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Preço do café recua no mercado internacional, mas não chega ao consumidor

Preço do café recua no mercado internacional, mas não chega ao consumidor

Jorge Guimarães

Ao contrário do movimento de alta observado ao longo de 2024 e nos primeiros meses deste ano, o preço do café tem apresentado recuo nas bolsas internacionais. Em junho, a saca do arábica, que é o mais consumido e produzido no Brasil, passou a ser negociada abaixo de R$2.200 a saca, patamar que não era registrado desde dezembro do ano passado, quando era negociada a R$
2.315,77. E para configurar o atual momento, dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a inflação do café vem perdendo força desde março, com variações mensais cada vez mais moderadas.

Fatores

A queda no valor da commodity se deve a uma combinação de fatores, como boas perspectivas para a
safra brasileira, que tende a ser mais robusta em 2025, a redução do consumo, dentre outros. — Vale lembrar que o Brasil, maior produtor e exportador de café do mundo, tem influência direta sobre os preços praticados globalmente — avalia o economista Lazaro Ribeiro.

Consumidores

Apesar da recente queda no mercado internacional do café, os consumidores ainda devem esperar um pouco para sentir alívio no bolso. Especialistas do setor explicam que o repasse dos preços, desde a produção no campo até as gôndolas dos supermercados, é um processo lento e cheio de etapas. Essa demora reflete a complexidade da cadeia produtiva, que envolve armazenamento, logística, contratos firmados com antecedência e margens comerciais definidas ao longo do tempo. Segundo eles, o movimento de redução nos preços já começou a ser observado nos bastidores da indústria, mas os efeitos mais visíveis para o consumidor final devem ocorrer de forma gradual, ao longo dos próximos
meses. A expectativa é que, no decorrer do segundo semestre, as embalagens de café comecem a apresentar valores mais acessíveis nas prateleiras, especialmente se não houver contratempos climáticos que comprometam a safra. — Para o consumidor, a recomendação é de paciência e atenção às promoções, pois o cenário tende a ser mais favorável até o fim do ano, com possível estabilização ou
queda nos preços do café no varejo — explica Ribeiro.

Mercado

Os consumidores têm percebido nas últimas semanas, um movimento diferente nas gôndolas dos supermercados, as embalagens de 500g de café começaram a aparecer com diversas promoções, dependendo da marca e do tipo do produto. Após meses de preços elevados, essa redução tem sido vista com alívio, mas também com cautela. — Eu costumava comprar café toda semana, mas com o
preço subindo tanto, comecei a diminuir o consumo. Agora que vi algumas promoções, até comprei duas
embalagens de uma vez, mas fico de olho pra não estourar o orçamento — diz a dona de casa Helena
Almeida. O aposentado José Luiz Gomes também percebeu a diferença. — Antes, qualquer café custava menos de R$ 20. Agora, tem marca que chegou a quase R$ 40. Essas promoções ajudam, mas a gente ainda está sentindo no bolso — disse. Segundo o presidente da Associação Mineira da Indústria
de Panificação (Amipão), Vinicius Dantas, há uma projeção no setor para uma queda de cerca de 15% no
preço do produto. — Agora, estamos com estoque muito alto e isso provoca queda de preço — destaca.
Ele lembra que o encarecimento foi significativo nos últimos meses. — O café acumulou alta de 82% nos últimos 12 meses, o que afetou diretamente as vendas. Tivemos um declínio, em quantidade, nas vendas. A gente percebe que houve essa queda até mesmo nos próprios hábitos — avalia.

Preços

A reportagem visitou duas lojas de redes diferentes desupermercados e constatou uma variação considerável nos preços do pacote de 500 gramas, mesmo com marcas e tipos semelhantes. Em uma das lojas, os preços iam de R$ 27,90 a R$ 32,90, enquanto na outra, os valores estavam entre R$ 31,98 e R$35,90. A diferença chamou a atenção e reforça um alerta importante para os consumidores, a pesquisa de preços continua sendo a melhor estratégia para economizar. — Diante das constantes oscilações do mercado e do impacto direto no bolso das famílias, comparar valores entre estabelecimentos é essencial para garantir o melhor custo-benefício na hora das compras — alerta o economista.

Mudança de hábito

Assim, em tempos atuais, tradicional na mesa dos brasileiros, o café vem sendo consumido com mais moderação por muitos consumidores, em razão do aumento expressivo de preço nos últimos meses. A alta, que chegou a ultrapassar 80% em 12 meses, provocou uma mudança perceptível nos hábitos de consumo, tanto em casa quanto no comércio. — Lá em casa, o café era passado umas três vezes por dia.
Agora, fazemos só de manhã e reaproveitamos no fim da tarde. O preço subiu demais, e a gente precisa
economizar — conta a secretária Ana Paula Silva. A professora aposentada Márcia Guedes, também relata
mudanças na rotina. — Sempre comprei café de marca mais tradicional, mas precisei trocar por uma mais em conta. Até o sabor faz diferença, mas o bolso pesa menos — comenta. Já o motorista Joaquim Ferreira diz que passou a prestar mais atenção nas promoções. — Eu comprava sem olhar o preço, era automático. Agora, espero aparecer alguma oferta e, quando tem aproveito para fazer estoque —diz.

Adaptar

Com o café mais caro, até estabelecimentos comerciais foram obrigados a se adaptar à nova realidade. —Na padaria, algumas pessoas pararam de pedir o segundo cafezinho. É nítido que o consumo caiu e nós
tivemos que nos adaptar para evitar desperdícios — observa a balconista Roberta Rocha. A mudança nos hábitos é reflexo direto da pressão inflacionária sobre um dos produtos mais simbólicos do dia a dia brasileiro. E enquanto isso, a queda não vem, o consumidor segue equilibrando tradição e orçamento na
hora de tomar seu cafezinho. — Embora o cenário atual indique um alívio gradual nos preços, os consumidores têm que seguir atentos às promoções e serem cada vez mais seletivos na hora da compra. A expectativa é que, com a regularização dos estoques e a tendência de queda no mercado, o café
volte a caber no bolso, e no cotidiano, dos brasileiros — finaliza o economista.

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