População pede justiça por morte covarde de cachorra

Da Redação
O caso que comoveu a população de Divinópolis no último sábado, 25, em que um homem aparece agredindo até a morte e ateando fogo em um cadela, no bairro Vila Romana, segue em investigação pela Polícia Civil (PC).
Vídeo
Imagens registradas por câmeras de segurança mostram um homem caminhando pela rua enquanto arrasta uma cadela já sem vida. Em seguida, ele arremessa o animal contra um muro. Momentos depois, ao perceber a passagem de um carro, o homem tenta disfarçar e deixa o local.
Pouco tempo depois, ele retorna com um colchão, coloca o corpo da cadela sobre ele e ateia fogo, em uma cena de extrema crueldade.
Motivações
Áudios vazados nas redes sociais, supostamente de Marcelo, indicam que ele justificou o crime alegando que a cadela Mel corria atrás dele enquanto passava de moto e chegou a mordê-lo. Ele afirmou ter sofrido, há cerca de 15 dias, uma queda causada pela cachorra, que resultou em um braço quebrado.
Ainda nas mensagens, ele declarou estar arrependido e pediu desculpas à população, dizendo que agiu por revolta repentina, especialmente após os moradores priorizarem o estado do animal enquanto ele estava caído com o braço fraturado.
Ele também relatou que outros dois cães o perseguiam e que um deles chegou a morder a perna de sua filha, obrigando as crianças do bairro a carregar pedras e pedaços de madeira para se protegerem. Neste mesmo conteúdo, ele divulgou fotos de arranhões e mordidas para sustentar suas alegações.
Denúncias
Após a ampla repercussão dos vídeos nas redes sociais, o caso gerou comoção e indignação entre a população, que exige justiça. Vereadores e autoridades ligadas à causa animal também se posicionaram sobre o episódio.
O vereador Vitor Costa (PT) encaminhou um documento oficial à Polícia Civil solicitando a abertura de um inquérito com base na lei de Maus-Tratos aos Animais. No documento, foram incluídas informações preliminares sobre o suspeito, fornecidas por moradores.
O deputado federal Fred Costa (PRD) também manifestou apoio ao caso, comprometendo-se a reforçar o pedido de investigação junto às autoridades. Enquanto isso, o vereador Flávio Marra (PRD) procurou a Polícia Militar, onde foi informado que há um pedido de prisão contra o acusado.
Polícia Civil
A reportagem entrou em contato com a Polícia Civil, que informou a abertura de inquérito policial instaurado, e as diligências necessárias já estão em trâmite.
A cadela
De acordo com os moradores do bairro, trata-se de uma cadela comunitária chamada Mel, que vivia nas ruas há cerca de quatro meses e recebia cuidados da população local. Já havia sido castrada pela Crefisa e era conhecida por seu comportamento dócil e amigável.
O autor
De acordo com a Polícia Militar, o suspeito foi identificado como Marcelo Pereira de Araújo, de 41 anos. Ele saiu de casa na manhã de domingo, 26, pilotando uma moto vermelha e permanece foragido desde então.
O autor possui seis filhos e mora no bairro.
Passagens
Marcelo possui um histórico criminal variado. Em 2003, foi condenado por furto e cumpriu 2 anos de pena, com a sentença extinta por prescrição em 2008. Em 2005, foi condenado por lesão corporal, com pena de 1 ano e 2 meses, cumprida em regime aberto até 2013.
Ele também enfrentou acusações de crimes de trânsito, como dirigir embriagado, documentação atrasada, além de desobediência, sendo submetido à lei em 2009, com a pena de multa e a extinção do processo em seguida.
Em 2023, foi denunciado por ameaça e dano a um empresário, além de danificar o estabelecimento. Neste caso, a vítima contou que Marcelo o ameaçou de morte, caso ele não ajudasse seu filho, que fraturou o joelho enquanto trabalhava de entregador na loja.
No campo das drogas, foi envolvido em processos de tráfico, mas foi absolvido. Vários outros processos, em 2010 e 2017, relacionados ao tráfico e outras infrações, foram finalizados e arquivados. No ano passado foi preso em flagrante, novamente, por dirigir embriagado.
Prisão
Há um mandado de prisão contra Marcelo pelo crime do último sábado. No entanto, a Polícia Militar informou que, até a manhã de ontem, ele não havia sido registrado no sistema prisional.
O acusado poderá responder pelo crime de maus-tratos contra animais, sendo a morte e a incineração da cadela, fatores que agravam a pena. No entanto, o tempo de prisão será definido durante o julgamento.
Manifestação
Uma manifestação pacífica está marcada para hoje, 28, às 17h30, na Praça do Santuário, com o objetivo de pedir justiça. O ato é uma iniciativa dos moradores do bairro, que cuidavam da cachorra.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
