Inclusão escolar: desafios e possibilidades
Ana Fernanda Galvão
A educação se faz através do encontro! Encontro de saberes, de desejos, de sujeitos. E, em todo encontro, há trocas, construções, sejam elas da ordem pedagógica, social ou afetiva.
Escola é lugar de construir laços, adquirir conhecimentos, desenvolver habilidades sociais. Escola é lugar de crescimento e de fomento ao desejo de APRENDER.
Houve um tempo em que a única habilidade reconhecida pela escola enquanto aprendizagem era a que se referia ao conteúdo, ou seja, as habilidades lógico formais e passíveis de avaliação quantitativa eram as reconhecidas e que validavam o desempenho do estudante. Muitas instituições escolares ainda acreditam nesta perspectiva conteudista onde crianças são avaliadas apenas pelo seu resultado, pela nota, pelo boletim. Assim, a forma de avaliar são as famosas provas ou atividades avaliativas. À esta forma de educação damos o nome de EDUCAÇÃO TRADICIONAL.
Mas, nem todas as pessoas aprendem da mesma forma, então outras formas de ensino se tornaram emergentes! Assim, nasce a Educação de Jovens e Adultos (EJA), a Educação Indígena, a Educação Especial, a Educação Inclusiva. Modalidades que trazem possibilidades e oportunidade de aprendizagem para grupos minoritários.
Lindo! Mas desafiador! Por esta ótica, tornar conteúdos pedagógicos significativos é a grande missão do educador.
Neste texto, a temática que irei desenvolver é a que me motiva fortemente, tanto como profissional da saúde que sou (terapeuta ocupacional e psicopedagoga), profissional da educação (sou professora universitária) e MÃE; a EDUCAÇÃO INCLUSIVA será nosso tema de hoje.
Antigamente a convivência de neurotípicos com neuroatipicos era algo raro! A deficiência era algo velado, assunto pouco discutido. Os deficientes estavam na escola especial, portanto, a convivência com os pares etários era algo pouco comum.
Com o advento da educação inclusiva, a escola especial deixa de ser para todas as deficiências e a escola regular passa a ser um espaço de oportunidades para as crianças atípicas.
Assim, a perspectiva de INCLUIR se torna ação.
A inclusão causa uma movimentação diferente na instituição. A partir da entrada das crianças neste espaço há que se garantir algo fundamental: a ACESSIBILIDADE. Esta não se refere apenas a espaços físicos. Ela é muito maior que apenas rampas e corrimão! A acessibilidade se refere também ao conteúdo, aos materiais, à didática, ao planejamento, à avaliação adaptada, à educação física, ao recreio. A acessibilidade é o que garante à pessoa a participação nas diversas possibilidades que a escola oferece.
A inclusão só é efetiva quando vemos as dificuldades enquanto oportunidades. A igualdade não possibilita o desafio da aprendizagem.
Para tanto, algumas ferramentas são utilizadas para favorecer e viabilizar a inclusão. Falaremos aqui de algumas:
- Atendimento Educacional Especializado (AEE) – realizado por pedagoga, no contraturno do horário escolar para apoiar o desenvolvimento pedagógico da criança. Este atendimento conta com inúmeras possibilidades de intervenção que irá contribuir para o desempenho escolar das crianças atípicas.
- Professor apoio – em alguns casos é necessário a criança ser acompanhada durante o período em que está na escola. Este apoio deve ser pensado, planejado e estruturado juntamente com o professor regente, professor da sala recurso e os profissionais que acompanham a criança para oferecer a ajuda que a criança necessita. Como diz Maria Montessori, “qualquer ajuda desnecessária é um obstáculo ao desenvolvimento da criança”
- PEI ou PDI – Plano educacional individualizado ou Plano de Desenvolvimento Individual. É o documento onde constam as adaptações, tanto de currículo quanto de materiais, espaço, forma de avaliação, entre outros. Neste documento a acessibilidade é descrita de forma detalhada para garantir que a criança aprenda de acordo com suas possibilidades e tenha as oportunidades corretas para se desenvolver. Este documento é vivo! Ele precisa ser dinâmico! Pois assim é o desenvolvimento infantil. Portanto, elaborar, avaliar, intervir, reavaliar e reelaborar são movimentos constantes neste documento.
As ferramentas acima citadas, aliada a parceria entre escola, família e terapeutas, são a chave para uma inclusão verdadeira.
A inclusão se baseia no princípio da equidade. Ou seja, dar o que cada um necessita para que todos tenham as mesmas oportunidades. A inclusão não é tratar com igualdade todos os sujeitos. É manter-se em constante avaliação da quantidadeb de auxílio que cada um necessita.
Assim, cito Mantoan “a escola tem que ser esse lugar em que as crianças têm a oportunidade de ser elas mesmas e onde as diferenças não são escondidas, mas destacadas”. Porque habilidade social e inteligência emocional estão diretamente relacionadas a saber lidar com pessoas diferentes, situações desafiadoras e com o que há em cada um de nós mesmos que vemos no outro e que escancara as nossas próprias deficiências.
Seguimos sonhando com um mundo de oportunidades, possibilidades onde crianças serão apenas crianças capazes de aprender! Não são apenas um diagnóstico.
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