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Servidores prometem vigília na ALMG para pressionar deputados

Por Portal Agora

 

Bruno Bueno

Servidores da Segurança Pública do Estado prometem realizar uma vigília na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nos próximos dias. A categoria pede que os deputados apresentem emendas para alterar o projeto do governador Romeu Zema (Novo) que concede reajuste para o funcionalismo público estadual.

O texto de Zema, que proporciona 10,06% de reajuste para todos os servidores, foi aprovado ontem em 1º turno pelos deputados de forma unânime. As emendas, que podem solicitar o aumento do percentual, devem ser apresentadas (se houver) durante a votação em 2º turno. Os profissionais da segurança, por exemplo, cobram 24% de recomposição salarial.

 

Segurança Pública

O Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol/MG), principal instituição relacionada às manifestações da Segurança Pública, emitiu um pronunciamento sobre a aprovação do projeto de lei. A vigília dos profissionais na ALMG foi confirmada pelo presidente da instituição, José Maria de Paula. 

— Durante a última manifestação foi deliberado e aprovado pelos presentes que, durante a votação, em 2° turno, as Forças de Segurança Pública vão fazer vigília na ALMG, pois é neste momento que as emendas serão votadas. Assim que o projeto estiver para ser votado, em 2º turno, vamos convocar todas as Forças de Segurança Pública, a participação de todos é importante — afirmou.

 

A entidade ressaltou que avisará os servidores quando a pauta retornar ao plenário da Assembleia.

— É importante esse movimento, durante a votação em 2º turno, pois é quando as emendas parlamentares serão votadas. O projeto está tramitando na ALMG. As entidades da Segurança Pública vão avisar quando a pauta de votação do 2º turno chegar à Assembleia — ressaltou o Sindpol em nota.

 

Votação

Aprovado por unanimidade, o projeto de lei  concede revisão geral de 10,06% nos subsídios e vencimentos para todos os servidores públicos civis e militares do Poder Executivo, além dos servidores de outros poderes. 

— As votações ocorreram depois que o governador retirou o regime de urgência para a tramitação, na Assembleia, do projeto que autoriza o Estado a aderir ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) proposto pela União (PL 1.202/19), situação que impedia que outras matérias fossem votadas — explicou a ALMG em nota.

Ainda de acordo com a ALMG, os deputados aprovaram que o reajuste seja concedido em formato retroativo a 1º de janeiro de 2022 para as classes contempladas. 

— O texto original previa aplicação retroativa ao primeiro dia de 2022 apenas para os servidores das áreas de Educação Básica, Educação Superior, Saúde, Seguridade Social e Segurança Pública, e, a partir de 1º de maio, para as demais carreiras, cargos de provimento em comissão, funções gratificadas e gratificações de função — enfatizou.

O projeto também modifica critérios de concessão do abono fardamento aos militares ativos, com a ampliação do número de parcelas anuais de uma para quatro. A proposição retorna agora à FFO para receber parecer de 2º turno antes da votação final pelo Plenário.

 

Críticas

Os deputados Sargento Rodrigues (PTB), Coronel Sandro (PSL) e Delegado Heli Grilo (PSL) fizeram críticas ao projeto apresentado pelo governador. Os políticos questionam que Zema não cumpriu o acordo firmado com a Segurança Pública em 2019, no qual o governador prometeu um reajuste de 37% dividido em três parcelas. Ele, no entanto, pagou apenas um dos três vencimentos. 

— Sargento Rodrigues disse que só não faria obstrução à votação para não atrasar a tramitação da matéria no 1º turno e reivindicou à Mesa da ALMG a reabertura das galerias do Plenário ao público, permitindo assim que os servidores acompanhem a discussão do projeto no 2º turno — destacou a ALMG em nota.

Os outros dois políticos citados também criticaram a decisão.

— O deputado Heli Grilo chamou de “quebra de compromisso do governo" o não pagamento do que foi definido anteriormente para os servidores da segurança pública. Coronel Sandro acrescentou que mesmo o conjunto dos servidores do Executivo tem sido tratado de forma injusta na questão salarial,  uma vez que as Constituições Federal e Estadual garantiriam a revisão para todos os servidores de todos os Poderes — completou.

 

Educação

Durante a discussão, a deputada Beatriz Cerqueira (PT) fez um histórico das discussões sobre os vencimentos dos professores, que estão em greve desde 9 de março. Ela defendeu o pagamento do Piso Salarial Nacional para a categoria, atualmente em torno de R$ 3,8 mil, que corresponde a um reajuste de 33% no atual salário. Assim como a Segurança Pública, Zema também ofereceu apenas 10,06%.

— A deputada acrescentou que o governador, além de nunca ter negociado com a categoria, foi pedir na Justiça a declaração de ilegalidade da greve anterior e de inconstitucionalidade da emenda do piso da categoria, bem como do reajuste dado em 2016, de pouco mais de 11%. Segundo ela, isso anularia o reajuste de 10,06% agora oferecido — afirma a ALMG em nota.

 

Os deputados Betão (PT) e Duarte Bechir (PSD) também defenderam a recomposição para os servidores com o cumprimento do Piso. Zema, no entanto, se mostra irredutível ao reajuste da categoria e afirma que prefere “perder a eleição” do que conceder a recomposição que, na sua opinião, poderia iniciar uma crise financeira no Estado. 

 

Manifestações

As duas classes realizaram manifestações nesta semana. Na segunda, servidores da Segurança Pública compareceram à Cidade Administrativa para cobrar ações do governador. Caravanas de Divinópolis e outras cidades da região foram ao ato.

— A estrita legalidade é uma medida de trabalho em busca da dignidade do policial e de sua família, isto não só pela recomposição das perdas inflacionárias. Vamos juntos, unidos, manter a Estrita Legalidade, pois é pra frente que a gente anda. Não vamos recuar, não, vamos seguir em frente sem deixar ninguém para trás — disse Wemerson Oliveira, assessor do Sindpol/MG.

Profissionais da Educação se reuniram na tarde de ontem. Uma assembleia estadual ocorreu no pátio da ALMG, em Belo Horizonte. Caravanas de Divinópolis e Nova Serrana compareceram. 

— Desde 2019, a direção do Sindicato realizou 19 reuniões com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão. Encaminhamos 39 documentos ao governo Zema cobrando a aplicação correta dos recursos da Educação e dos reajustes do Piso. Em nenhum momento uma proposta foi apresentada — aponta Denise Romano, coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores da Educação de Minas Gerais.

 

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