OAB promove bate-papo sobre a 'transformação' do Cruzeiro em SAF

Da Redação
A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) foi tema de um evento idealizado pela Comissão de Direito Empresarial da OAB Divinópolis na última terça-feira, 28. O advogado do Cruzeiro Esporte Clube, Gustavo Chalfun, e o diretor jurídico da Associação do CEC, Marcos Lincoln, abordaram a experiência do time mineiro, pioneiro neste processo.
O bate-papo reuniu advogados, estudantes de direito e a sociedade como um todo, interessadas em conhecer os detalhes por trás do novo modo de gestão do clube celeste, sob gerência majoritária do ex-atleta do clube, Ronaldo Fenômeno.
Para a presidente da OAB em Divinópolis, Ellen Lima, foi uma oportunidade não só para advocacia, mas também para os torcedores se inteirar do que se trata de fato uma SAF.
— É uma alegria muito grande ter dois nomes não só da advocacia, mas duas figuras públicas por se tratar do Cruzeiro Esporte Clube. A Sociedade Anônima de Futebol é um assunto que interessa a advogar, mas também à população quer saber sobre as modificações introduzidas no clube a partir da SAF— pontuou Ellen.
O presidente da Comissão Empresarial de Divinópolis, Gabriel Azevedo, também ressaltou a importância da iniciativa.
— Nosso objetivo principal foi aproximar a instituição dos populares, pessoas que não são advogados e são interessadas no assunto. Principalmente por se tratar de um tema tão relativo aos torcedores fanáticos pelo Cruzeiro. Para nós é uma alegria muito grande — completou.
Processo
O advogado Gustavo Chalfun falou sobre a importância de compartilhar o assunto.
— Ficamos muito felizes de estar em uma das subsecções mais importantes do estado para debater com a advocacia local a SAF, os impactos dessa lei tão importante para a sociedade brasileira. Digo sociedade brasileira porque o futebol é uma paixão de todos nós e ele precisa ser bem gerido e bem administrado. Por essa razão, veio em boa hora, no final de 2021, a lei que estabeleceu a SAF do futebol, abrindo novas portas e novos conceitos para esse esporte — enfatizou.
Pioneirismo
Chalfun também comentou sobre o pioneirismo do Cruzeiro, o primeiro time inserido no modelo inovador de gestão no Brasil.
— Toda vez que há um projeto inicial, ele é cercado de maiores dificuldades. O Cruzeiro vem abrindo as portas para times como o Bahia, Vasco, Botafogo e tantos outros clubes que certamente poderão escolher esse modelo de negócio que é a Sociedade Anônima — concluiu Chalfun.
Para o diretor jurídico da Associação do CEC, Marcos Lincoln, a adesão às SAFs é uma tendência natural dos times brasileiros.
— A SAF é uma novidade e vem trazendo uma verdadeira revolução no esporte. Se trata de um processo complicado e doloroso para quem estava acostumado com uma engrenagem já arraigada no futebol há muito tempo. Mas é sobretudo, uma tendência irreversível não só para o Cruzeiro mas para outros times — finalizou
SAF
A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) é um novo tipo societário, criado pela Lei nº 14.193/21, que fez nascer uma nova política do futebol brasileiro, com o estabelecimento de normas de governança, controle e transparência, instituição de meios de financiamento da atividade futebolística e previsão de um sistema tributário próprio, permitindo-se, assim, não somente a mercantilização, a circulação de riquezas e o desenvolvimento social, mas também, o resgate dos valores dos clubes.
De forma reduzida, a SAF é uma empresa específica criada para gerenciar o futebol dos clubes e receber vantagens tributárias e de mercado. Um exemplo, é a possibilidade de a SAF pagar apenas 5% de impostos sobre a receita nas cinco primeiras temporadas, passando 4% na sequência.
A SAF, hoje gerida majoritariamente pelo ex-atleta do time Ronaldo, tem prometido e tem feito investimentos pesados na reestruturação do Cruzeiro, que há anos vem enfrentando dificuldades financeiras e resultados ruins em campo. Além disso, a nova gestão também atua na busca por novos jogadores para o elenco com objetivo de fortalecer as categorias de base do clube, visando formar novos talentos para o futebol brasileiro.
O tema também gerou algumas polêmicas, já que o modelo de sociedade anônima no futebol brasileiro ainda é relativamente novo e controverso. Algumas torcidas organizadas e setores da imprensa questionam os impactos da entrada de investidores externos no futebol nacional, especialmente em times tradicionais como o Cruzeiro. No entanto, a diretoria garante que irá respeitar a história e a tradição do Cruzeiro, mantendo o foco no desenvolvimento do clube e no sucesso dentro de campo.
A expectativa é de um novo fôlego ao Cruzeiro e ao futebol brasileiro como um todo, mostrando que o modelo de sociedade anônima pode ser uma alternativa viável para a gestão de clubes de futebol no país. Resta agora aguardar para ver os resultados desta nova parceria.
Foto: Matheus Augusto
Envolvidos no processo de SAF do Cruzeiro detalharam procedimento
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