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Economia

Inflação volta a desacelerar pelo quarto mês seguido

Pelo segundo mês consecutivo, o grupo alimentação e bebidas, que tem o maior peso na cesta de compras das famílias, registrou deflação

Por Redação Jornal Agora · Redação· 4 min de leitura
Inflação volta a desacelerar pelo quarto mês seguido

Jorge Guimarães 

O Brasil segue, até o momento, dentro da meta de inflação estabelecida pelas autoridades econômicas, apesar das oscilações registradas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos primeiros meses do ano. Após avançar 0,33% em janeiro, o índice mantém o cenário sob monitoramento do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central, que projetam inflação de 3,95% para o encerramento do ano.

Julho

A inflação oficial do país desacelerou pelo quarto mês consecutivo em julho, influenciada principalmente pela queda nos preços dos alimentos. Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 11, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,07% no mês, reforçando a trajetória de menor pressão sobre os preços.

O resultado representa uma desaceleração em relação ao mês anterior, quando teve alta de 0,41%, e evidencia o impacto da redução de preços de itens importantes da alimentação no orçamento das famílias. O comportamento dos alimentos contribuiu para conter o avanço do índice geral, em um cenário que segue sendo acompanhado de perto por consumidores e autoridades econômicas.

— Com a quarta desaceleração seguida, o resultado de julho sinaliza uma perda de força da inflação no curto prazo, embora outros componentes da economia ainda possam exercer pressão sobre os preços nos próximos meses — analisou o economista Leandro Maia. 

Números oficiais 

A inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,44%, permanecendo dentro do intervalo de tolerância estabelecido para a meta de inflação. O objetivo definido pelo governo é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, permitindo que o índice fique entre 1,5% e 4,5% sem ultrapassar oficialmente o limite previsto.

Apesar de o resultado atual ainda estar dentro da margem estabelecida, a projeção do mercado financeiro indica um cenário mais pressionado para os próximos meses. De acordo com o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central (BC), as instituições financeiras consultadas estimam que a inflação encerre 2026 em 5,02%.

— A diferença entre o resultado acumulado e a expectativa do mercado reforça a necessidade de acompanhamento dos preços e dos fatores que podem influenciar a inflação. Entre eles estão o comportamento dos alimentos, dos serviços, do câmbio e das condições econômicas, que podem determinar a trajetória dos preços até o fim do ano — observou Maia.

Alimentos

A queda nos preços dos alimentos trouxe um alívio para o bolso dos brasileiros em julho. Pelo segundo mês consecutivo, o grupo alimentação e bebidas, que tem o maior peso na cesta de compras das famílias, registrou deflação. Em junho, o recuo havia sido de 0,24%.

Dentro de casa, a redução foi ainda mais significativa. A alimentação no domicílio ficou 1,14% mais barata em julho, segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Entre os principais responsáveis pelo resultado estão as raízes e legumes, que registraram queda de 16,15% nos preços.

Consumidores 

Para muitos consumidores, a queda apontada pelos índices oficiais ainda não chegou de forma clara ao carrinho de compras. 

— Eu até percebi que alguns legumes estão mais baratos, mas, quando a gente coloca tudo no carrinho, o valor continua alto. Parece que a economia de um produto acaba sendo compensada pelo aumento de outro — relatou a dona de casa, Jaqueline Andrade.

A crediarista, Gislene Pereira contou que precisou mudar os hábitos para conseguir manter as compras dentro do orçamento. 

— Hoje eu pesquiso muito mais antes de comprar. Se um produto está caro, procuro outra marca ou deixo para levar em outra oportunidade. A sensação é que o dinheiro continua rendendo pouco — afirmou.

Para quem tem uma família maior, como a a professora Leila Faleiro, a preocupação é ainda maior. 

— A gente percebe alguma diferença em alguns alimentos, principalmente verduras e legumes, mas não dá para dizer que o supermercado ficou barato. A compra do mês ainda pesa bastante no bolso — comentou.

Supermercados 

A desaceleração da inflação em julho e a redução dos preços de alguns itens importantes da alimentação representam um alívio tanto para os consumidores quanto para o varejo supermercadista. A avaliação é do gestor de Operações do Somar Supermercados, Sérgio Antônio de Oliveira.

Segundo ele, a queda nos preços de produtos como tomate, batata inglesa e café moído tende a ser percebida aos poucos pelos consumidores, principalmente porque esses itens fazem parte da rotina de compras das famílias.

O gestor destaca ainda que os consumidores estão cada vez mais atentos às variações de preços e têm buscado aproveitar os momentos de queda para recompor a cesta de compras. Nesse cenário, promoções e mudanças nos valores dos produtos podem influenciar diretamente as decisões de compra.

Para o varejo, a redução dos preços também pode favorecer o movimento nas lojas, já que a percepção de um ambiente de preços mais baixos contribui para estimular o consumo. 

— Quando o consumidor percebe uma oportunidade, ele tende a antecipar a compra de determinados produtos ou levar uma quantidade maior — explicou o gestor.

Segundo Leandro Maia, a queda registrada em itens da alimentação, portanto, beneficia os dois lados da cadeia.

— Enquanto o consumidor encontra algumas opções mais acessíveis, o supermercado pode recuperar parte do volume de vendas e manter o cliente mais próximo das lojas — finalizou o economista. 


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