Interrupção no ritmo de contratações preocupa após início do ano positivo

Jorge Guimarães
O início de 2025 foi marcado por um desempenho animador na economia de Divinópolis, especialmente no que diz respeito à geração de empregos com carteira assinada. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) vinham apontando um crescimento consistente nos primeiros meses do ano, sinalizando confiança do empresariado local e aquecimento da atividade econômica.
Junho
No entanto, segundo levantamento recente do Caged referente ao mês de junho, esse cenário sofreu uma reversão. Os números revelam uma interrupção na sequência positiva de contratações formais, rompendo o padrão de alta que vinha se mantendo ao longo do semestre.
Para o economista Lázaro Ribeiro, essa desaceleração deve ser observada com atenção.
— Embora o ano tenha começado de forma bastante promissora, com saldo positivo na abertura de vagas, o resultado de junho acende um alerta. Isso pode refletir fatores como a instabilidade econômica nacional, ajustes no orçamento das empresas ou a sazonalidade de determinados setores que tradicionalmente contratam menos neste período do ano — explica.
Ribeiro também destaca que essa mudança não significa, necessariamente, uma tendência de queda para o restante do ano.
— É fundamental avaliar os próximos meses para entender se estamos diante de um movimento pontual ou de uma inflexão mais duradoura. A análise deve ser cautelosa, pois o mercado de trabalho é sensível a diversos fatores externos e internos, como políticas públicas, taxas de juros e comportamento do consumidor — completa.
A recomendação do economista é que os gestores públicos e o setor produtivo local acompanhem de perto os indicadores para adotar estratégias que estimulem a retomada das contratações e o fortalecimento da economia local no segundo semestre.
Números
Os dados referentes ao mês de maio mostram um desempenho preocupante no mercado de trabalho de Divinópolis. No período, o município registrou 2.908 admissões contra 2.927 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 19 vagas com carteira assinada.
A análise por setores revela que apenas o segmento de prestação de serviços conseguiu fechar o mês no azul, com saldo positivo na geração de empregos. Todos os demais, incluindo comércio, indústria, construção civil e agropecuária, apresentaram retração, contribuindo para o resultado geral desfavorável.
Para o economista, o número merece atenção.
— Apesar de o saldo negativo ser pequeno, ele simboliza uma quebra no ritmo de recuperação que vínhamos acompanhando. A queda no emprego formal em quase todos os setores, exceto o de serviços, pode refletir um momento de cautela por parte dos empresários, influenciado por incertezas econômicas no cenário nacional e menor demanda em determinados segmentos — avalia.
Ribeiro destaca ainda que o desempenho do setor de serviços, único a crescer no mês, pode estar relacionado à demanda por atividades ligadas à saúde, educação e serviços pessoais, que tendem a ter comportamento menos volátil.
— A expectativa agora se volta para os próximos meses, com a esperança de que o segundo semestre traga novos estímulos e melhores condições para reverter essa oscilação e retomar o crescimento do emprego formal na cidade — pontua.
Segmentos
Os dados mais recentes revelam um cenário desafiador para o mercado de trabalho formal em Divinópolis. A análise por setores mostra que o comércio liderou o número de desligamentos no município, com apenas 781 admissões frente a 851 demissões, resultando em um saldo negativo de 70 vagas com carteira assinada.
Na sequência, o setor da construção civil também apresentou desempenho preocupante, com 250 contratações e 294 desligamentos, fechando o mês com menos 44 vagas. A indústria também contribuiu para o saldo negativo, com uma perda de 23 vagas formais, enquanto o agronegócio teve uma leve retração de 3 vagas.
O único setor a apresentar resultado positivo foi o de prestação de serviços, com 1.291 contratações e 1.170 desligamentos, o que garantiu um saldo de 121 novos empregos com carteira assinada, número que atenuou a queda geral no município.
Para o economista, os dados apontam para uma retração pontual, mas que merece atenção.
— O comércio, tradicionalmente um dos setores que mais emprega na cidade, apresentou um desempenho abaixo do esperado. Isso pode estar relacionado a uma combinação de fatores, como o fim de ciclos promocionais, redução no consumo das famílias ou readequação do quadro de funcionários — analisa.
