Onde está a verdade?

Preto no Branco
Parece brincadeira, mas na verdade se trata de um desencontro de informações gigantesco. Sobre a interdição do Pátio Divinópolis, fato ocorrido no sábado à noite, cada um fala uma coisa. A reabertura aconteceu poucas horas depois, por volta das 13h do domingo. A direção do shopping afirma ter feito as adequações e apresentado à Vigilância em Saúde. O prefeito eleito, Gledson Azevedo, sua vice, Janete Aparecida, ambos PSC e o deputado Cleitinho Azevedo (CDN) juram que apenas foram apoiar os empresários. Já a Prefeitura disse que não autorizou. “Pera” aí. Alguém mexeu os pauzinhos e mandou suspender a interdição. Para o bem de todos, isso precisa ficar claro. Situação embaraçosa que ninguém assume e está feio para todos os lados. Afinal, começar ou terminar mentindo pode significar um descrédito diante a população. Duvido que os envolvidos querem se submeter a este desgaste.
Só investigando?
A polêmica desnecessária e a falta de clareza dos fatos levou o prefeito Galileu Machado (MDB), após relatos da Vigilância em Saúde, a passar a bola para o Ministério Público (MP). A Prefeitura esclarece em nota que a autorização para a reabertura desinterdição do estabelecimento não observou os procedimentos legais de praxe e, da parte do Executivo, não houve qualquer interferência quanto à atuação dos fiscais. Alguém foi lá sem autorização de nenhuma chefia da Prefeitura. Enquanto ninguém abre o bico, o MP investiga. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos. Nada mais é do que Divinópolis sendo Divinópolis.
Alguém duvida?
Se tratando de política e interesses pessoais, tudo está valendo, até vender a mãe. Pelo menos em Divinópolis é assim. Entra ano e sai ano, só mudam os personagens, mas as condutas seguem sem nenhuma alteração. É enganação a perder de vista, escolhas duvidosas, cargos arranjados – algumas vezes, comprados – mentiras... E, assim, segue o barco, mesmo que nas águas podres do rio Itapecerica, afinal, podridão com perversão não tem lá suas diferenças. E o povo segue acreditando e sonhando com dias melhores. Quem sabe no dia que galinha nascer dentes.
Experiência para quê?
Afinal, quando o assunto é gestão e cargos políticos, Divinópolis é tão amadora que as pessoas precisam começar junto com ela. Quem sabe não amadurecem juntos? É sabido que esse jeito nojento de fazer política está em cada canto deste país, mas, por incrível que pareça, Divinópolis supera até grandes centros na ruindade de se escolher seus representantes. Será que é pelo fato de ter tanta gente de fora? Estima-se que seja mais da metade da população. Talvez. Pois São Paulo, por exemplo, é a cidade brasileira que tem mais pessoas de fora e, por lá, o jeito de fazer política é anos luz mais evoluído. Sem dúvida que atualmente há exceções, embora raríssimas, porém, a inspiração deveria vir lá de trás, de Antônio Martins, Sebastião Guimarães, entre outros. A diferença é que, à época, se pensava no povo, não no bolso.
Vai resolver?
Pelo menos é o que se espera dos órgãos competentes em relação ao coronavírus na cidade. O aumento do número de contaminados e de mortes comprova que a cidade vive um momento delicado e pode piorar. O alerta vem sendo feito pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) pelo menos há duas semanas. A aglomeração seguiu e, com ela, o crescimento na ocupação de leitos. O shopping tem este problema, sim. Mas não é só lá. Por onde se vai nesta cidade, os bares estão superlotados sem nenhuma medida preventiva. Os proprietários precisam sobreviver, claro, mas, para isso, não precisam permitir que membros de outras famílias morram. Quer funcionar, fácil. Atenda às normas vigentes. Fazendo isso, diminui a proliferação do vírus, a doença, e, automaticamente, acelera a volta à normalidade. Ganha a cidade, aumenta sua renda e fomenta a economia local. Lembre-se: a vida precisa ser colocada acima de qualquer outro interesse. Caso contrário, 2021 pode ser ainda mais desastroso do que 2020.
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