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Polícia

Idoso e filhas são brutalmente agredidos durante disputa por terreno em Ermida

Homem teria atacado as três vítimas com socos e chutes e ameaçado usar uma picareta; família vizinha ajudou a impedir novas agressões 

Por Jonny Reisle · Redação· 6 min de leitura
Idoso e filhas são brutalmente agredidos durante disputa por terreno em Ermida

Uma desavença antiga relacionada aos limites de uma propriedade rural terminou em uma sequência de agressões contra um idoso de 75 anos e suas duas filhas, de 41 e 48 anos, na manhã de domingo, 13, na comunidade rural de Rua Grande, no distrito de Santo Antônio dos Campos (Ermida), em Divinópolis. Segundo a Polícia Militar (PM), as três vítimas foram atacadas por um homem de 53 anos, que fugiu do local após o episódio.


Anos de desavenças

Uma das filhas informou ao Agora que o conflito envolvendo a propriedade começou há mais de uma década, quando o pai adquiriu o terreno na região. Segundo ela, o imóvel teria sido comprado de dois antigos proprietários e a negociação previa uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados.

Na época da compra, um dos vendedores teria indicado ao pai da vítima os limites da área e o local onde deveria ser instalada a cerca. A família seguiu a orientação e realizou o cercamento. A negociação, entretanto, teria enfrentado problemas relacionados à documentação.

Segundo o relato, o pai manteve cerca de R$ 50 mil do pagamento pendente enquanto aguardava a regularização da escritura. A família teria receio de quitar todo o valor sem receber a documentação definitiva do imóvel. A situação chegou à Justiça e, durante o processo, o idoso teria explicado que havia mantido o dinheiro justamente por esse motivo.

Após uma determinação judicial, os vendedores teriam providenciado a documentação e o restante do valor foi pago. A família acreditava que a negociação estava encerrada, mas anos depois voltou a enfrentar problemas relacionados à metragem do terreno.

Diferença na metragem

Segundo a vítima, alguns anos mais tarde, quando a família passou a buscar maneiras de aproveitar melhor a propriedade, procurou o Sindicato Rural para receber orientações sobre a possibilidade de criação de animais e plantio. Durante o atendimento, foram realizados levantamentos digitais da área.

Foi então que os familiares teriam descoberto que a área efetivamente cercada correspondia a aproximadamente 12 mil metros quadrados, enquanto a escritura registrava 20 mil metros quadrados. A diferença seria de cerca de 8 mil metros quadrados.

A família procurou um dos antigos proprietários para entender a divergência. Segundo a vítima, ele teria afirmado que aquela era a metragem que havia sido combinada. Diante da dificuldade para chegar a um acordo, os familiares contrataram um advogado especializado em questões imobiliárias e procuraram um topógrafo para fazer uma medição da propriedade.

A vítima afirma que, durante as tratativas, o advogado chegou a ser ameaçado e teria registrado um boletim de ocorrência. O episódio aumentou o receio da família, que decidiu não insistir imediatamente na discussão sobre a área.

O assunto voltou a avançar cerca de um ano atrás, quando, segundo a filha, um dos antigos proprietários procurou o pai e apresentou um croqui com uma nova delimitação da propriedade. Conforme o relato, o desenho incluía os cerca de 8 mil metros quadrados que não estavam cercados anteriormente.

A partir disso, a família entendeu que havia chegado a um acordo e voltou a procurar o topógrafo para refazer o levantamento da área. Com base na nova medição, decidiu instalar uma cerca para delimitar o espaço que considerava pertencente ao idoso.

Limitação destruída

Há aproximadamente um mês, a família comprou postes, arames e outros materiais e realizou o novo cercamento. Segundo a vítima, a instalação foi feita com base no levantamento topográfico realizado anteriormente.

A situação mudou na manhã de domingo. Por volta das 8h, um vizinho entrou em contato com a família para informar que havia um trator na propriedade. Conforme o relato, dois homens estavam no local e a cerca recém-instalada havia sido destruída. Postes, ferros e outros materiais também teriam sido retirados.

