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Economia

Preços do arroz e feijão  tem queda no varejo

Preços do arroz e feijão  tem queda no varejo

Jorge Guimarães 

Embora os alimentos ainda sigam pressionando o bolso dos brasileiros, uma boa notícia alivia, em parte, os gastos na cozinha. A  tradicional dupla arroz e feijão ficou mais barata no acumulado dos últimos 12 meses. É o que revelam os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação do país, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Safra e ofertas 

As quedas nos preços chegaram a dois dígitos, trazendo um certo alívio às famílias, especialmente em um cenário em que outros itens alimentícios continuam apresentando altas expressivas. O comportamento desses alimentos essenciais reflete, entre outros fatores, uma combinação de safras mais favoráveis e maior oferta no mercado interno.

Ainda assim, o economista Leandro Maia alerta que o alívio no preço dos dois alimentos não tem sido suficiente para compensar os aumentos registrados em outros produtos da cesta básica, que continuam impactando o orçamento dos consumidores. Mesmo assim, a redução no preço da base da alimentação dos brasileiros é vista como um ponto positivo no cenário econômico atual.

— O levantamento reforça a importância de acompanhar a evolução dos preços e de adotar estratégias de consumo mais conscientes, buscando equilibrar o orçamento doméstico diante das constantes oscilações econômicas — avalia Leandro. 

Quedas

Qual brasileiro não se rende a um prato com arroz, feijão, bife e batata frita? Ainda mais se o preço é convidativo. De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o arroz acumulou redução de 12,07% nos 12 meses até maio. O grão, que é essencial na mesa das famílias, vem registrando recuos consecutivos desde outubro do ano passado, totalizando oito meses seguidos de queda mensal.

E quando se observa o comportamento do feijão, o alívio no bolso do consumidor é ainda mais expressivo em alguns casos. Entre os quatro tipos monitorados pelo IPCA, o grão preto apresentou a maior baixa no acumulado dos 12 meses até maio, com uma queda de 23,01%. Já o carioca, o mais consumido no país, também recuou de forma significativa, acumulando redução de 13,17% no mesmo período.

Impactos 

O economista ressalta ainda que a queda no preço desses itens essenciais tem efeito direto na inflação dos alimentos e no orçamento das famílias, principalmente das classes mais populares. 

— Quando produtos de grande peso no consumo, como arroz e feijão, recuam, eles ajudam a segurar a inflação de alimentos, que vinha sendo uma das principais vilãs dos últimos meses — explica Maia. 

Segundo ele, esse movimento de queda é resultado de uma combinação de fatores, como safras mais produtivas, equilíbrio na oferta e na demanda e redução nos custos logísticos em algumas regiões. 

— Além disso, o mercado internacional também influencia. No caso do arroz, por exemplo, o Brasil aumentou a produção interna, o que reduziu a dependência de importações em alguns momentos — complementa.

Alívio temporário

Apesar do cenário favorável para arroz e feijão, o Leandro Maia lembra que esse alívio pode ser pontual. 

— É importante lembrar que outros produtos da cesta básica continuam subindo, como leite, carnes e hortifrutigranjeiros, o que mantém a pressão sobre o orçamento familiar — destaca.

Ele também aponta que fatores climáticos futuros e oscilações no mercado agrícola podem influenciar novamente os preços nos próximos meses. 

— Se houver quebra de safra ou aumento dos custos de produção, esses preços podem voltar a subir. Por isso, é fundamental acompanhar o comportamento do setor agrícola — alerta.

Para o consumidor

A redução nos preços dos dois produtos, tem agradado os consumidores. Ainda assim, o alívio no bolso não é total. As famílias continuam adotando estratégias para driblar os altos preços de outros alimentos da cesta básica.

— Quando vi que o preço do arroz tinha caído, até respirei aliviada. Mas, na mesma hora, percebi que o óleo, o leite e as carnes continuam muito caros. Então, mesmo economizando no arroz e feijão, ainda preciso pesquisar bastante antes de comprar — conta a dona de casa Maria Aparecida Silva.

O aposentado José Roberto Almeida, também comemora a redução, mas mantém o hábito de comparar. 

— Sempre dou uma olhada nos encartes, pesquiso nos aplicativos dos mercados e, quando dá, compro onde está mais barato. A gente tem que ficar esperto, porque enquanto alguns itens baixam, outros sobem — disse. 

Já a auxiliar administrativa, Fernanda Costa, revela que precisou mudar alguns hábitos. 

— Antes, eu comprava marcas que estava acostumada. Hoje, procuro sempre as mais baratas. No arroz e feijão, até dá pra voltar a escolher as que gosto, porque estão mais em conta. Mas nas carnes e no leite, estou optando até por reduzir o consumo — pontuou. 

Pesquisar

O comportamento dos consumidores reflete a realidade de muitas famílias brasileiras, que, mesmo com a queda no preço de itens essenciais como arroz e feijão, seguem enfrentando desafios para equilibrar o orçamento. Pesquisar, substituir e até diminuir o consumo são práticas que se tornaram parte da rotina.

— Não tem jeito. A gente faz de tudo para economizar. Fico de olho nas promoções, faço muita pesquisa e, quando dá, compro em maior quantidade para garantir um preço melhor — revela Rosângela Martins, que trabalha como autônoma.

Preços

A reportagem esteve ontem em uma loja de rede de supermercado e constatou que o preço do pacote de cinco quilos do arroz tipo 1 agulhinha, o mais consumido pelos brasileiros, varia entre R$ 16,89 e R$ 30,19. Já o feijão carioquinha é encontrado com valores entre R$ 4,89 e R$ 6,99, de acordo com a marca.

Para o economista, essa oscilação de preços reflete não só uma queda recente nos custos de produção, mas também uma variação natural entre marcas, qualidade e políticas comerciais de cada rede. 

— O arroz teve uma redução importante no preço, reflexo da normalização da oferta após os problemas climáticos do início do ano. Porém, o consumidor precisa estar atento, pois ainda há uma grande diferença de preços nas prateleiras, que pode chegar a quase 65% no caso do arroz — analisa.

Segundo ele, o mesmo ocorre com o feijão. 

Restaurante

Para o empresário Rolando Meneses, proprietário de um tradicional restaurante na cidade, a recente redução nos preços dos dois produtos foi bem-vinda, mas ainda insuficiente diante dos altos custos enfrentados nos últimos anos.

— Depois de muitas instabilidades e altas agora é que o mercado está voltando à normalidade, os preços estão se ajustando. Mas, sinceramente, eu acho que poderiam baixar mais ainda, para compensar as altas que enfrentamos — afirmou.

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