Junção de Cultura e Turismo diverge opiniões

Maria Tereza Oliveira
Mais uma medida polêmica para redução de gastos do Governo de Minas está gerando debate. A fusão das secretarias de Estado de Cultura e de Turismo, proposta no projeto de reforma administrativa do governador Romeu Zema (Novo), foi debatida na última segunda-feira, 29, pela Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
A solicitação foi feita pelos deputados estaduais Cristiano Silveira (PT) e Doutor Jean Freire (PT), a pedido da Casa do Jornalista e do Fórum Permanente de Cultura de Minas Gerais. Além de deputados, representantes dos setores envolvidos na suposta fusão estiveram presentes na reunião e defenderam seus pontos.
No geral, tanto quem representou a cultura, quanto o turismo, defendeu a manutenção das duas pastas. Os deputados que participaram da reunião se posicionaram contrários à proposta prevista no Projeto de Lei (PL) 367/19, que traz a reforma administrativa e, consequentemente, a fusão das secretarias.
Especialistas locais
O Agora ouviu representantes do turismo e da cultura divinopolitana. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, José Alonso Dias, afirmou ser favorável a medidas de economia, entretanto, ele tem ressalvas neste caso.
— O problema não é a junção de pastas. Aqui na cidade, por exemplo, a Secretaria de Turismo funciona juntamente ao Desenvolvimento Econômico e bem. Eu, particularmente, acho que para economizar é válido que o turismo se funda a outra pasta, mas não acho que combine com a Cultura — opinou.
De acordo com o secretário, a junção ajuda a economizar porque diminui o número de funcionários trabalhando e, consequentemente, reduz a folha de pagamento.
Para o quadrinista e empresário da área cultural Igor Santos Bastos, esta mudança tem pontos positivos e negativos. De acordo com ele, depende mais de como será feito do que o feito em si.
— Existem vários estudos de que a economia criativa atrelada ao turismo consegue fazer render R$ 15,00 para cada real aplicado. Atualmente a cultura consegue um rendimento máximo de R$ 2,3 para cada real aplicado. As duas pastas caminham juntas quando o assunto é economia, mas quando o assunto é política pública existem questões extremamente gritantes — salientou.
Conforme explicou Igor, as formas pelas quais o turismo e cultura geram lucro são distintas, por isso, resta saber se o Governo vai conseguir articular para que nenhuma pasta sobressaia sobre a outra, mesmo com atuações tão distantes.
— Enquanto a cultura, em sua maior parte, se beneficia de incentivos fiscais, uma medida neoliberal em que o empresariado escolhe para onde vai a sua contribuição, o turismo, muitas vezes, passa por grandes infraestruturas, planos de organização territorial e até mesmo questões ambientais — comparou.
Igor acha que a junção da Cultura com Turismo seria uma boa combinação, apesar das necessidades distintas de cada área.
— A política pública de Cultura completa, ano que vem, 20 anos, e já evoluiu ao ponto de entender todas as especificidades de cada setor. O que vejo é uma marginalização da Cultura por gente que não entende e nem está ligada nos novos modelos econômicos — contou.
Retrocesso
Durante a reunião na ALMG, o pesquisador da Fundação João Pinheiro, Bernardo da Mata Machado, criticou a extinção da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) e afirmou que o passo seria um retrocesso na política cultural, estruturada especialmente na última gestão, de Fernando Pimentel (PT).
Do lado do turismo, Roberto Fortes Fagundes, presidente da Federação de Convention & Visitors Bureau de Minas Gerais, lembrou que a primeira Secretaria de Estado de Turismo foi criada em 1999 pelo governador Itamar Franco, morto em 2011.
De acordo com Roberto, a secretaria trouxe inúmeros benefícios para o Estado, como a criação do Expominas, a ampliação do Aeroporto Internacional de Confins, o lançamento do Projeto da Estrada Real, que envolve centenas de cidades, e a criação dos circuitos turísticos, os quais hoje chegam a mais de 40, incluindo grande parte dos municípios mineiros.
Ele ainda enalteceu que a pasta representa quase 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, e o fato do Estado contar com o repositório superior 60% do acervo cultural do Brasil, sediando quatro patrimônios da humanidade: Ouro Preto, Diamantina, Congonhas e o Conjunto Arquitetônico da Pampulha.
Repúdio
Os deputados, ao fim da reunião, apresentaram requerimento por um manifesto ao governador em repúdio à fusão das pastas da Cultura e do Turismo.
A economia sugerida pelo governador também foi questionado pelos parlamentares. Foi citado que o percentual de orçamento das duas pastas no ano passado teria sido irrisório. Na cultura foram investidos R$ 41 milhões, ou seja, 0,046% do orçamento total do Estado. Já no turismo, o valor foi de R$ 8,5 milhões, o que equivale a 0,0089% do total.
Um dos requerentes da reunião, o deputado Cristiano Silveira também elencou que o patrimônio cultural mineiro tem valor inestimável. O Estado conta com o maior número de tombamentos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Leia também
Três são presos em Divinópolis por roubo
PM apreende três quilos de maconha que seriam levados para Itaúna
Família doa órgãos de adolescente baleado em Divinópolis
Polícia apura relação entre assassinatos registrados no fim de semana; 3 morreram
Divinopolitana é presa em ação contra tráfico internacional de armas
Polícia chega a possível receptadores após denúncia
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em maio de 2019
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…








