Morte de paciente em clínica de Lorena Marcondes completa um ano

Bruno Bueno
A morte de Íris Martins completa um ano amanhã. A mulher de 46 anos perdeu a vida após sofrer uma parada cardiorrespiratória na realização de um procedimento estético na clínica de Lorena Marcondes em Divinópolis.
A biomédica foi solta na semana passada após o juiz da 1ª Vara Criminal, Ivan Pacheco, aceitar um pedido da defesa. O Ministério Público (MP) classificou a decisão como “absurdo equívoco” e recorreu.
Relembre
Íris Martins passou mal no dia 8 de maio de 2023 ao ser submetida a uma lipoaspiração na clínica de Lorena Marcondes, que foi interditada pela Vigilância Sanitária. Ela morreu no mesmo dia no Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) para onde foi levada pelo Samu.
Lorena foi presa no dia seguinte e solta duas semanas depois. Cinco meses depois do crime, a Polícia Civil indiciou Lorena por homicídio doloso. No dia 22 de março último, após descumprir medidas cautelares impostas ao regime de prisão domiciliar, foi novamente presa e levada para o Presídio de Vespasiano e, posteriormente, transferida para o presídio Floramar.
Ela foi solta na última semana.
Decisão
Autor da decisão, o juiz Ivan Pacheco justificou a soltura de Lorena Marcondes.
— (...) Depois de mais de um mês afastada do convívio familiar e social por desrespeito a uma obrigação fixada por este juízo, tenho que a acusada se encontra preparada para acompanhar a tramitação do feito em liberdade (...) — pontua.
A decisão ainda afirma que novas violações podem implicar em uma nova prisão preventiva de Lorena e retorno ao presídio. O advogado de defesa da biomédica, Tiago Lenoir, comentou a decisão.
— Com o restabelecimento da liberdade da biomédica Lorena Marcondes, a defesa provará perante a Justiça a sua inocência e rebaterá todas as injustas acusações que recaem sobre ela — esclarece.
MP
O MP entrou na última quinta-feira com um recurso contra a decisão que tirou a biomédica da cadeia. O texto foi assinado por todos os promotores de Divinópolis e encaminhado ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
O órgão classificou a decisão do juiz como um “absurdo equívoco”.
— Lamentavelmente, o Ministério Público e a sociedade divinopolitana foram surpreendidos com a decisão que revogou o que já fora sacramentado pelo Tribunal de Justiça. De fato, foi um absurdo equívoco do magistrado (...) — comentou.
Os promotores argumentam que o próprio Tribunal de Justiça entendeu na última terça-feira que Lorena deveria aguardar presa o desenrolar do processo.
— O que mudou em dois dias? Na decisão do juiz não há um argumento sólido plausível, mas, tão somente, exercícios de futurologia! — acrescentou.
Insegurança
O MP ainda alega que a decisão do magistrado causa insegurança jurídica e prejudica a credibilidade do poder judiciário.
— Ora, no mínimo, é razoável que um juiz não julgue uma mesma questão jurídica, presente uma mesma situação de fato, de forma diversa da que julga o tribunal superior sem apresentar razões plausíveis para tanto — questiona.
O órgão ainda reiterou que as acusações contra Lorena causaram uma repercussão enorme em Divinópolis e região.
— No decorrer da apuração dos fatos, ela tripudiou acintosamente da Justiça, colocando em xeque a autoridade das decisões judiciais, bem como a honorabilidade dos membros do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Civil — salienta.
Próximos passos
O recurso ainda não foi apreciado pela Vara Criminal de Divinópolis. Em nota, o advogado de Lorena explicou os próximos passos da defesa.
— Ainda não foi dado vista à defesa. Manifestaremos nos autos em momento oportuno — pontua.
Repercussão
A soltura de Lorena Marcondes causou enorme repercussão nas redes sociais. O internauta Marcelo Rocha criticou a decisão do magistrado.
— É muito simples. A Justiça de Deus tarda, mas não falha. O que é dela já está escrito. É uma vergonha! — disse.
A internauta Rosiane Braga, por sua vez, comemorou a decisão.
— Nossa! Ela tinha sido presa! Complicações médicas às vezes existem. E todos que recorrem a uma intervenção sabem dos riscos existentes — comentou.
Olho:
“Na decisão do juiz não há um argumento sólido, (...) somente exercícios de futurologia.”
- Ministério Público.
Foto: Divulgação
Legenda: Íris Martins foi atendida por Lorena Marcondes
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
