Preto no Branco 04/07/2023
Escândalo é pouco
A forma como Divinópolis vem sendo conhecida em rede nacional, escândalo não faz nem cócegas. Toda vez que a cidade apareceu na mídia país afora nos últimos anos, quando se trata de notícia, é meramente para se passar vergonha. É operação da Polícia Federal na Saúde, idoso judiado até a morte, paciente que morre devido a procedimento feito por profissional incapacitado, e agora, juiz de Direito cometendo assédio moral e agressões. O pior é a constatação de que esse tormento vivido por todas essas vítimas vem por parte de quem deveria auxiliar, proteger... Triste também ver o município que já serviu de modelo no Estado e para o Brasil viver uma situação tão dramática. E o pior: muito preocupante, pois é um fato atrás do outro. Como dizem os antigos, parece que "enterraram uma cabeça-de-burro" em algum lugar por aí, porque é um clima ruim instalado, sem explicação. Então, o povo não está sabendo rezar (orar), como queira. Alguma coisa está acontecendo, pode apostar. Só Jesus na causa!
Não é a 1ª vez
Sobre estes atos absurdos cometidos por este juiz na Comarca de Divinópolis — há anos, conforme o testemunho de uma das vítimas —, infelizmente não foi o primeiro e nem será o último, nem aqui, nem em centenas de outros lugares. Fato é que em Divinópolis, não é novidade no meio da Justiça. O Agora denunciou em 2017, com informações de fontes e do sindicato que representa os servidores da Justiça Federal — diretoria esteve em Divinópolis, apurando os fatos —, assédio cometido por um juiz que à época atuava na sede do órgão, situado na Praça da Catedral. Muitos servidores, incluindo uma grávida, viviam momentos de desespero no trabalho. Alguns começaram a fazer uso de remédio tarja preta. O resultado? Foi removido para Tabatinga na Amazônia, onde atua até hoje. O salário? Do mesmo jeito, ou talvez, melhor. Provavelmente, situações semelhantes são comuns nas diversas esferas da Justiça, no entanto poucos têm coragem de denunciar por medo ou por não acreditar na "Justiça que não faz justiça no Brasil". Especialmente, quando envolve seus membros.
‘Destruir o estado’
Foi o que disse o governador Romeu Zema (Novo) nesta sexta-feira,30, em evento na sua cidade natal, Araxá, sobre a oposição ao seu governo na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em sua visão, o grupo está querendo "destruir o estado" ao travar a apreciação de projetos importantes no Legislativo. O chefe do Executivo se referia ao aumento nos salários dos professores que é motivo de impasse. A falta de acordo sobre a adesão do Estado ao Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal (PAF) paralisou as votações na Casa, impedindo a apreciação dos deputados em torno do reajuste. O governador disse que o presidente da ALMG, Tadeu Martins Leite (MDB), não conseguiu colocar o PAF para votação devido às manobras regimentais dos deputados de oposição. Naturalíssimo situação e oposição no Legislativo. O que não dá é agir de acordo com interesses próprios, levar para o lado pessoal ou agir com burrice. Isso não é representar as pessoas que os elegeram, ao contrário, as prejudica e muito quando não exercem seus papéis de fato. O povo que já paga caro o salário de cada um, acaba “levando ferro” literalmente por causa de decisões equivocadas e alheias às verdadeiras obrigações dos legisladores.
Sem reajuste
“Os servidores da rede estadual de educação são exceção, uma vez que o poder Executivo deseja conceder aumento de 12,84% a eles”. Afirmação é do próprio Zema, que descarta conceder, por enquanto, reajustes ao funcionalismo público de Minas Gerais. Conforme o governador, qualquer outro aumento, neste momento, fica sob condição de aguardar. Alega que não concederá um reajuste ilegal que possa ser motivo de cassação do seu mandato. Diz seguir fielmente a lei, em especial a de Responsabilidade Fiscal, que proíbe qualquer tipo de aumento salarial, caso comprometa a folha acima de 49%. É evidente que não se deve desobedecer às leis, sob o risco de sofrer sérias consequências. Nisso o governador está certíssimo. Mas, há de se ter outros meios, visto que os servidores não têm nada a ver com isso. Um deles é procurar um diálogo sadio e harmonioso com a Assembleia Legislativa. Afinal, um Poder depende do outro. Está parecendo Divinópolis, onde Câmara e Prefeitura faltam “engolir uma a outra”.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
