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Nova falência

Por Portal Agora
Nova falência

Preto no Branco

Não deu tempo nem para respirar e a Máquina de Vendas voltou a ter a falência decretada nesta terça-feira, 5, com apenas 26 dias que tinha conseguido reverter decisão judicial. A empresa, dona da varejista Ricardo Eletro, que tinha anteriormente o divinopolitano Ricardo Nunes como o principal sócio, estava em recuperação judicial e já tinha aprovado acordo de pagamento com os credores. O comando da Máquina se  preparava  para começar do zero para recuperar o nome da marca no mercado e, agora, promete recorrer. Fácil não será, mas não custa tentar. 

Milionária 

A principal dificuldade é que o valor devido é milionário e, quando é assim, os juros e multas correspondem. A dívida atual chega a R$ 4 bilhões, mais R$ 1 bilhão em atrasos tributários. Considerando apenas o Bradesco e o Santander, são cerca de R$ 2 bilhões em títulos da dívida (debêntures). E a falência foi decretada exatamente a pedido dos bancos. Além deles, existem mais 17 mil credores. Ou seja, missão complicadíssima. 

No auge 

Em seus tempos áureos, a Máquina de Vendas chegou a ter 1,2 mil lojas no País, com faturamento de R$ 9,5 bilhões e 28 mil colaboradores. A empresa era uma das principais concorrentes de gigantes do varejo brasileiro, como Casas Bahia, Ponto e Magazine Luiza. Somente em Divinópolis eram quatro lojas. Agora, a companhia é apenas um site com poucos produtos, faturamento perto de zero e 40 pessoas no quadro de funcionários. Em 2020, Ricardo Nunes, CEO da empresa, foi preso, acusado de sonegação, mas ficou só um dia na cadeia. Atualmente faz palestras motivacionais para empresários e é certeza de plateia cheia. Oratória perfeita, poder de convencimento inigualável e desenvoltura extraordinária continuam sendo seus pontos fortes. 

É fria 

O Senado aprovou ontem a MPV 1.106/2022, que aumenta o limite de crédito consignado para a maioria dos assalariados, e autoriza essa modalidade de empréstimo também aos que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), a Renda Mensal Vitalícia (RMC) e o Auxílio Brasil. Aprovada na forma do projeto de lei de conversão (PLV) 18/2022, a matéria segue para sanção do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL).  A medida provisória contou com relatório favorável do senador Davi Alcolumbre (União-MP). A MP define em 40% a margem consignável de empregados celetistas, servidores públicos ativos e inativos, pensionistas, militares e empregados públicos. Antes era uma dificuldade, mas em ano eleitoral tudo se torna mais fácil. No entanto, bobo é quem cair nesta armadilha. A não ser que seja um caso de extrema necessidade, mesmo assim, costuma ser fria.

Como pagar?

Se uma pessoa recebe algum benefício de governos é porque ela não tem outro rendimento e depende desta ajuda para sobreviver. Pelo menos deveria ser, já que, como foi denunciado diversas vezes, existem muitas falcatruas. Como este tipo de cliente faz empréstimo consignado? A margem por empréstimos determinada pela medida provisória para esta categoria é também de  40% do valor do benefício. Claro que vão pagar porque se trata de um empréstimo descontado na folha de pagamento. Mas e o restante das necessidades? Enfim, não tem o que falar. 

 

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