Idoso e filhas são brutalmente agredidos durante disputa por terreno em Ermida
Homem teria atacado as três vítimas com socos e chutes e ameaçado usar uma picareta; família vizinha ajudou a impedir novas agressões

Uma desavença antiga relacionada aos limites de uma propriedade rural terminou em uma sequência de agressões contra um idoso de 75 anos e suas duas filhas, de 41 e 48 anos, na manhã de domingo, 13, na comunidade rural de Rua Grande, no distrito de Santo Antônio dos Campos (Ermida), em Divinópolis. Segundo a Polícia Militar (PM), as três vítimas foram atacadas por um homem de 53 anos, que fugiu do local após o episódio.
Anos de desavenças
Uma das filhas informou ao Agora que o conflito envolvendo a propriedade começou há mais de uma década, quando o pai adquiriu o terreno na região. Segundo ela, o imóvel teria sido comprado de dois antigos proprietários e a negociação previa uma área de aproximadamente 20 mil metros quadrados.
Na época da compra, um dos vendedores teria indicado ao pai da vítima os limites da área e o local onde deveria ser instalada a cerca. A família seguiu a orientação e realizou o cercamento. A negociação, entretanto, teria enfrentado problemas relacionados à documentação.
Segundo o relato, o pai manteve cerca de R$ 50 mil do pagamento pendente enquanto aguardava a regularização da escritura. A família teria receio de quitar todo o valor sem receber a documentação definitiva do imóvel. A situação chegou à Justiça e, durante o processo, o idoso teria explicado que havia mantido o dinheiro justamente por esse motivo.
Após uma determinação judicial, os vendedores teriam providenciado a documentação e o restante do valor foi pago. A família acreditava que a negociação estava encerrada, mas anos depois voltou a enfrentar problemas relacionados à metragem do terreno.
Diferença na metragem
Segundo a vítima, alguns anos mais tarde, quando a família passou a buscar maneiras de aproveitar melhor a propriedade, procurou o Sindicato Rural para receber orientações sobre a possibilidade de criação de animais e plantio. Durante o atendimento, foram realizados levantamentos digitais da área.
Foi então que os familiares teriam descoberto que a área efetivamente cercada correspondia a aproximadamente 12 mil metros quadrados, enquanto a escritura registrava 20 mil metros quadrados. A diferença seria de cerca de 8 mil metros quadrados.
A família procurou um dos antigos proprietários para entender a divergência. Segundo a vítima, ele teria afirmado que aquela era a metragem que havia sido combinada. Diante da dificuldade para chegar a um acordo, os familiares contrataram um advogado especializado em questões imobiliárias e procuraram um topógrafo para fazer uma medição da propriedade.
A vítima afirma que, durante as tratativas, o advogado chegou a ser ameaçado e teria registrado um boletim de ocorrência. O episódio aumentou o receio da família, que decidiu não insistir imediatamente na discussão sobre a área.
O assunto voltou a avançar cerca de um ano atrás, quando, segundo a filha, um dos antigos proprietários procurou o pai e apresentou um croqui com uma nova delimitação da propriedade. Conforme o relato, o desenho incluía os cerca de 8 mil metros quadrados que não estavam cercados anteriormente.
A partir disso, a família entendeu que havia chegado a um acordo e voltou a procurar o topógrafo para refazer o levantamento da área. Com base na nova medição, decidiu instalar uma cerca para delimitar o espaço que considerava pertencente ao idoso.
Limitação destruída
Há aproximadamente um mês, a família comprou postes, arames e outros materiais e realizou o novo cercamento. Segundo a vítima, a instalação foi feita com base no levantamento topográfico realizado anteriormente.
A situação mudou na manhã de domingo. Por volta das 8h, um vizinho entrou em contato com a família para informar que havia um trator na propriedade. Conforme o relato, dois homens estavam no local e a cerca recém-instalada havia sido destruída. Postes, ferros e outros materiais também teriam sido retirados.
