OMS alerta contra substâncias nocivas contidas em plásticos

Flávio Flora
Componentes de cosméticos, embalagens de alimentos e brinquedos podem estar provocando distúrbios hormonais e doenças.
Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) – Stateofthe Science ofEndocrine-DisruptingChemicals – complementar a outro desenvolvido em 2013, confirma que mais de 800 compostos químicos são suspeitos de interferir no sistema hormonal. Muitos desses ainda estão submetidos a mais estudos, mas a Comissão Europeia da OMS já garante que pelo menos 66 destes compostos, como bisfenol A (BPA), dioxina, atrazina e vários ftalatos (BBP, DEHP, DOP e DBP), têm "clara evidência de pertubação da atividade endócrina".
Usos comuns
Os “ftalatos” são usados, por exemplo, em produtos coloridos, como brinquedos infantis e sexuais, produtos de limpeza, como detergente, embalagens de alimento, produtos de beleza, como esmalte de unhas, sprays para o cabelo, loções de barbear, sabonetes, xampús, perfumes e outros produtos com fragrância. Outro exemplo é o bisfenol A (BPA), presente em garrafas de plástico ou latas, cosméticos, brinquedos, CDs e, até há pouco tempo, em mamadeiras.
Alguns compostos perderam o uso, como o ftalato DBP, que era um plastificante usado em vernizes de unha ou tintas de impressão. Mesmo assim, continuam provocando riscos à saúde, uma vez que, segundo a OMS, seus efeitos podem afetar várias gerações.
A OMS diz que os efeitos da exposição precoce ao composto podem se manifestar em qualquer momento da vida, através de câncer de mama e de próstata, infertilidade, puberdade precoce, obesidade, transtornos metabólicos e diabetes tipo 2.
Precaução possível
Pela desobrigação dos fabricantes não precisarem incluir esses compostos nas listas de ingredientes do produto, não está fácil saber qual a composição exata do que se consome, especialmente em relação aos produtos alimentícios, cosméticos e de higiene. Em alguns casos, a palavra “fragrância” esconde esses “ftalatos”.
Segundo especialistas, individualmente, não há muito o que fazer para evitar essas substâncias maléficas, porque essas mudanças devem surgir da regulação das indústrias e da pesquisa de outras alternativas. Enquanto isso não ocorre, vale umas dicas básicas: escolher cremes, detergentes e produtos "livres de fragrância"; priorizar materiais alternativos ao plástico, como a madeira ou aço inox, sempre que possível; preferir vidro sobre latas ou vasilhas revestidas de plástico, no caso de embalagens de comida.
Exposição diária
"Humanos estão expostos a EDCs por diversas formas, incluindo ingestão de comida, poeira, água, inalação e pela pele", aponta o relatório, feito em parceria da Organização Mundial da Saúde e a agência da ONU para o meio ambiente (Unep).
O problema, diz o documento, é que ainda há poucos dados sobre como esses EDCs são produzidos e em que são empregados. Também faltam estudos detalhados sobre seus efeitos no sistema hormonal humano e sua relação com doenças específicas. Em animais já ficou comprovado, o que levou ao um alerta preventivo da OMS.
A exposição a muitos desses químicos pode estar ligada a casos de câncer de mama, tireoide e próstata, deformações em bebês, hiperatividade em crianças, diabetes, asma, obesidade, males de Alzheimer e Parkinson, derrames e queda de fertilidade.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
