Reduzir despesas para poder diminuir impostos
CARLOS RODOLFO SCHNEIDER
Reduzir despesas para poder diminuir impostos
E a história se repete. De tempos em tempos o governo federal é chamado a socorrer Estados e municípios que não conseguem pagar as suas contas. Aconteceu novamente em 2020, dessa vez por um problema de força maior que é a pandemia. O problema é que a maioria dos entes federados não aproveita esses repetidos alívios do serviço da dívida para melhorar a sua situação fiscal. Normalmente o benefício transforma-se em mais despesas de custeio e de pessoal. Foi o que aconteceu, por exemplo, com as repactuações pós crise 2008. No período de 2010 a 2016 as despesas com pessoal e custeio cresceram dez pontos percentuais da Receita Corrente Líquida (RCL) dos Estados.
Essa realidade, em que a sociedade trabalha para manter a máquina pública, também acontece na própria União. Em meados de 2019 a folha de pagamentos federal representava em torno de 28% da arrecadação, contra 19% em 2008. Mesmo que o número de servidores tenha diminuído nos últimos dois anos, o valor com benefícios concedidos aos servidores cresceu muito. O gasto com pessoal no serviço público no Brasil equivale a 13,5% do PIB, contra uma média de 9,4% nos países da OCDE.
No ano 2000, o Brasil havia dado um passo importante para disciplinar os gastos públicos, principalmente de Estados e municípios, com a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Com o tempo, todavia, diferentes interpretações para os limites estabelecidos, inclusive por parte de Tribunais de Contas estaduais, ajudaram a reconduzir muitos Estados e municípios a crises financeiras.
Faltou implantar um detalhe importante da LRF. O artigo 67 prevê a criação do Conselho de Gestão Fiscal (CGF), o que não aconteceu nesses 21 anos, apesar de um esforço importante do Movimento Brasil Eficiente (MBE), que conseguiu aprovar a sua regulamentação no Senado Federal por unanimidade em 15/12/2015, por meio de projeto de lei – PLS 141/2014 do ex-senador Paulo Bauer. Infelizmente a Câmara de Deputados distorceu o projeto de tal maneira que o MBE entendeu não valer a pena insistir na sua aprovação. O CGF, que seria composto por representantes do Poder Público e da sociedade civil, teria a incumbência de acompanhar e avaliar as práticas da gestão fiscal. Seria o xerife das contas públicas, para aumentar a eficiência do gasto, condição primeira para reduzir a carga tributária, uma vez que gastos menores requerem menos impostos
No extremo poderíamos propor o seguinte: dividir ao meio a competente estrutura da Secretaria da Receita Federal, redirecionando uma metade para uma Secretaria da Despesa Federal, que, com a mesma eficiência que a outra metade busca aumentar arrecadação, buscaria reduzir os gastos, de modo a termos um equilíbrio em um nível muito mais baixo de receitas e despesas. Seria uma injeção enorme de produtividade na economia, com mais investimentos, empregos de qualidade, renda e bem-estar. O mesmo vale para Estados e municípios. Transformaríamos a nossa indústria de crises em uma referência de desenvolvimento econômico e social.
Carlos Rodolfo Schneider – empresário e membro do Comitê de Líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
engajecomunicacao.com
Leia também
Mais recentes
Do nosso arquivo
Copa Divinópolis define os duelos das oitavas de final
Cabulosas viram em menos de 15 minutos e vencem a ida
Com Kaio Jorge e Fabrício Bruno convocados, confira a lista completa de Ancelotti para os últimos jogos das Eliminatórias
Ancelotti convoca seleção nesta tarde para os últimos jogos das Eliminatórias
Veja tudo o que publicamos em maio de 2022
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…








