poderia ficar de fora. Ele, que se confunde com a história do município, é um patrimônio imensurável que, mais do que qualquer outro empreendimento, viu e participou do crescimento da hoje Divinópolis, maior cidade do Oeste de Minas e uma das mais importantes do estado. Como grande instituição de saúde que é, passou por maus bocados e esteve até na iminência de fechar. Teve à sua frente diversos gestores e até administradores judiciais, até cair nas mãos de Elis Regina, única capaz de trazer  de volta o São João de Deus que todos conhecem e admiram. E tinha que ser exatamente em sua gestão a inauguração da ala oncológica infantil do Hospital do Câncer. A felicidade salta aos seus olhos. E os nossos enxergam a competência em pessoa. Ao médico Roney Quirino, que há 30 anos sonhou com esse dia, a coluna resume em uma frase: parabéns pela sua luta e por nunca ter deixado de sonhar e acreditar!

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