Morte de advogado em Divinópolis foi planejada, conclui delegado

Rafael Camargos
A Polícia Civil de Divinópolis revelou nesta quarta-feira, 5, detalhes da morte do advogado João Henrique Antunes da Costa, de 40 anos, conhecido como “Joãozinho” e filho de um delegado aposentado. O assassinato ocorreu no dia 25 de janeiro de 2016, chocou a cidade e teve grande repercussão na época. Após um ano e três meses de investigações, o delegado e a equipe de investigação chegaram à conclusão de que três criminosos estão envolvidos diretamente no caso.
Outros dois adolescentes estavam com a vítima no dia do ocorrido, mas não teriam participação direta com a morte de João, que foi candidato a vereador em 2012. As investigações conduzidas pelo delegado Marcos Henrique Mont’Alverne apontaram que a vítima estava com os suspeitos e que eles passaram por vários bares da cidade, fazendo uso de drogas e de bebidas alcoólicas. Em um determinado momento, durante conversa, um deles mostrou uma arma de fogo. Nesse momento, o advogado teria gritado que tinha uma de calibre mais potente. – Eu tenho uma ponto 40 dentro do parta malas do meu carro – disse Joãozinho, conforme explicou Mont’Alverne em entrevista coletiva.
O delegado informou que, depois disso, os criminosos planejaram de forma bem organizada como cometeriam o roubo da arma e do veículo da vítima, já que o Toyota Corolla é bastante visado e usado em ações criminosas. — Eles saíram do bar do “Bodão”, no Mangabeiras, foram para o Panternight, em seguida foram para o 20V. Nesse trajeto, sempre usando entorpecentes, cocaína, e [a vítima] estava sob o efeito de drogas na hora, o que facilitou a organização do crime. A vítima estava vulnerável naquele momento. Então, dos dois suspeitos que estavam por último, um deles assumiu o controle do veículo e, quando eles saíram da boate 20 V, o que estava atrás da vítima encostou uma arma na sua região escapular [nuca] e disparou sem dar chances de defesa para a vítima — narrou o delegado.
Joãozinho morreu com três tiros na nuca. Dispersão do corpo e fuga Após o assassinato, os criminosos deixaram o corpo às margens da MG-050 e fugiram rumo a Carmo da Mata. O veículo foi abandonado na região de Itapecerica, na BR-494. — Eles esconderam [o carro] porque pretendiam utilizá-lo na explosão de caixas eletrônicos. Inclusive, um dos artífices [participantes] dessa empreitada criminosa morreu dias depois em uma troca de tiros com a Polícia Militar, quando ele iria praticar a explosão de caixas eletrônicos — disse Mont’Alverne.
Suspeitos presos
O delegado completou ressaltando que os dois suspeitos estão presos por outros motivos no presídio de Oliveira. — Estamos encaminhando à Justiça Pública o relatório do inquérito com o pedido de prisão específico para a prática deste crime. Na época, um deles era adolescente infrator, o que estava dirigindo o veículo, e irá ser responsabilizado na Vara da Infância. O executor do disparo contra o “Joãozinho” na época já era maior imputável, portanto ele irá ser responsável por latrocínio, com pena de 20 a 30 anos na Vara Comum — detalhou. Já os adolescentes irão responder na Vara da infância e podem ser que sejam autuados. — Nós temos certeza do executor e do motorista do veículo — concluiu.
Mais detalhes na edição impressa de amanhã do Jornal Agora.
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