A família acionou a PM e recebeu orientação para não permanecer próxima ao terreno até a chegada da equipe, devido ao temor de que o conflito pudesse evoluir para uma nova situação de violência.

Enquanto parte dos familiares aguardava em uma propriedade vizinha, o pai foi até o sítio para cuidar de um cachorro que estava machucado. Pouco depois, um homem chegou ao local em uma Chevrolet S10 prata.

Segundo a vítima, ela tentou conversar com o homem sobre o que havia acontecido, mas ele teria deixado claro que não haveria diálogo. Ainda conforme o relato, o suspeito teria avistado o idoso na estrada e acelerado a caminhonete em sua direção.

O homem de 75 anos teria conseguido se esquivar e evitar ser atingido. Na sequência, o suspeito teria descido da caminhonete e iniciado as agressões.

Ataque

Segundo a filha, o pai foi atingido com socos e chutes, inclusive na cabeça e na região do abdômen. As duas mulheres correram para tentar proteger o idoso e também foram atacadas.

Uma das filhas teria recebido socos e um chute na barriga, sendo derrubada no chão. A irmã tentou ajudá-la, mas também passou a ser agredida. Conforme o relato, ela levou um soco na boca, além de golpes nas costas, chutes e puxões de cabelo.

A vítima conta que o pai continuava sendo agredido enquanto as filhas tentavam afastar o homem. Segundo ela, o ataque teria durado vários minutos, com o agressor alternando os golpes entre o idoso e as duas mulheres.

A situação teria ficado ainda mais grave quando o homem voltou até a caminhonete e retirou uma picareta. Segundo a vítima, ele teria levantado a ferramenta e ameaçado usá-la contra os três. Diante da ameaça, as vítimas começaram a gritar por socorro. Os pedidos de ajuda foram ouvidos por moradores de uma propriedade próxima.

Um vizinho foi até o local e, segundo a vítima, colocou-se entre o agressor e a família, tentando impedir que as agressões continuassem. Outros moradores também saíram da residência e ajudaram o idoso e as duas filhas a entrar no imóvel.

As vítimas conseguiram chegar à residência e o portão foi fechado. Segundo o relato, o suspeito retornou à caminhonete e deixou o local.

Ferimentos

Após o ataque, as três vítimas foram encaminhadas ao Hospital São Judas Tadeu. Conforme a Polícia Militar, as duas mulheres apresentavam escoriações, hematomas e lesões na boca e no abdômen.

O idoso sofreu fraturas em três costelas em razão da violência dos golpes. A família informou ainda que ele teve um dedo fraturado.

Uma das filhas, embora não tenha apresentado fraturas nos exames realizados, ficou com inchaço, dores e diversas áreas machucadas pelo corpo. Além das lesões físicas, ela afirma que o episódio provocou consequências psicológicas para os familiares.

Segundo a vítima, a família passou a ter medo de sair de casa e teme que o suspeito possa voltar a procurá-los. Ela relata que até atividades cotidianas, como levar a filha à escola, passaram a ser acompanhadas de preocupação.

Polícia

A Polícia Militar registrou a ocorrência como lesão corporal grave contra o idoso e as duas mulheres. Segundo a corporação, durante a ação o suspeito também teria tomado o celular e documentos pessoais de uma das vítimas e os arremessado no mato.

Após fugir em uma Chevrolet S10 prata, o homem passou a ser procurado pelas equipes policiais. A PM realizou diligências em endereços relacionados ao suspeito em Divinópolis e Perdigão, mas ele não havia sido localizado até o registro da ocorrência. O rastreamento permanece em andamento para efetuar a prisão.

A família informou que o boletim de ocorrência registrado inicialmente no domingo foi posteriormente retificado após avaliação jurídica, sob a alegação de que alguns fatos não haviam sido incluídos no primeiro registro. As vítimas também foram orientadas a realizar exames de corpo de delito.

O caso também contará com a investigação da Polícia Civil, que já abriu um inquérito para localização do suspeito. Enquanto aguardam o andamento das investigações, os familiares afirmam permanecer apreensivos diante do que aconteceu.


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