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Polícia

MPMG instaura processo para apurar falta de medicamentos

Por Portal Agora
MPMG instaura processo para apurar falta de medicamentos

Matheus Augusto

 

Está aberto no Ministério Público (MP) um procedimento para apurar a falta de medicamentos na Farmácia Pública de Divinópolis, conhecida como Farmacinha. A decisão é resposta à solicitação do advogado e presidente da Associação dos Advogados do Centro-Oeste (AACO), Eduardo Augusto. 

Conforme o site oficial da Prefeitura, em dados atualizados pela última vez em 28 de março, 36 medicamentos estavam em falta, quase todos em processo de compra ou entrega. Desde o início do ano, a Prefeitura tem se pronunciado em mais de uma oportunidade para citar as dificuldades encontradas no mercado. A atual Administração garante não medir esforços na aquisição dos medicamentos. 

 

No mês passado, inclusive, o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) e o secretário municipal de Saúde (Semusa), Alan Rodrigo, estiveram em Belo Horizonte, onde gravaram um vídeo ao lado do secretário de Estado de Saúde (SES-MG), Fábio Baccheretti. Na publicação, todos ressaltaram que a falta de medicamentos não é um problema exclusivo de Divinópolis, além do fato de alguns deles serem de responsabilidade de compra do Estado. Foi reforçado também que todas as medidas para sanar o problema estão sendo adotadas.

 

Motivo

 

Ao Agora, o presidente da AACO, advogado Eduardo Augusto, justificou o pedido enviado ao MPMG como forma de relatar as diversas reclamações da falta ou entrega em quantidade menor do que o prescrito de medicamentos na Farmácia Municipal. Segundo ele, é fundamental apurar a responsabilidade do Município, do Estado e da União quanto ao descumprimento da legislação, que garante aos moradores os remédios de forma gratuita, na quantidade prescrita e no tempo correto do tratamento. 

 

Antes de oficializar o MP, a associação relata ter procurado as autoridades municipais, oportunidade em que foi apontado os referidos problemas, porém os mesmos persistem.

— A associação não teve outro caminho senão denunciar o fato ao Ministério Público Estadual, requerendo a abertura de inquérito para apuração das causas das responsabilidades, da não entrega da medicação conforme a população precisa — argumentou. 

O advogado ressalta que o tema é direito garantido constitucionalmente.

— O direito à saúde está na Constituição e determina que todos os entes públicos, na mesma responsabilidade, entreguem a medicação ao cidadão para que ele possa ter o tratamento de saúde adequado. É uma afronta à Constituição, que não pode ser atendida com desculpas administrativas ou até mesmo por motivos não justificáveis. O fato é que a cidade de Divinópolis e seus munícipes estão prejudicados há muitos anos em relação à ineficiência da Farmácia Municipal, em relação à compra, ao estoque e à entrega. São direitos fundamentais do cidadão e, dentro desse direito, à saúde — aponta. 

 

Como resultado, o presidente da associação espera reverter o cenário atual. 

— Portanto, esperamos que o Ministério Público cumpra seu papel e realmente exija das autoridades competentes, municipais, estaduais e da União, que o direito do cidadão seja respeitado na sua totalidade, justamente para que os cidadãos possam ter seus tratamentos de saúde adequados — pontua.

 

Argumentos

 

O documento elaborado pela AACO cita diversos problemas enfrentados pelos cidadãos que procuram a Farmacinha em busca de seus medicamentos. A gravidade da situação, argumenta, é justamente pelo risco de agravamento de doenças ou até morte, “isto porque muitos ficam sem a medicação por não ter recursos financeiros para comprar o que precisa na rede privada”.

Ainda segundo a associação, a ausência de medicamentos é comunicada apenas verbalmente, quando seria necessário a declaração por escrito para que os cidadãos, caso desejem, procurem a Justiça.

Para a entidade, a situação é grave e, apesar das justificativas, não pode ser considerada “normal”.

— (...) quem precisa da medicação não pode ficar esperando ou sem a medicação, os Entes Públicos da Rede SUS devem se acautelar e efetivar todas as medidas cabíveis e legais para manter o fornecimento de forma contínua — defende. 

O documento também cita casos de pessoas que procuram a associação para relatar suas dificuldades. Num deles, a mãe de uma menina de 14 anos, com diabetes, precisou retornar à Farmácia seis vezes entre 6 de fevereiro deste ano e 1º de março para buscar insulina. 

— (...) idas e voltas, perda de tempo, deslocamentos do bairro das Oliveiras ao Centro, gastos com passagens, sem falar frustração e o estresse de voltar para casa sem medicação essencial para filha menor de idade — relatou. 

O constante reagendamento sem a entrega da medicação foi outro ponto criticado. 

— (...) é um verdadeiro descaso, um desvalor com tempo desses cidadãos que se deslocam dos lugares mais distantes e difíceis de locomoção, muitas vezes, sem dinheiro de pagar passagem ida e volta, e simplesmente marcam para outro dia, é um tapa na cara do cidadão, isso para não dizer cometimento de infração administrativa, que deve ser apurado pelo Honroso Ministério Público — diz a nota   

Ao fim, é solicitado ao MPMG a apuração das informações “sobre suposto desserviço, serviço inadequado de saúde, suposta ineficiência (omissão e negligência) no setor de compras e aquisição de medicamentos, ou qualquer outro fato que ainda possa caracterizar infração ou crime contra a administração pública e por consequente, as penas da lei.

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