Preto no Branco 20/07/2023

Sem pizza
Quem acredita que tudo termina em pizza na Câmara de Divinópolis pode ter se surpreendido nesta semana. A Corregedoria de Ética decidiu, na terça-feira, suspender os pronunciamentos do vereador Diego Espino (PSC) durante as reuniões pelos próximos seis meses - já em vigor. Ele poderá se expressar apenas durante as discussões de projetos. A punição é resultado da fala do vereador, em 30 de maio deste ano, no Plenário, em transmissão ao vivo pelos canais oficiais do Legislativo e na TV Candidés. Na oportunidade, Eduardo Print Jr (PSDB) havia sido afastado da presidência e ouviu seu colega de Casa lhe dizer: “Não queria que você tivesse ido no enterro da minha mãe, mas eu queria ter ido no da sua”. Espino, apesar de apontar perseguição pelas denúncias e pedidos de cassação, reconheceu seu erro e pediu que a Corregedoria atue com o mesmo rigor em eventuais apurações contra demais parlamentares. Os membros se comprometeram com o princípio. É lamentável que uma decisão dessa precise ser tomada, mas que os membros sigam atuando com a firmeza adequada a cada caso, não permitindo o Plenário se tornar um ambiente voltado a ofensas e ataques pessoais.
Respeito
Pelos discursos, a decisão da Corregedoria se pautou, para além dos óbvios princípios legais, no histórico do vereador e no fato de a ofensa ter ocorrido nas dependências do Legislativo, durante a reunião transmitida ao vivo. O assunto reforçou a cobrança dos membros por mais respeito entre parlamentares. Como bem pontuou Ana Paula do Quintino (PSC), na agitação e nervos da política, é possível perder o controle da língua e falar o que não deve. Ressaltou, ainda, a importância da ponderação. Infelizmente, e esta não é uma realidade exclusiva de Divinópolis, a política tem se tornado um ambiente de antagonismos. Quem vota a favor é refém do prefeito. Quem vota contra quer frear o desenvolvimento da cidade. Nas discussões polêmicas parecem haver apenas duas repostas e quando o painel de votação exibe os nomes em verde ou vermelho com o resultado está dada a sentença e o veredito de quem são os amigos e quem são os inimigos. Todo posicionamento é levado para o lado pessoal. Nesse conto de fadas, em que ignoram-se os argumentos por trás de cada escolha, existe apenas o bem e o mal, e nada entre eles. Nesse caminho, não há destino, apenas movimento pendular sem fim. Exigir respeito não é uma palavra mágica apenas para os nobres políticos, mas uma relevante característica que cabe em qualquer lugar, dentro ou fora do Plenário, sendo ou não político.
O que vem pela frente?
A tempestade costuma ser precedida pela calmaria, aponta a célebre frase. Bem, quem espalhou a frase não chegou a conhecer a política divinopolitana. A votação das emendas da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), nesta terça-feira, mostrou um equilíbrio de forças e uma Câmara dividida. A seis meses para o próximo ano eleitoral, é difícil imaginar o cenário se tornando mais ameno e não o contrário. Os indícios, até o momento, apontam para um clima cada vez pior internamente e com o Executivo, com constantes atritos e falta de diálogo. ‘Vence" quem gritar mais alto, postar um vídeo primeiro, tiver mais curtidas. Os vereadores não são obrigados a concordar e placares apertados não podem ser considerados uma aberração política. Mas a repetição dos cenários é clara: 2024 promete agravar todas as feridas de um Legislativo que já acumula cicatrizes de denúncias, acusações, críticas... O que 2024 reserva? Bem, até agora, tudo aponta para mais reuniões acaloradas e discursos inflamados. Claro, sempre em busca em busca de um inimigo, um culpado, pois sem eles não haveria necessidade dos herois. E numa política apelidada por Edsom Sousa (Cidadania) de Hollywood, dada a quantidade de vídeos produzidos, nada mais adequado do que protagonistas salvadores da pátria.
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