Megaoperação desarticula esquema de furtos e adulteração de veículos na região

Jonny Reisle
Muitos divinopolitanos acordaram ao som do sobrevoo de helicópteros por várias regiões da cidade. O motivo foi a Operação Purgato, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 14, que mobilizou uma grande força-tarefa das polícias Civil e Militar, Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Gaeco Regional de Divinópolis e da 13ª Promotoria de Justiça.
O objetivo foi desarticular uma organização criminosa especializada em furtos, roubos, adulteração e receptação de veículos automotores em Divinópolis e outras cidades da região Centro-Oeste de Minas. A ação ocorreu simultaneamente em Divinópolis, Nova Serrana, Itapecerica, Campo Belo, Passa Tempo, Pará de Minas e Belo Horizonte.
Megaoperação
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e 23 mandados de busca e apreensão expedidos pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Divinópolis. Durante a operação, ainda houve uma prisão em flagrante por tráfico de drogas, totalizando nove detidos. A ofensiva contou com 80 policiais militares, 47 policiais civis, seis policiais penais, um promotor de Justiça e dois servidores do Ministério Público, além do emprego de 37 viaturas e duas aeronaves.
Processo iniciado há meses
Segundo o coordenador do Gaeco Regional de Divinópolis e promotor de Justiça, Leandro Will, as investigações foram conduzidas de forma integrada desde o início, ainda em 2025, reunindo trabalho de inteligência da Polícia Civil, Polícia Militar e Ministério Público. Ele destacou que a operação representa um modelo inédito de atuação conjunta entre as forças de segurança na região.
— Foi uma operação muito exitosa. Talvez a primeira nesses moldes, com todas as instituições atuando juntas desde o início das investigações. Isso demonstra a união de esforços e o compromisso no combate à criminalidade — afirmou.
Wili ressaltou ainda que a ação é apenas uma das etapas da investigação e que o objetivo agora é concluir os inquéritos e apresentar as denúncias à Justiça. Segundo ele, o recado deixado pela operação é de que organizações criminosas não terão espaço na região.
— O combate será incansável, seja contra criminalidade violenta, corporativa ou crimes de colarinho branco. Toda essa criminalidade não terá terreno fértil aqui — declarou.
Ação com cautela
De acordo com o subcomandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel César Bittencourt, os grupos investigados atuavam de maneira sofisticada, utilizando equipamentos eletrônicos para furtar veículos rapidamente. Ele explicou que muitos automóveis furtados eram posteriormente empregados em outros crimes, como tráfico de drogas, transporte ilegal de armas e homicídios.
— É uma modalidade criminosa de difícil prevenção. Apesar do alto índice de recuperação de veículos, muitos acabam sendo utilizados em crimes graves. Não raras vezes encontramos carros clonados envolvidos em homicídios — afirmou.
O subcomandante destacou que a desarticulação da quadrilha pode impactar diretamente na redução da criminalidade em Divinópolis e região.
— Tenho certeza de que essa ação conjunta vai trazer uma redução criminal considerável e mais segurança para a população — completou.
Quadrilha estruturada
As investigações apontam que a organização criminosa possuía divisão de tarefas bem estruturada. Segundo o delegado da Polícia Civil, Weslley Castro, havia integrantes responsáveis pelo furto dos veículos, pela clonagem de chaves e centrais eletrônicas, pela obtenção ilegal de dados dos automóveis, adulteração dos sinais identificadores e receptação.
— A operação englobou pessoas envolvidas em todas as funções dessa engrenagem criminosa, desde quem furtava os veículos até quem receptava peças ou promovia adulterações — explicou.
Dinheiro e aparelhos apreendidos
Ainda conforme o delegado, parte do dinheiro obtido com os crimes patrimoniais era utilizado posteriormente em outras atividades ilícitas, como o tráfico de drogas e a lavagem de capitais. Durante as buscas, foram apreendidos R$ 120.757 em dinheiro, além de equipamentos eletrônicos utilizados para clonagem e adulteração de veículos.
Entre os materiais recolhidos pelas equipes estão 17 aparelhos celulares, três computadores, dois dispositivos eletrônicos diversos, duas placas veiculares, um programador Transdata, um programador de chave veicular e quatro chaves automotivas.
Também foram apreendidos adesivos contendo numeração de chassi e motor, documentos de veículos (CRLV), além de porções de maconha, sementes da droga e buchas de haxixe.
Crime virtual
Outro ponto que chamou atenção nas investigações foi a atuação de um hacker ligado à organização criminosa. Segundo Weslley Castro, o suspeito conseguiu acessar credenciais de sistemas públicos e policiais, obtendo informações sigilosas utilizadas para adulteração dos veículos.
— Essa pessoa conseguia usuário e senha de sistemas policiais e até do Tribunal de Justiça. A partir disso, obtinha dados como chassi e Renavam de veículos, usados pela organização criminosa para adulteração de sinais identificadores — relatou.
Próximos passos
Os celulares, computadores e demais dispositivos eletrônicos apreendidos serão submetidos à perícia forense para aprofundar as investigações e identificar possíveis novos envolvidos no esquema criminoso.
A Operação Purgato recebeu esse nome em referência ao ato de “limpar” e expurgar práticas criminosas, simbolizando, segundo os investigadores, o esforço das forças de segurança para restabelecer a ordem pública e enfraquecer organizações criminosas que atuam na região Centro-Oeste de Minas Gerais.
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