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Obras na avenida Magalhães Pinto começam com disputa de paternidade

Por Portal Agora
Obras na avenida Magalhães Pinto começam com disputa de paternidade

Da Redação

Começam hoje as obras de drenagem e pavimentação na avenida Magalhães Pinto, em seus quase 4 quilômetro de extensão, desde o acesso à MG-050 até a Ponte do Niterói. A polêmica da vez é a disputa da paternidade. Com previsão de durar 8 meses, excluídos os períodos de pausa em decorrência das chuvas, a intervenção é classificada pelos membros do Executivo como uma das mais complexas. O investimento total é de cerca de R$ 10 milhões, com recursos do então deputado Cleitinho Azevedo (Republicanos) e da própria Prefeitura. 

Para não ser necessária a interrupção completa de toda a avenida, a obra será executada em etapas, explica o secretário de Fiscalização de Obras Públicas e Planejamento, Paulo José.

— Vamos começar pelo trecho de entrada da 050, que estará totalmente interditado até a região mais adentro da cidade, perto do bairro São Geraldo. Vamos iniciar pela drenagem pluvial, que é a abertura de valas para assentamento de tubos de concreto para escoamento das águas das chuvas — detalhou. 

Importância e compreensão

Em coletiva na sexta-feira, 4, representantes comentaram sobre a importância do trabalho, que tem sido planejado desde o ano passado. De acordo com o prefeito Gleidson Azevedo (Novo), a via não suportava mais operações tapa-buracos. Devido ao trânsito intenso de veículos pesados, como ônibus e caminhões, a espessura da camada de asfalto será mais alta para comportar o tráfego.  

— Os caminhões passam muito pela entrada do bairro, e a gente sabe o tanto que a população estava ansiosa por essa obra, pois tapar buraco já não adiantava mais. Vamos fazer essa obra de drenagem e todo o recapeamento da via, desde a entrada da Magalhães Pinto, no Bento Menni, até a Ponte do Niterói — afirmou. 

Em decorrência da complexidade da obra e o tempo para conclusão, a vice-prefeita e secretária de Governo (Segov), Janete Aparecida (PSC), solicitou a compreensão dos moradores e transeuntes.

— O que nós pedimos hoje de mais importante para a população é entender que não tem como fazer um omelete sem quebrar ovos, então é uma obra que vai causar muito transtorno, principalmente nos horários de pico, e atraso no horário de ônibus por conta de desvio. Então é realmente sair de casa um pouco mais cedo. Quem puder ir de carro ou carona também vai ser muito importante — ressaltou. 

Desvio

Para evitar contratempos, os motoristas devem utilizar rotas alternativas, orienta o secretário de Trânsito, Transporte e Segurança Pública (Settrans), Lucas Estevam.

— O principal desvio que estamos divulgando é pelo bairro Bom Pastor, entrando pela avenida JK, vira à esquerda no semáforo do Corpo de Bombeiros, passa pela ponte do bairro Danilo Passos, vira à direita na avenida Antônio Neto, percorre ela por cerca de 3 km, passa pelo Pátio da Prefeitura e retorna à avenida Magalhães Pinto — citou. 

Veículos leves também podem priorizar trajetos pelo interior dos bairros Grajaú, São Lucas, Maria Helena, Mangabeiras e outros. 

— Então pedimos que os motoristas utilizem essas outras rotas para não carregar ainda mais o trânsito desse primeiro desvio [pela JK] — destacou. 

Demanda antiga

A reivindicação é antiga, tanto por parte dos moradores quanto dos políticos. Em consulta ao site da Câmara é possível encontrar ao menos oito indicações, desde a legislatura passada, solicitando o recapeamento completo da avenida Magalhães Pinto. 

Uma delas, inclusive, foi protocolada pelo ex-vereador Sargento Elton (PMN), em junho de 2019. Após Elton renunciar ao mandato, seu substituto, Carlos Eduardo Magalhães (Republicanos), também apresentou o mesmo pedido, em julho de 2020. 

Na atual legislatura, as solicitações se repetem. Flávia Marra (Patriota) apresentou uma em janeiro do ano passado. No mesmo mês, o então presidente da Câmara, Eduardo Print Jr (PSDB) também cobrou a melhoria. Rodyson do Zé Milton (PV) e Wesley Jarbas (Republicanos) protocolaram indicações com o mesmo intuito em novembro. 

No mais recente, em maio deste ano, Edsom Sousa (Cidadania), que ainda era líder do governo no Legislativo, ressaltou ter participado de uma reunião com o prefeito em fevereiro de 2021 sobre o tema. 

Os argumentos de todos convergem na deterioração do asfalto na avenida, com elevado risco de acidentes em um importante acesso à cidade.

Nos registros da Câmara, ainda é possível encontrar outros pedidos de tapa buracos, pavimentação e recomposição asfáltica em trechos específicos da via. 

Crédito

Em suas redes sociais, o prefeito publicou um vídeo anunciando o início das obras ao lado do vereador Diego Espino (PSC). Na postagem, Espino pede paciência à população até a conclusão. 

Em seguida, Flávia Marra (Patriota) celebrou a obra, mas criticou a ausência de crédito.

— Porque eu não apareci, prefeito? Eu não apareci porque eu cobro, fiscalizo. De tanto a gente cobrar, o prefeito resolveu atender nossa demanda. O mérito não é meu, é da população. (...) Sem puxar tapete, mas sendo justo — afirmou. 

À reportagem, Marra apresentou suas diversas solicitações desde o início do mandato até esse ano, solicitando a completa manutenção na via em decorrência da atual precariedade e riscos de acidentes. 

Não é primeira vez

Esse não é o primeiro desentendimento desta natureza. Em abril, o calçamento da rua Cabo José dos Reis, no bairro Realengo, acesso ao Hospital Regional, também gerou desgaste entre vereadores, desta vez entre Rodyson do Zé Milton (PV) e Wesley Jarbas (Republicanos). Na época, Jarbas publicou um vídeo no local, enquanto Rodyson expressou descontentamento pelo crédito da obra.

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