O caso do gato

Batendo Bola
José Carlos de Oliveira
E eu que pensava que já estávamos no século XXI, no ano da graça de 2017, com todas as tecnologias disponíveis para se saber quem é quem. E mais, acesso em tempo real para se apurar todas as informações. Crendo nisso, acredito ser impossível a alguém se fazer passar por outro, ainda mais em frente às câmeras de TV, que levam as imagens para todo o canto do planeta. Pelo menos, é assim que eu acho que deva ser nos dias de hoje.
Mas será que eu estava enganado? Ainda tem quem se acha “esperto” neste mundo. O caso pode até parecer um drama para os envolvidos, mas na realidade é digno de risos, é uma piada mesmo, para a grande maioria, e uma decepção a mais para o futebol brasileiro.
Como pode isso? Um atleta se fazer passar por outro para disputar a maior competição de base do País, achando que ia enganar a todo mundo e ficar tudo por isso mesmo. E é justamente porque penso assim, que bate uma dúvida.
É, não dá para acreditar, não! Deve ter algo de errado nesta estória toda. E a realidade ser bem diferente do que está parecendo, em princípio. Mas vamos deixar que os fatos se esclareçam, de fato, para rirmos ou lamentarmos ao final.
O que esperamos é que tudo seja colocado a limpo o mais rápido possível.
Vamos aos fatos
Na Copa São Paulo Junior, a “Copinha”, maior torneio de base do Brasil, que é organizada e promovida pela Federação Paulista de Futebol, há quase meio século (a primeira foi em 1969), o Paulista de Jundiaí faz campanha impecável até aqui, e no domingo simplesmente atropelou o Batatais, com goleada por 5 a 1, se classificando para a grande final contra o Corinthians.
Mas não é que depois de ser massacrado em campo, e ser eliminado da decisão por pura incompetência, o time de Batatais levantou a lebre, fez denúncia contra o Paulista, declarando que o time de Jundiaí teria disputado a competição com um atleta irregular.
O zagueiro Brendon Matheus Lima dos Santos na realidade seria Helton Matheus Cardoso, nascido em 1994, e não em 1997, como consta em seu registro na federação. Assim, ele teria 22 anos (e não 19), idade que o impediria de disputar o torneio de juniores. Comprovado o fato, o Paulista seria eliminado da competição, dando lugar para que o Batatais faça a final contra o Corinthians. Estes são os fatos, e contra fatos não há argumentos.
Legal, mas imoral!
Até aí, tudo bem. Cada um pode e, mais do que isso, tem o dever de lutar por seus direitos. Mas que soa estranho um time que levou de cinco, ainda chegar à final, isso também é um fato. Algo devia haver no regulamento para impedir este disparate. Coibir a ação destes que acham que devem levar sempre vantagem, doa a quem doer, é sim necessário, mas que os derrotados se coloquem em seus devidos lugares e assumam sua incompetência. Este é o ponto x da questão.
Sou e sempre serei a favor de punição para todos aqueles que cometem erros. E acho que deva ser assim, em todas as situações da vida. O que não concordo e nunca irei concordar é com alguém se beneficiar do erro de outro para levar vantagem. Isso, não dar para engolir.
Que tem que haver punição para o Paulista (se este estiver errado), e banimento do atleta do mundo do futebol, é fato, e estamos e sempre estaremos de acordo quanto a isso. O que não dar para aceitar, em hipótese alguma, é o fato de um time que tomou de cinco ainda se achar no direito a alguma coisa. Que se contente com seu papel de coadjuvante perdedor, e busque as conquistas no futuro, mas em campo. Sem mais e nem menos.
Esta conversa de levar vantagem, via tapetão, pode até ser legal, mas também é imoral. E ponto final. É simplesmente uma ação de quem não se sustenta nas próprias, e como nas palavras do canhotinha Gerson, naquele famoso comercial de uma marca de cigarros, quer mais é levar vantagem em tudo, doa a quem doer.
A realidade neste caso é uma só: se errados, o Paulista de Jundiaí e o atleta devem, sim, ser punidos, mas sem dar ao de Batatais o direito de reverter, no tapetão, um resultado que não conseguiu fazer dentro de campo.
MANGUEIRAS BRASIL
Enfim vai rolar a bola
Final de férias, já é hora de olhar para frente, respirar novos ares e viver novos sonhos. Para os amantes do futebol é o fim dos finais de semana vazios, sem emoção. E esta é uma grande verdade: Domingo sem futebol até parece que não é domingo.
O Campeonato Mineiro da divisão principal começa para valer na tarde de sábado, com o duelo entre o Atlético e América de Teófilo Otoni. Enfim, haverá emoção para todas as torcidas.
Agora, as questões que ficam a serem respondidas hoje, são: o que esperar da edição de 2017 do Mineiro? Cruzeiro e Atlético têm realmente bons elencos? Haverá algum time do interior surpreendendo os grandes?
Só estas questões já bastam para começar a conversa nas esquinas, nas mesas de bar. Já faz valer a pena o final de férias. E sejam quais forem as respostas, a verdade é que finalmente, os domingos não serão mais vazios, faça chuva ou faça sol, o dia será de emoção para todas as torcidas.
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