Carregando clima…
Cidades

Protesto no Centro Administrativo indica possível greve dos servidores municipais

Por Portal Agora
Protesto no Centro Administrativo indica possível greve dos servidores municipais

Bruno Bueno

Protesto nesta terça-feira pode dar início a uma possível greve dos servidores municipais de Divinópolis. Membros do Sindicato dos Trabalhadores Municipais (Sintram) e Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal (Sintemmd), além de outros servidores, se reúnem a partir das 7h na porta do Centro Administrativo para reivindicar reajuste salarial de 15,5%. O ato acontece após o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) encerrar as negociações e decidir por um pagamento de 9,63%, que deve ser concedido em duas parcelas. 

A manifestação foi definida durante assembleia geral realizada pelo Sintram no último dia 31. A ação, que será realizada com faixas, cartazes e veículo de som, deve ser a primeira de muitas para pressionar a Prefeitura. 

 

Atendimento público

A presidente do Sintram, Luciana Santos, explica que o protesto não vai prejudicar o atendimento público, especialmente nas áreas mais importantes.

— Na Saúde, faremos o contraturno, com quem trabalha de manhã participando do momento no período da tarde e quem trabalha à tarde participa no período da manhã. Entendemos o momento difícil que a cidade atravessa e a manifestação não é contra a população, e sim contra a intransigência e o autoritarismo do prefeito (...) — disse.

A assessoria de comunicação do Sintram deu mais detalhes sobre a manifestação.

— Essa primeira manifestação terá a duração de um dia e, posteriormente, caso o prefeito mantenha as portas fechadas para as negociações, novos protestos deverão ser marcados — pontuou. 

 

Greve?

Os sindicalistas não descartam uma greve por tempo indeterminado. No entanto, segundo Luciana Santos, não há previsão de paralisação total neste momento.

— O que estamos pedindo não é aumento, é bom que isso fique bem claro. Queremos apenas a reposição da inflação e mesmo assim ainda continuaremos com os salários achatados. (...) Por enquanto não há previsão para uma greve por tempo indeterminado, mas, como sempre, os servidores é quem decidem e o sindicato está aí para cumprir a decisão deles — afirma.

 

2016

O protesto, que deve ser o primeiro de muitos da categoria, lembra as manifestações realizadas em 2016, quando uma das maiores greves do serviço público municipal de Divinópolis foi realizada. A paralisação total foi declarada no dia 28 de março. 

Na época, os sindicalistas pediram um reajuste salarial de 11,27% que, segundo eles, foi prometido pelo então prefeito Vladimir Azevedo (PSDB) um ano antes. Depois de 38 dias de greve, a classe aceitou uma proposta de 7%. 

A presidente do Sintram explica que em 2016 os servidores aceitaram a proposta abaixo do solicitado devido às condições financeiras do Município e do país na época. Contudo, desta vez, ela acredita que a Prefeitura tem condições de pagar o valor pedido pelos servidores.

— Hoje nós sabemos que a Prefeitura está equilibrada financeiramente, enquanto em 2016 aceitamos uma proposta inferior porque havia uma crise econômica. Mesmo com a pandemia, a gente sabe que o Executivo tem orçamento para pagar o que é de direito da categoria, já que não há mais margens para que o servidor continue perdendo em seu salário — explicou.

 

Desgaste

A decisão de não conceder o reajuste salarial causou um enorme desgaste entre a gestão e alguns sindicatos no ano passado. O clima tenso começou quando o prefeito Gleidson Azevedo (PSC) negou o gatilho de 5,2% se amparando na Lei Federal 173. 

Protestos, carreatas e petições foram realizadas para cobrar o reajuste. No entanto, a Prefeitura se mostrou irredutível sobre o assunto. Em julho, o sindicato disse que pediria a cassação do prefeito na Câmara, mas a pauta não foi levada adiante.

Depois de muitas negociações fracassadas, o prazo da Lei 173 foi encerrado e o prefeito anunciou o reajuste de quase 10%, o que não agradou os servidores da classe sindical.

 

Prefeitura

Em resposta ao Agora, a Prefeitura de Divinópolis se posicionou sobre uma possível greve dos servidores municipais.

— A Prefeitura acredita que os servidores sabem da importância deles na rotina do dia a dia para a garantia dos serviços públicos, a fim de garantir que a sociedade obtenha sempre o melhor serviço possível e os servidores com seus direitos garantidos — disse.

Conforme o Executivo, o reajuste de 9,63% será pago em dois momentos devido à prorrogação de algumas receitas do Município, como IPTU  e IPVA, que serão depositados nos cofres do Executivo mais tarde do que planejado. 

— Sobre a recomposição salarial, a proposta apresentada pela Prefeitura foi o reajuste de 5% na folha salarial de fevereiro e outro reajuste de 4,63% na folha salarial de junho. Com esse percentual, o valor total da folha de pagamento passará a ter um incremento mensal de 2.500.000,00, uma diferença anual de mais de 30 milhões com relação ao ano de 2021. O impacto em percentual orçamentário e financeiro será de aproximadamente 2,55% e 13,51%, respectivamente — informou em nota.

O Executivo também apresentou uma proposta de reajuste de 11% no vale alimentação, o que também foi negado pelo Sintram. O triênio, também chamado de progressão horizontal, será concedido semestralmente. O Sintram também havia pedido um novo concurso público, o que não foi atendido pela atual Administração. Conforme a Prefeitura, haverá prorrogação da vigência do concurso atual.

— Em razão disso, será dada continuidade às nomeações durante o corrente ano (de acordo com a demanda e análise financeira) e previsão de novo concurso para o ano de 2023. Lembrando que no ano de 2021 foram nomeados 114 servidores — completou.

 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…