Ninguém sonha em ser madrasta!
Fernanda Vargas
Ninguém sonha em ser madrasta!
É um cargo que ninguém cobiça!
Por Fernanda Vargas
Quando criança, a maioria das minhas amigas sonhava em se casar, algumas sonhavam em ter filhos e outras apenas em trabalhar. Já tive amigas que sonhavam em ser delegada, aeromoça, modelo, médica, veterinária e, um dia, achar um príncipe encantado, casar e ter filhos... A maioria das minhas amigas conseguiu, são felizes em seus castelos com seus príncipes.
Mas não conheci ninguém na minha infância, adolescência e nem na fase adulta que sonhou em ser madrasta. Acho que seria loucura demais para alguém jovem querer um pesadelo deste.
Seria de uma insanidade desejar: Quero encontrar um homem divorciado, bem mais velho do que eu, que tenha uma despesa fixa com a família anterior, que não seja da idade dos meus amigos eque tenha filhos que jamais irão me tolerar. Quero um homem que me traga mais problemas que soluções e que me renda boas sessões de terapia! Isto é um pesadelo! Ninguém sonha com isso. Ninguém!
Quando nos casamos, não pensamos, em um primeiro momento, que iremos nos separar; as separações acontecem por motivos totalmente alheios à nossa vontade. Grande parte dos relacionamentos dá muito certo e na verdade não podemos julgar que um casamento que durou poucos anos não deu certo: na verdade deu certo por um determinado período de tempo, apenas não durou até a morte de um dos cônjuges. Mas nem todos têm escolhas acertadas, ou até mesmo sorte, e a vida de muitos casais toma caminhos tão diferentes que, em curto espaço de tempo, encontram-se divorciados.
Faz parte da natureza humana querer estar ao lado de alguém, e não é porque você se separou, seja o motivo qual for, que você será condenado a viver sozinho para sempre. Infelizmente, a quantidade de divórcios tem aumentado, e com isso está se tornando natural as pessoas refazerem suas vidas afetivas e se casarem pela segunda vez. E toda pessoa, ao procurar um novo relacionamento, pelo menos tenta achar alguém “leve e solto”. Embora o amor quando chega para valer é “firme e forte”. Ele derruba seus planos e muitos dos seus sonhos.
E quando o seu novo “príncipe encantado” já tem seus próprios filhos, será a vez de saber como madrasta se você tem sorte ou azar na vida. A maioria das madrastas, ao conhecer os enteados, tentará agradá-los, respeitá-los, dar-lhes carinho e cuidar deles tão bem quanto seus pais. Jamais se cogita em substituir uma mãe viva. Ao contrário dos contos de fadas, onde a madrasta entrava em cena, quando o homem ficava viúvo, aí se tornava a mãe substituta.
O problema é que a madrasta nem sempre será bem-vinda. As pessoas gostam de achar problemas aonde não existe, gostam de ser vítimas e achar culpados.
As madrastas sofrem muito devido ao excesso de comparação, pois em tudo que ela for pior que a primeira esposa ela será criticada e em tudo que for melhor ela será odiada. Dificilmente agradará: isto é uma maneira inconsciente que os filhos encontram de demonstrar para a mãe que ela é melhor. Mas isso, a longo prazo, gera infelicidade e distância as pessoas.
E é doloroso entrar em um relacionamento onde sem ao menos conhecerem a nova mulher do pai, ela já é vista e rotulada como a madrasta dos contos de fadas.
A realidade é mais fácil se for vista do coração e não por meio de crenças ultrapassadas de que, pelo simples fato de ser uma segunda esposa, consequentemente é má, veio fazer o mal ou veio explorar o outro. E a maioria das madrastas entra com as melhores das intenções, entram para somar e agregar valores. O mundo não pode ser visto como se a maioria das pessoas fosse ruim. Ao contrário, a maioria das pessoas são boas e querem o bem.
Nunca sonhei em ser madrasta e ter uma madrasta, mas a vida me colocou nesta posição. Eu, como enteada, vejo em minha madrasta uma segunda mãe e uma amiga e, o fato de aceitá-laé a forma que existe para eu demonstrar respeito pelo meu pai. É a forma de demonstrar para minha mãe que o meu coração é grande demais e que é possível amar as duas e de formas diferentes. Minha querida madrasta Eliza é a mulher que está ao lado do meu pai há quinze anos, cuidando dele. Não seria justo eu querer fazer da vida deles um inferno. Como não desejo isso para a minha vida.
Os enteados deveriam passar a respeitar mais seus pais e parar de culpar as madrastas por tudo que acontece em suas vidas, deveriam também parar de fazer julgamentos. Pois a partir do momento que você julga alguém, você será julgado; a partir do momento que apontar o dedo em direção a alguém terá de volta três dedos das mãos apontados para você. O coração de todo mundo é grande e cabe muitos pais e muitas mães. E a vida é curta demais para viver cultivando o ódio, culpando o pai por uma separação de anos ou até décadas. A vida é curta para não virar a página, para ficar rabiscando em coisas que já deveriam estar superadas. Amar só faz bem! Então: ame. “Perdoe o que puder ser perdoado e esquece o que não tiver perdão”. Engenheiros.
Leia também
Busca ativa nas escolas da rede pública estadual é oportunidade de recomeço para alunos
Corrida de Pentecostes volta em formato virtual
Prefeitura de Divinópolis entrega mais de 25 mil kits de merenda escolar
Jogos do Interior de Minas ganham formato virtual
Guarani estreia sábado no sub-20
Prouni: prazo para entrega de documentos termina hoje
Mais recentes
Do nosso arquivo
Atlético-MG tropeça novamente, perde para o Vitória, e aumenta pressão no Brasileirão
Atlético-MG encara o Vitória no Barradão na primeira partida após saída de Cuca
Com mais de 13 mil no Independência, Cruzeiro perde para o Palmeiras, mas é finalista do Campeonato Brasileiro Feminino
Cruzeiro e Palmeiras se enfrentam neste domingo pela semifinal do Brasileirão Feminino
Veja tudo o que publicamos em maio de 2021
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…




