Políticos de Divinópolis repercutem prisão de Nicolás Maduro

Lucas Maciel
A captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por forças militares dos Estados Unidos gerou imensa repercussão. A medida, anunciada no sábado, 3, pelo presidente americano Donald Trump, provocou uma onda imediata de opiniões políticas no Brasil e reacendeu o debate sobre soberania, democracia e intervenção internacional na América Latina.
A operação, descrita por Trump como um ataque de grande escala, incluiu bombardeios a alvos estratégicos em Caracas e outras regiões do país. Segundo o presidente americano, Maduro e sua esposa foram capturados e retirados da Venezuela por via aérea. Imagens divulgadas pelo governo dos Estados Unidos mostram o líder venezuelano algemado e vendado em um navio militar.
Em meio à escalada do conflito e às informações divulgadas por Washington, o episódio rapidamente extrapolou o campo da política externa e, nos primeiros dias de 2026, passou a dividir publicamente parlamentares, partidos e lideranças ideológicas no Brasil, especialmente nas redes sociais. Em Divinópolis, não foi diferente.
Apoiadores
Em todo o Brasil, as reações foram imediatas e evidenciaram uma forte polarização política. Entre os parlamentares que defenderam publicamente a operação está o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Em uma série de vídeos publicados nas redes sociais, ele classificou a prisão de Maduro como um marco para a libertação da Venezuela e cobrou um posicionamento favorável do governo brasileiro.
O senador afirmou que o presidente Lula deveria apoiar a ação americana e criticou a nota divulgada pelo Palácio do Planalto, que condenou os ataques. Para Cleitinho, o Brasil estaria se colocando “no lado errado da história” ao reprovar a operação.
— O que a gente quer agora é que o Lula possa soltar uma nota dando total apoio a essa ação do Trump. Esse canalha do Maduro tem que ser preso para que a Venezuela possa ser libertada — declarou.
Em outro momento, Cleitinho destacou que, na sua avaliação, a prisão não se deu por razões políticas, mas por crimes comuns atribuídos ao presidente venezuelano, como tráfico de drogas e desvio de recursos ligados ao petróleo.
— Ele não está sendo preso porque é ditador ou porque fraudou eleições. Ele está sendo preso por tráfico de drogas, por roubar petróleo. É isso que chama a atenção — afirmou.
O senador também fez reiteradas menções à crise humanitária na Venezuela e disse que críticas à operação ignoram a realidade vivida pela população do país.
Outros aliados
Além de Cleitinho, outros parlamentares alinhados à direita também se manifestaram a favor da operação conduzida pelos Estados Unidos.
O deputado federal Domingos Sávio (PL) afirmou que, para compreender o episódio, é necessário considerar o histórico recente do governo venezuelano. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele classificou Maduro como um ditador e associou sua prisão a denúncias de repressão a opositores, fraude eleitoral e envolvimento com o narcotráfico.
— Nós estamos assistindo à prisão de um ditador, de um narcotraficante, de um assassino. Jovens foram mortos nas ruas da Venezuela porque se manifestavam contra a fraude na eleição — disse.
Já o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) adotou um discurso mais direto ao comentar a repercussão do caso no Brasil. Segundo ele, setores da esquerda estariam tentando construir a narrativa de que Maduro seria vítima de imperialismo, ignorando a visão da população venezuelana.
— O Trump, através do Exército americano, prendeu Nicolás Maduro e a gente está vendo a esquerda no Brasil tentando vitimizar o ditador. Mas quem tem propriedade para falar sobre isso é o povo venezuelano — ressaltou.
Críticas e alerta institucional
No campo oposto, parlamentares aliados ao governo federal e partidos de esquerda condenaram duramente a ação dos Estados Unidos.
A deputada federal Lohanna França (PV) manifestou, por meio das redes sociais, solidariedade ao povo venezuelano e destacou que, apesar das críticas ao governo Maduro e das denúncias de fraude eleitoral, a guerra não pode ser considerada uma solução legítima.
— Por mais justas que sejam as críticas a Maduro, a guerra nunca é solução. Defender a paz na América Latina também é defendê-la no Brasil — escreveu.
Em outro posicionamento, a parlamentar criticou uma montagem divulgada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que simulava a prisão do presidente Lula por forças americanas. Para a deputada, o episódio vai além de uma provocação política e representa a defesa de uma ruptura institucional.
— Quando a gente começa a naturalizar esse tipo de intervenção em outros países e no nosso país também, o que a gente tá dizendo e legitimando é a lei do mais forte. — declarou.
Posicionamento venezuelano
Na Venezuela, o governo declarou estado de “Comoção Exterior”, denunciou a ação como uma agressão militar e convocou forças políticas e sociais para mobilização.
Explosões foram registradas na capital, com relatos de falta de energia elétrica, movimentação de aeronaves e danos próximos a instalações militares.
Justificativa americana
O governo americano afirma que a operação teve como base acusações criminais contra Nicolás Maduro. Segundo a Casa Branca, o presidente venezuelano lideraria o chamado Cartel de los Soles, organização acusada de atuar no tráfico internacional de drogas, além de praticar atos classificados como terrorismo.
Washington também sustenta que Maduro utilizou o Estado venezuelano para atividades criminosas, incluindo o desvio de petróleo e recursos estratégicos. Autoridades americanas afirmam que a permanência das tropas no país tem como objetivo garantir estabilidade até a formação de um novo governo.
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