Sede da Apac é inaugurada e está pronta para funcionar

Anna Flávia Alves
Divinópolis finalmente tem uma Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac). A sede, em construção desde 2017, foi inaugurada ontem. Estiveram presentes na cerimônia representantes dos órgãos de segurança pública e da Justiça da região e do Estado, como o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), desembargador José Arthur Filho de Carvalho.
— Duas inaugurações muito importantes quando falamos em reinserção e inclusão social. A instalação da Unidade do Pai PJ, que reinsere as pessoas com problemas psiquiátricos à sociedade, e a inauguração da Apac, que faz o mesmo com os condenados na sociedade. É um momento de muita alegria para o Tribunal de Justiça que está cumprindo a sua função social — destaca o presidente.
Durante a solenidade, houve uma apresentação musical de um grupo formado por detentos em recuperação (os apaqueanos, como são chamados os recuperandos internos da Apac) de Lagoa da Prata e que cantam o estilo gospel. Um deles, que faz a primeira voz, discursou aos presentes sobre seu processo de recuperação como foi importante para sua vida Além disso, houve o descerramento da placa que marca o início do trabalho na unidade, que pode receber até 240 detentos.
Obra aguardada
O Jornal Agora registrou todos os passos da obra da Apac em Divinópolis e acompanhou desde as primeiras discussões, como a aquisição do terreno em 2004. De lá até 2016, várias ações, aquisições e parcerias fizeram parte do processo. Enfim, em 2017 começaram as obras que culminaram com a inauguração nesta semana.
A unidade está com a estrutura pronta e possui refeitório, banheiros e salas de aula, voltados para a profissionalização dos detentos. Ao todo, são oito mil metros quadrados que correspondem a um investimento de R$ 3,6 milhões, adquiridos com recursos destinados pelo TJMG, como as penas pecuniárias.
Funcionamento
A princípio, 126 detentos serão acolhidos no espaço que tem capacidade total para 240 pessoas. Os condenados cumprem regimes aberto e semiaberto e irão migrar do presídio Floramar para a nova unidade, que fica em frente.
Entre as atividades previstas no local estão: salas de aula, biblioteca, atendimento espiritual, consultórios médicos, laborterapia e quadra de futebol, além de oficinas.
— Diferente do sistema comum, na Apac se aplica uma metodologia que o condenado possa retornar para a sua família, para a sua comunidade como um cidadão que vai ser um exemplo positivo — conta o presidente da Apac, Francisco Martins.
Apacs
Divinópolis recebe a Apac neste ano, mas a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados existe no Brasil há 51 anos e já está instalada em outras cidades da região, como em Itaúna.
A associação oferece um formato diferenciado para a reclusão de pessoas, com o objetivo principal focado em recuperar e reintegrar socialmente os condenados. A instituição possui prestígio e é modelo para outras entidades pelos índices altos de recuperação de detentos, que podem chegar até 85%:
— É uma média muito alta exatamente porque a gente consegue fazer o preso enxergar que ele tem outros caminhos, alternativas e aí a gente tem um índice de não reincidência muito grande na Apac — explica o diretor do Foro da Comarca de Divinópolis, Marlúcio Teixeira.
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