Presidente ou Mártir?

Rodrigo Dias
A julgar pelas últimas informações, há duas realidades possíveis para Lula em 2018: ou ele se elege presidente ou vira mártir. Para entender este raciocínio é necessário, primeiro, tirar a areia partidária da visão e ver, acima de tudo, o político.
Seguramente, nos últimos cinco anos (isso no mínimo), nenhum político brasileiro teve a vida pública e privada escancarada como a do ex-presidente. Não há, com segurança, uma semana em que não tenha na mídia matéria a seu respeito ou envolvendo sua família.
A ele e aos seus são empregados, os piores adjetivos, e mesmo assim Lula sobrevive. Mais do que sobreviver, ganha fôlego junto àqueles brasileiros que gostariam que ele fosse eleito presidente. É o que revela a pesquisa CNT/MDA que o coloca com mais de 30% das intenções de votos na estimulada. Vencendo, com folga, qualquer um dos seus opositores apresentados na pesquisa. Entre eles, Marina Silva e Aécio Neves.
Talvez um fato que ajude a explicar esta situação, venha exatamente da exposição que o ex-presidente sofre. Ela, em princípio, parece ter chegado no seu teto e os fatos negativos parecem perder o seu efeito. Esses já foram tantos, tão variados e vindos de vários lados, que parecem perder força.
Somado a isso, seus concorrentes são vulneráveis e não sofreram, ainda, nem 5% da exposição que Lula sofre. O que poderá vir agora com a aguardada quebra de sigilo da delação premiada dos executivos da Odebrecht.
Para não ser presidente - considerando os dados da pesquisa que aponta sua vitória - Lula teria que ser preso ou ter seus direitos políticos suspensos. Mas como submeter o ex-presidente a isso se há outros políticos em igual situação?
Se for preso e essa prisão não for bem fundamentada Lula vira mártir. Será um fantasma a perseguir aqueles que patrocinarem sua prisão sem provas materiais consistentes em que as digitais de Lula sejam visíveis nos crimes a ele imputados.
Gostem ou não. Com seus acertos e falhas, enquanto presidente e líder de partido, Lula é sim um fenômeno político. Por ser assim, chega às vésperas de mais um processo eleitoral com fôlego e sendo o mais lembrado para vencê-lo.
É um engano imaginar que são só os ignorantes que sustentam sua votação. Lula tem eleitor de várias camadas sociais, umas mais outras menos. O fato é que seus opositores conseguem ser piores na medida em que não conseguiram se viabilizar e considerando que muitos estão envolvidos com problemas com a justiça.
A eleição de 2018 tende a ser de abstenção recorde de voto e até esse fator pode favorecer uma eventual eleição de Lula.
Com tudo o que passa e passou, Lula chega com força e não é a “jararaca” como ele mesmo se definiu. O ex-presidente se parece mais com a Hidra de Lerna e toda vez que cortam uma de suas cabeças, nascem outras duas no seu lugar.
Ahh! Antes que eu me esqueça, não sou petista. Apenas um livre pensador.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
