Menina de 11 anos morre após ter cabelo preso em sistema de sucção de piscina em Campinas

Da Redação
Os casos de afogamento em piscinas ocorrem ao longo de todo o ano, mas apresentam aumento significativo durante o verão. Nesse contexto, em Campinas no estado de São Paulo aconteceu o registro de mais uma tragédia no fim de 2025, com a morte de Anna Clara Soares de Britto, de 11 anos. Segundo o boletim de ocorrência, a criança permaneceu submersa por cerca de 16 minutos até ser retirada da água.
Cabelo preso na piscina
O acidente ocorreu no dia 26 de dezembro, na casa dos avós maternos da vítima, localizada no bairro Jardim Itaguaçu, onde a menina passava o fim de ano. Conforme o registro policial, Anna Clara teve o cabelo preso no sistema de sucção da piscina enquanto brincava no local. O boletim de ocorrência detalha que a criança estava na piscina acompanhada de uma adolescente de 15 anos.
De acordo com as informações, Anna Clara apoiou as pernas na borda da piscina e acabou ficando submersa, momento em que o cabelo foi sugado pelo equipamento. Imagens de câmeras de segurança mostram a menina se debatendo por alguns minutos, sem que a situação fosse percebida pela adolescente ou por outros adultos presentes. Ainda segundo as imagens, um adulto realizava a limpeza da piscina no momento do acidente.
Estado grave
Ao notar o ocorrido, um dos homens correu até a bomba para desligar o motor de sucção, interrompendo o funcionamento do equipamento. Em seguida, outro adulto entrou na piscina e, com o auxílio de uma faca, cortou o cabelo da criança, conseguindo retirá-la da água. Apesar do resgate, Anna Clara já se encontrava em estado grave.
A vítima foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital de Clínicas da Unicamp, onde o óbito foi confirmado. O caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado na Delegacia da Infância e Juventude (DIJU) de Campinas, SP
Lei Manuela
A morte ocorreu dez dias após a Câmara Municipal de Campinas aprovar, em definitivo, o Projeto de Lei nº 156/25, que proíbe o funcionamento de motores de sucção e torna obrigatória a instalação de dispositivos de segurança em piscinas de uso coletivo. A proposta, conhecida como “Lei Manuela”, faz referência a Manuela Cotrin Carósio, que morreu aos 9 anos após ter o cabelo preso no motor de sucção de uma piscina de um resort de luxo em Campinas, onde permaneceu submersa por sete minutos.
Dados de afogamentos
Dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa) reforçam o alerta, especialmente durante o verão. De acordo com o Boletim Epidemiológico de Afogamento no Brasil, referente a 2023 e divulgado em 2025, cerca de 5.883 pessoas morreram por afogamento no país. Entre crianças de 0 a 9 anos, 57% das mortes ocorrem em piscinas. Já entre crianças de 5 a 12 anos que sabem nadar, os afogamentos provocados pela sucção da bomba representam aproximadamente 28% dos casos em piscinas. O levantamento também aponta que 31% dos afogamentos acontecem nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.
Motores de sucção
De autoria da vereadora Débora Palermo (PL), a Lei Manuela determina a proibição do uso de motores de sucção em piscinas de uso coletivo enquanto estiverem abertas aos usuários e exige a instalação de dispositivos de segurança. A regulamentação se aplica a piscinas de clubes, academias, condomínios, associações, hotéis, pousadas e estabelecimentos similares.
Manutenção
O texto do projeto também prevê que, durante períodos de manutenção, o responsável pelo local deverá afixar aviso informando que a piscina está fechada e que o motor de sucção está em funcionamento. Em caso de descumprimento, poderão ser aplicadas multas a partir de 1,5 mil UFICs — o equivalente a R$ 7.320,75, com base nos valores de 2025 — além da interdição da piscina. O projeto ainda aguarda sanção do prefeito para entrar em vigor.
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