Mãe de personal trainer assassinado em academia ainda espera por respostas
Mais de um ano após o crime, Laudiceia Tatiana mantém hábitos do filho e convive com a saudade; Polícia Civil afirma que investigação está na fase final

Todos os dias, às 21h45, Laudiceia Tatiana ainda espera a chegada do filho em casa. O despertador permanece ajustado para o horário em que Arthur Martins costumava sair para trabalhar, e o celular continua tocando no momento em que a mãe costumava chamá-lo. Mais de um ano após o assassinato do personal trainer, de 19 anos, a rotina da família permanece marcada pela saudade e pela falta de respostas sobre o crime.
O Agora foi até a casa onde Arthur morava com a mãe, a irmã e a avó, e em entrevista Laudiceia contou que a dor permanece tão intensa quanto no dia 2 de setembro de 2025, quando recebeu a notícia da morte do filho. O jovem foi baleado dentro de uma academia no bairro Interlagos, em Divinópolis, enquanto trabalhava.
— Meu coração está a mesma coisa de como se tivesse sido no dia 2 de setembro, quando eles vieram aqui e me deram a notícia do que tinha acontecido com o meu filho — desabafa.
Rotina de trabalho
Ao recordar Arthur, Laudiceia destaca a dedicação do jovem ao trabalho. Ele era responsável por abrir a academia às 5h e, depois das aulas da manhã, seguia para outro serviço, com higienização de estofados. No fim da tarde, retornava à academia, onde permanecia até aproximadamente 21h45.
A rotina intensa deixava pouco tempo para descansar. Entre os compromissos, Arthur passava em casa para almoçar e tomar café antes de sair novamente.
— Era um menino que saía 5 horas da manhã, abria a academia. Chegava 11h30 correndo, almoçava, deitava um pouquinho e ia para o outro serviço — lembra.
A mãe também lamenta os julgamentos feitos sobre o filho após a repercussão do caso.
— Talvez a população não soubesse e julgaram ele muito na época. Mas era um menino que trabalhava demais — afirma.
Perda
A morte de Arthur também abalou a avó, com quem ele tinha uma relação próxima. Segundo Laudiceia, a idosa enfrentou um quadro de depressão após a perda e sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Atualmente, está debilitada e passa boa parte do tempo deitada.
A própria Laudiceia relata dificuldades para lidar com o luto. Ela e a mãe fazem acompanhamento psicológico e utilizam medicamentos, conforme contou à reportagem. A família encontra apoio na fé, mas a saudade permanece acompanhada de dúvidas sobre o assassinato.
— São duas dores: a dor de ter perdido ele e a dor de não ter nenhum resultado até hoje. A gente fica pensando por quê, até quando, será que vai sair um resultado, o que aconteceu de fato — desabafa.
Investigação
O assassinato ocorreu em 2 de setembro de 2025, na rua João Dias, no bairro Interlagos. Arthur ministrava uma aula quando foi surpreendido por dois homens armados e atingido por disparos no peito e no pescoço. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.
Em setembro daquele ano, um homem de 27 anos foi preso em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com ele, foram apreendidos uma pistola calibre 9 milímetros com numeração suprimida, celulares e um veículo apontado como utilizado na fuga. A prisão, entretanto, ocorreu em flagrante por questões relacionadas à arma e não representou a conclusão da investigação sobre o homicídio.
Mais de um ano depois, Laudiceia afirma que já procurou a delegacia diversas vezes em busca de informações, mas deixou de comparecer nos últimos meses diante da falta de novidades. Segundo ela, a investigação foi comparada a um quebra-cabeça, com uma peça ainda faltando.
Apuração e esperança
Questionada pelo Agora, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que o caso segue em investigação e está na fase final.
Apesar da espera, a mãe afirma que não perdeu a esperança de que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
— Não perco a esperança, porque o meu filho morreu por nada — diz.
Ao deixar uma mensagem ao filho, Laudiceia reforçou o amor e a importância dele para toda a família.
— Eu diria para ele que o amo demais, que ele fez e sempre vai fazer parte de tudo que eu sou, de tudo que a irmã dele é, de tudo que a minha mãe era — afirma.
Enquanto aguarda respostas, ela mantém os hábitos que a conectam às lembranças do jovem. O despertador continua tocando às 21h45. A chegada de Arthur, porém, permanece apenas na memória.
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