Ribeiro destaca ainda que a construção civil, embora sensível a flutuações econômicas, vinha mantendo certa estabilidade, e a queda registrada pode indicar um momento de ajuste ou adiamento de novos investimentos.
— Já o setor de serviços demonstra resiliência, sendo sustentado por uma demanda mais constante em áreas como saúde, educação e atividades administrativas — completa.
O economista reforça a importância de políticas de estímulo ao emprego e de apoio ao pequeno e médio empreendedor para equilibrar os impactos e retomar o ritmo de geração de vagas nos demais setores.
Cenário de ajustes
Os números divulgados pelo Caged referentes a junho revelam um cenário de ajustes no mercado de trabalho da cidade, marcado por retrações em setores vitais como comércio, construção, indústria e agropecuária. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, o objetivo é reverter esses resultados e impulsionar a retomada dos demais setores.
— Para isso, estão sendo fortalecidas políticas de incentivo, programas de capacitação profissional e estratégias de atração de novos investimentos. A meta é gerar mais oportunidades com carteira assinada, promovendo um crescimento econômico sustentável e duradouro para a cidade, beneficiando trabalhadores e empreendedores — define o secretário da pasta, Igor Cardoso.
Vagas
Mesmo diante de um cenário de retração, conforme apontado pelos dados do Caged, o mercado de trabalho em Divinópolis ainda apresenta diversas oportunidades para quem busca uma colocação. Prova disso é a quantidade de vagas disponíveis no Sistema Nacional de Empregos (Sine), unidade localizada na rua Goiás, 206, no Centro da cidade.
Ontem, o painel de vagas registrou um total de 117 oportunidades de trabalho. Entre os destaques, estavam 10 vagas para trabalhador polivalente na confecção de calçados, uma das atividades tradicionais da região, além de cinco para operador de caixa e quatro para repositor de mercadorias.
Também chamam atenção quatro vagas para vigia, destinadas ao município de Cláudio, reforçando o alcance regional da unidade de atendimento.
As demais oportunidades estão distribuídas entre diversas funções e setores, como encanador, fiscal de loja, padeiro, recepcionista, ajudante de pedreiro, entre outras ocupações ligadas à construção civil, comércio, serviços e indústria.
A orientação do Sine é que os interessados em concorrer às vagas devem agendar atendimento presencial no link:
www.mg.gov.br/agendamento_servico/intermediacao-de-mao-de-obra
Centro-Oeste
Os dados referentes a junho revelam contrastes significativos entre os municípios da região Centro-Oeste mineiro no que se refere à geração de empregos com carteira assinada.
O maior destaque positivo foi para a cidade de Pará de Minas, que encerrou o mês com saldo positivo de 147 vagas formais. No período, o município registrou 1.473 admissões contra 1.326 demissões, impulsionado principalmente pelo setor industrial, responsável por 142 novas vagas, consolidando sua importância na economia local.
Logo em seguida aparece Nova Serrana, com 1.551 contratações e 1.470 desligamentos, o que resultou em um saldo de 81 novos empregos formais. Curiosamente, o setor de prestação de serviços foi o destaque, com 87 vagas criadas, superando inclusive o tradicional setor de indústria de calçados, que encerrou o mês com saldo negativo de 11 vagas, demonstrando uma mudança pontual no perfil da geração de empregos na cidade.
Por outro lado, o município de Itaúna apresentou o desempenho mais preocupante entre as cidades analisadas. Com 1.419 admissões e 1.595 desligamentos, o saldo negativo chegou a 176 vagas. O resultado foi fortemente impactado pelo setor da construção civil, que sozinho acumulou 334 desligamentos, sendo o principal responsável pela retração local.
Para Lázaro Ribeiro, os dados refletem o dinamismo e os desafios distintos de cada município.
— Pará de Minas e Nova Serrana demonstram fôlego econômico, mesmo em um cenário de incertezas, com setores estratégicos sustentando a geração de empregos. Já Itaúna precisa de atenção especial — avalia.
O profissional destaca ainda que acompanhar essas variações mês a mês é essencial para a elaboração de políticas públicas e estratégias empresariais que possam estimular a geração de empregos de forma equilibrada em toda a região.
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