Psicóloga explica características de autores de crimes passionais
Da Redação
Os crimes passionais têm chamado a atenção em todo o país pela quantidade e frequência com que têm sido registrados. Só na região Centro-Oeste, nos últimos meses, foram três casos de grande repercussão. Embora seja difícil traçar estratégias de prevenção quanto a esses crimes, a Polícia Militar (PM) orienta que denunciar agressões de forma precoce é a melhor maneira de se proteger.
O Agora conversou com a psicóloga Aline Dias para entender o que pode provocar um crime passional. Ela traçou a personalidade de quem geralmente está envolvido em ações violentas motivadas por relações de afeto. Relembre casos de repercussão em Divinópolis e região.
Crime passional
Segundo a psicóloga, o crime passional, em linhas gerais, está atrelado a um ato violento devido a um forte impulso de raiva, desgosto ou mesmo frustração. Eles estão normalmente associados à violência doméstica e, no ápice da gravidade, a homicídios e feminicídios cometidos de forma não premeditada.
— De forma resumida e simples, descrevemos que o crime passional é aquele cometido por paixão. É aquele cuja motivação está intimamente ligada ao emocional do agressor ou agressora. Temos esse tipo de ocorrência quando uma pessoa vê a outra como sua propriedade e, ao se deparar com traços da realidade onde ele percebe que não é bem assim, há uma perda de controle total da razão, em função da forte emoção, que pode, sim, ocasionar um crime, que então tipificamos como passional, aquele movido à paixão — explicou.
Motivação
Para Aline, entender os motivos que levam uma pessoa a agir sob violenta emoção e provocar um homicídio é uma tarefa que requer muita responsabilidade. No entanto, de acordo com ela, há algumas hipóteses em que a paixão acaba se transformando em crime. A primeira está relacionada, logicamente, à visão de posse que o agressor tem da vítima.
— A primeira hipótese é que o homicídio passional está correlacionado com os elementos subjetivos desencadeadores como o ciúme, paixão, amor, emoção, ódio e honra. Esses agressores geralmente têm características como o machismo, e o individualismo, que culminam em outras características como a extrema obsessividade, sentimento de posse, egoísmo, egocentrismo e ciúme exagerado — destacou.
Relembre casos registrados no Centro-Oeste
Em Carmo do Cajuru foram registrados dois casos de alta repercussão e mostrados pelo Agora. O mais recente foi o assassinato de uma mulher de 51 anos, morta a golpes de enxadão pelo marido no dia 28 de novembro. O marido, de 54 anos, tirou a própria vida depois de cometer o crime na frente do filho.
Em junho deste ano, também em Carmo do Cajuru, no distrito de São José dos Salgados, uma mulher de 35 anos foi assassinada dentro de casa pelo companheiro, de 43 anos. Conforme a PM, o corpo de Daniela Oliveira, alvo de disparos de arma de fogo, foi encontrado em cima da cama pelo enteado dela. O suspeito do crime, antes de sair de casa, ainda trancou a porta. Ele também tirou a própria vida em seguida.
Duplo feminicídio
Em maio deste ano, mãe e filha, de 36 e 12 anos, foram vítimas de um duplo feminicídio em Divinópolis. As duas vítimas foram mortas dentro de casa, no bairro Padre Eustáquio. Outro adolescente, de 15 anos, filho da vítima, ficou ferido e foi encaminhado para o hospital.
Segundo a PM, o ex-namorado da mulher, de 44 anos, invadiu a casa onde estavam ela, os filhos de 12 e 15 anos, além de duas crianças de 3 e 5 anos. Ele golpeou a mulher e os adolescentes com uma faca, em seguida, ateou fogo na casa e fugiu. As crianças não ficaram feridas. Um cão morreu carbonizado. O homem tinha passagens anteriores por homicídio.
Um dia depois do duplo feminicídio, o suspeito foi encontrado morto. O corpo estava no sobrado onde funciona o setor de almoxarifado da Secretaria de Assistência Social (Semas), no bairro Santa Rosa.
Perfil
Para a psicóloga, o fato de tirar a própria vida, após matar outra pessoa, deixa claro a falta de controle, causada por uma explosão momentânea de sentimentos como a própria raiva e frustração.
— Quando o agressor se vê diante daquilo que ele fez e cai na real, aquilo passa a ser insuportável para ele e, por não encontrar em si maneiras de lidar com tamanha dor, ele não vê saída e decide sair de cena e se mata para não ter que encarar as responsabilidades do que fez — finalizou.
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