Homem executado a tiros em bar eleva para 43 o número de homicídios

Elian Ozéias
Mais um homicídio foi registrado em Divinópolis. O caso, ocorrido na noite desta terça-feira, 21, marca o 43º assassinato do ano de 2025 no município e reforça a escalada da violência que atinge, principalmente, a juventude.
De acordo com informações da Polícia Militar (PM), por volta das 22h, moradores do bairro Planalto acionaram as autoridades após ouvirem disparos de arma de fogo dentro de um bar localizado na rua Duarte.
Testemunhas relataram que a vítima, um homem de 28 anos, havia acabado de entrar no estabelecimento e pedido um refrigerante quando, logo em seguida, dois homens armados invadiram o local e atiraram diversas vezes. Os suspeitos fugiram em um veículo Tiggo branco, sem serem identificados.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e constatou a morte no local. Durante a ação, um cliente foi atingido de raspão na perna e recebeu atendimento ainda no bar, sem risco de vida.
A perícia da Polícia Civil (PC) realizou os levantamentos técnicos e recolheu cápsulas deflagradas. As diligências continuam para tentar identificar e prender os autores.
Segundo a PM, o homem assassinado tinha passagens por tráfico e roubo e havia sido liberado recentemente do Presídio Floramar. A principal linha de investigação é de um acerto de contas relacionado ao tráfico de drogas.
Juventude no alvo da violência
Com o crime desta terça-feira, Divinópolis chega a 43 homicídios em 2025, número que já supera o total de todo o ano passado, 22. Entre as vítimas, 27 tinham menos de 30 anos, e a faixa etária mais atingida é a dos 25 anos, com nove mortes registradas.
O mês de outubro já contabiliza quatro assassinatos, e ainda nem terminou. Se o ritmo se mantiver, o município pode encerrar o ano com o maior índice da última década, evidenciando o agravamento da violência urbana.
| Mês | Homicídios (2025) | Homicídios (2024) |
| Janeiro | 2 | 0 |
| Fevereiro | 6 | 2 |
| Março | 5 | 4 |
| Abril | 2 | 1 |
| Maio | 6 | 2 |
| Junho | 3 | 4 |
| Julho | 3 | 1 |
| Agosto | 4 | 2 |
| Setembro | 7 | 6 |
| Outubro | 4 | 0 |
(Dados até 22 de outubro)
Além dos homicídios consumados, 14 tentativas de assassinato foram registradas neste ano, segundo levantamentos preliminares.
“Uma arquitetura de morte”
Para o cientista social Emanuel de Morais, os dados refletem não apenas falhas na segurança pública, mas também uma crise moral e estrutural nas relações sociais.
— Em contextos de marginalização social, a lógica ‘olho por olho, dente por dente’ se torna um meio para lidar com as violências enfrentadas. Essa dialética hostil gera um ciclo de perdas que culmina em um esvaziamento moral do indivíduo — analisa.
Emanuel destaca que o poder público e a sociedade têm responsabilidade compartilhada diante da escalada de mortes.
— A criminalidade é um problema nosso, enquanto sociedade. A sujeira de uma residência é responsabilidade de todos que ali vivem. Ignorar o problema faz com que esse ‘elefante branco na sala’ se habitue, cresça e se legitime nas raízes sociais — conclui.
Para ele, é urgente que o município adote ações estruturantes e preventivas, indo além do policiamento reativo.
— O prefeito e os vereadores devem agir para que Divinópolis não se habitue a “uma arquitetura de morte”. É uma ação que visa o presente, mas também espelha um futuro para as crianças que crescem em meio à barbárie —finaliza.
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