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Parque do Gafanhoto recupera vegetação, mas perde patrimônio

Por Portal Agora
Parque do Gafanhoto  recupera vegetação,  mas perde patrimônio

Flávio Flora

O Parque do Gafanhoto, que por dez anos (até 2015) estava sob os cuidados da Fundação Educacional de Divinópolis (Funedi) por ter ali seu campus avançado de Educação e Pesquisa Ambiental, está abandonado mais uma vez. A posse do espaço, após o fim do convênio, voltou para o Ministério da Agricultura, que já tem projetos para o parque, em parceria com a Universidade de São João del-Rei (UFSJ), que ainda não saiu do papel.

A reportagem do jornal Agora seguiu a trilha apresentada pelo repórter Cláudio Miranda, em matéria da TV Alterosa (veiculada sábado à noite), e também esteve no local, ontem de manhã, para registrar o estado lastimável em que se encontra o parque.

A matéria da TV mostrou as condições em que se encontram os imóveis lá construídos, revelando que a última ocupação deixou o lugar cheio de lixo, partes de equipamentos jogados pelo chão, livros velhos, fiação elétrica destruída, uma grande quantidade de slides pedagógicos, mobiliário deteriorado, museu de zoologia depredado (com aves e animais empalhados por todos os lados), portas destruídas, carteiras escolares danificadas etc.

Nova destinação

A reportagem do Agora apurou que a área do parque estava sob a guarda do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), enquanto durou o convênio com a Funedi, mas agora está agora sob a administração da Superintendência do Patrimônio da União (SPU), no Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão.

Segundo o responsável pelo escritório do Mapa em Divinópolis, engenheiro agrônomo Sérgio Antônio de Sousa, a área está sendo pretendida pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), campus de Divinópolis, que busca parceria conveniada com o Ministério da Agricultura para reativar o local.

— As negociações estão avançadas e um dos pontos da pauta é a construção de uma sede própria para o Mapa no campus da UFSJ — revelou o engenheiro Sérgio de Sousa, ressaltando que a escolha do lugar no campus se dá em razão da insegurança que o Parque oferece, “pois em pouco tempo, após o fim da última ocupação, as instalações foram todas invadidas e depredadas”.

Processo em tramitação

As informações de Sérgio de Sousa foram confirmadas pelo diretor do Campus Centro- Oeste Dona Lindu, professor Eduardo Sérgio da Silva, que forneceu mais informações. Desde 2013, a UFSJ tenta conseguir através do Ministério do Planejamento, a posse do Parque do Gafanhoto, que hoje está cedido ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Segundo o professor, em 1º de abril de 2016, foi divulgado no Diário da União a Portaria 47, da Superintendência do Patrimônio da União, autorizando a doação do parque à Universidade, oque ainda está em tramitação.

— Já está sendo agendada uma nova reunião entre a UFSJ e o Ministério da Agricultura para tentar a finalização do processo e avaliação da possibilidade de doação e aceitação dos termos por parte da universidade.  Até que a doação seja efetivada o Parque do Gafanhoto não está sob os cuidados da UFSJ, que não tem autorização para realizar nenhuma atividade no local — esclarece o diretor Eduardo Silva.

Origem do Parque

No século XVIII, nas proximidades, existiam o mocambo e a fazenda do Gafanhoto, vizinho à “cachoeira do Coelho”, segundo memorialistas locais.

Contou o próprio empresário Jovelino Rabello, que a Usina do Gafanhoto foi uma sugestão sua acatada pelo governador Benedito Valadares, durante um aniversário em Pará de Minas, quando houve interrupção da energia elétrica e a festa teve de continuar à luz de velas e lampiões.

Meses depois, naquele 1946, o governo iniciava a construção do dique e da casa das máquinas, de modo que, em 1952, a usina já funcionava a plena capacidade, integrada ao patrimônio da recém fundada Central Elétrica de Minas Gerais (Cemig).

Na margem esquerda do lago, formado pelo rio Pará, havia uma área federal de cerca de 19,2 hectares–um fragmento de floresta ombrófila densa submontana (densa vegetação arbustiva, composta por samambaias, arborescentes, bromélias e palmeiras), que o prefeito Jovelino Rabello (1947-1951)teve o idealismo de transformar em parque urbano, convidando o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal a construir uma sede regional no local. Milhares de mudas de árvores vindas de diversos lugares foram ali plantadas.

Parque Municipal

Em fins de 1959, com as plantas em crescimento, o prefeito Sebastião Gomes Guimarães (1951-1955) conseguiu incorporar o nascente parque ao patrimônio municipal.

Iniciando o seu mandato, o prefeito Fábio Botelho Notini (1963-1966), tornou oficial o Parque Municipal do Gafanhoto como nova área de lazer e como sede do Posto de Fomento Florestal (Pofom), que implantou um viveiro de mudas para arborização da cidade.

Na administração de Aristides Salgado dos Santos, o parque passou a abrigar um minizoológico, o que atraia milhares de visitantes anuais. A partir de 1990, o parque fechou os portões para o público e, sem fiscalização, ficou entregue a depredação e à derrubada ilegal de árvores raras. O local perdeu suas finalidades e passou a servir ao consumo de drogas e sexo.

Houve nova tentativa de recuperar o espaço, em anos seguintes, inclusive com uma pista de skate e bike, que marcou o crescimento do esporte em Divinópolis, mas não prosperou. Nessa época, o mini zoológico teve de ser fechado, pois os animais estavam morrendo sem assistência de saúde e alimentação.

Educação Ambiental

O parque ficou abandonado até 2005, quando a Fundação Educacional de Divinópolis/ Universidade do Estado de Minas (Funedi/ Uemg) construiu no local um campus avançado, por meio de convênio de cooperação técnica com o Ministério da Agricultura, que detinhao patrimônio. Lá foram realizadas várias construções para administração, oficinas, salas de aulas e laboratórios, anfiteatro, auditório, sanitários e museu didático de zoologia e história natural.

Em 2015, a Funedi publicou na revista “Parque do Gafanhoto – Educação e Pesquisa Ambiental” um relatório ilustrado das atividades, inventários e estudos realizados no local, e no ano seguinte, com a estadualização, o parque foi novamente abandonado.

 

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