Projeto da UFSJ beneficia alunos do ensino médio

Rafael Camargos
Com o objetivo orientar os estudantes do ensino médio, tanto de escolas públicas, quanto de escolas particulares de Divinópolis, sobre as potencialidades do cérebro no mecanismo de aprendizado e memória e sobre a anatomia do sistema nervoso a professora de Anatomia Humana da Universidade Federal de São João de Rei (UFSJ), Maira de Castro Lima, coordena desde o ano passado, o projeto de extensão “Pílulas de neurociência para um cérebro melhor: Ensino de Neuroanatomia e aprendizado/memória para alunos do ensino médio de escolas de Divinópolis”. Os alunos do ensino médio enfrentam um intenso período preparatório para a escolha de uma profissão e para os processos seletivos de entrada em uma Instituição de Ensino Superior e a ação visa ajudar estes estudantes.
De acordo com a coordenadora do projeto, os conhecimentos atuais das neurociências podem ajudar o indivíduo a potencializar as funções cognitivas superiores e obter melhores resultados a partir de uma rotina de estudos correta e adequada para o cérebro.
— Alunos do ensino médio precisam reter um grande número de informações em um tempo relativamente curto e os resultados dos estudos podem ser potencializados pelos atuais conhecimentos da neurociência. Entender o mecanismo de aprendizado e memória, o funcionamento e as estruturas do cérebro é fundamental para estudar de maneira correta e obter os resultados desejados — afirmou a professora.
Etapas
O projeto conta com a colaboração da professora de neurofisiologia Cristiane Queixa Tilelli e de seis alunos dos cursos de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Bioquímica do Campus Dona Lindu que prepararam um material baseado nos mais atuais artigos científicos de renomadas revistas sobre o tema. Em uma primeira etapa, os discentes da UFSJ ministram uma palestra sobre o aprendizado/memória e neuroanatomia para os alunos do ensino médio. Com uma linguagem popular conseguem transferir informações científicas importantes sobre como melhorar o rendimento dos estudos. Em seguida, esses alunos são levados a conhecer o Laboratório de Anatomia Humana do Campus Centro-Oeste para uma aula de anatomia de aproximadamente 50 minutos.
Estudos
De acordo com o discente Felipe Alexandre Moraes, para construir o material utilizado nas palestras foram escolhidos eixos temáticos como alimentação, sono, atividade física, ansiedade e cada um dos alunos envolvidos no projeto pesquisou o que a ciência traz de comprovação da influência desses aspectos no aprendizado e memória.
Segundo ele, muitos estudantes perdem noites de sono sob os livros escolares e entendem que dormir é perder tempo diante do grande número de disciplinas. No entanto, o sono está envolvido com mecanismos fisiológicos de aprendizado e memória. A reportagem, ele disse que durante o sono, aquilo que foi estudado ao longo do dia, passa de uma área de armazenamento transitório da memória para um local permanente. Dormir é necessário para o processamento de aquisição de novas informações. Outros alunos abandonam a prática esportiva para ter mais tempo para se dedicarem aos estudos. Essa atitude não é correta. O exercício físico promove alterações estruturais e funcionais no cérebro capazes de potencializar e facilitar a memória em humanos. Essas e inúmeras outras informações científicas sobre o sistema nervoso podem ser traduzidas na forma de dicas práticas e úteis para um cérebro melhor.
Felipe Moraes ressalta que outro aspecto importante do projeto é a aproximação dos alunos do ensino médio com a UFSJ e com o ensino superior.
— Muitos alunos vêm o ensino médio como o fim dos estudos e aproveitamos esse projeto para motivá-los a continuar estudando. Percebemos que conhecer a estrutura da UFSJ e assistir aulas ministradas por alunos mais velhos é um grande incentivo para esses estudantes buscarem o ensino superior — ressalta o estudante.
Beneficiados
Em 2016, o projeto atendeu as Escolas Estaduais Joaquim Nabuco e Dona Antônia Valadares e mais de 440 alunos do ensino médio foram beneficiados. Neste ano, de acordo com a coordenadora a intenção é ampliar o alcance.
— Nas escolas onde apresentamos o projeto recebemos a demanda dos professores para que as aulas fossem estendidas a eles. Entendemos que essa ampliação seria interessante, até mesmo porque se tornariam multiplicadores desses conhecimentos. Pretendemos também estender aos alunos do 9o ano, pois muitos estão se preparando para o Processo Seletivo do Cefet — finalizou.
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