A família acionou a PM e recebeu orientação para não permanecer próxima ao terreno até a chegada da equipe, devido ao temor de que o conflito pudesse evoluir para uma nova situação de violência.
Enquanto parte dos familiares aguardava em uma propriedade vizinha, o pai foi até o sítio para cuidar de um cachorro que estava machucado. Pouco depois, um homem chegou ao local em uma Chevrolet S10 prata.
Segundo a vítima, ela tentou conversar com o homem sobre o que havia acontecido, mas ele teria deixado claro que não haveria diálogo. Ainda conforme o relato, o suspeito teria avistado o idoso na estrada e acelerado a caminhonete em sua direção.
O homem de 75 anos teria conseguido se esquivar e evitar ser atingido. Na sequência, o suspeito teria descido da caminhonete e iniciado as agressões.
Ataque
Segundo a filha, o pai foi atingido com socos e chutes, inclusive na cabeça e na região do abdômen. As duas mulheres correram para tentar proteger o idoso e também foram atacadas.
Uma das filhas teria recebido socos e um chute na barriga, sendo derrubada no chão. A irmã tentou ajudá-la, mas também passou a ser agredida. Conforme o relato, ela levou um soco na boca, além de golpes nas costas, chutes e puxões de cabelo.
A vítima conta que o pai continuava sendo agredido enquanto as filhas tentavam afastar o homem. Segundo ela, o ataque teria durado vários minutos, com o agressor alternando os golpes entre o idoso e as duas mulheres.
A situação teria ficado ainda mais grave quando o homem voltou até a caminhonete e retirou uma picareta. Segundo a vítima, ele teria levantado a ferramenta e ameaçado usá-la contra os três. Diante da ameaça, as vítimas começaram a gritar por socorro. Os pedidos de ajuda foram ouvidos por moradores de uma propriedade próxima.
Um vizinho foi até o local e, segundo a vítima, colocou-se entre o agressor e a família, tentando impedir que as agressões continuassem. Outros moradores também saíram da residência e ajudaram o idoso e as duas filhas a entrar no imóvel.
As vítimas conseguiram chegar à residência e o portão foi fechado. Segundo o relato, o suspeito retornou à caminhonete e deixou o local.
Ferimentos
Após o ataque, as três vítimas foram encaminhadas ao Hospital São Judas Tadeu. Conforme a Polícia Militar, as duas mulheres apresentavam escoriações, hematomas e lesões na boca e no abdômen.
O idoso sofreu fraturas em três costelas em razão da violência dos golpes. A família informou ainda que ele teve um dedo fraturado.
Uma das filhas, embora não tenha apresentado fraturas nos exames realizados, ficou com inchaço, dores e diversas áreas machucadas pelo corpo. Além das lesões físicas, ela afirma que o episódio provocou consequências psicológicas para os familiares.
Segundo a vítima, a família passou a ter medo de sair de casa e teme que o suspeito possa voltar a procurá-los. Ela relata que até atividades cotidianas, como levar a filha à escola, passaram a ser acompanhadas de preocupação.
Polícia
A Polícia Militar registrou a ocorrência como lesão corporal grave contra o idoso e as duas mulheres. Segundo a corporação, durante a ação o suspeito também teria tomado o celular e documentos pessoais de uma das vítimas e os arremessado no mato.
Após fugir em uma Chevrolet S10 prata, o homem passou a ser procurado pelas equipes policiais. A PM realizou diligências em endereços relacionados ao suspeito em Divinópolis e Perdigão, mas ele não havia sido localizado até o registro da ocorrência. O rastreamento permanece em andamento para efetuar a prisão.
A família informou que o boletim de ocorrência registrado inicialmente no domingo foi posteriormente retificado após avaliação jurídica, sob a alegação de que alguns fatos não haviam sido incluídos no primeiro registro. As vítimas também foram orientadas a realizar exames de corpo de delito.
O caso também contará com a investigação da Polícia Civil, que já abriu um inquérito para localização do suspeito. Enquanto aguardam o andamento das investigações, os familiares afirmam permanecer apreensivos diante do que aconteceu.
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