Sol escaldante e sem água: moradores voltam a sofrer desabastecimento na região Sudeste

Da Redação
Debaixo de sol escaldante, onde os termômetros marcam mais de 30 graus, a água não chega. Essa é a situação dos moradores da região Sudeste de Divinópolis há quatro dias. Para darem conta das rotinas cotidianas, famílias estão se dividindo em casas de parentes distantes para tomarem banho e o pouco de água que restava estava sendo dividido entre eles, mas agora não têm mais nenhuma gota.
Em nota, a Copasa mais uma vez se justificou, responsabilizando as manutenções de rede pelos cortes constantes no abastecimento. A Prefeitura, por sua vez, informou ter acionado a estatal judicialmente, mas isso também já ocorreu em outra ocasião e nada foi solucionado até hoje.
Uma manifestação para chamar atenção das autoridades foi realizada no início da noite de ontem. Pneus e entulhos foram queimados para impedir o tráfego de veículos na região.
Sem aulas
Há quatro dias sem água, a moradora Veridiana Souza relatou que os filhos de 6 e 12 anos não estão frequentando as aulas. Na casa onde ela mora, no Davanuze, a louça se acumula na pia e as roupas continuam dentro do tanque de lavar, onde não sai nenhuma gota de água.
— É uma vergonha tantos dias e nenhuma solução para essa falta de água. Meus filhos não têm nenhuma condição de ir para a escola. Não tem como tomarem banho. Minha casa está com mau cheiro por falta de limpeza e não resta nenhuma alternativa, precisamos protestar e chamar atenção para resolverem. Estamos abandonados — disse.
Protesto
O protesto foi na rua Antonina Maria Pereira, no bairro Davanuze. Mais de 50 pessoas se reuniram no local e cobraram posicionamento das autoridades.
Pneus e entulhos foram queimados e o trânsito foi prejudicado. A intenção dos moradores foi, de fato, chamar atenção do Município para o problema.
— Se não protestar ninguém vê o nosso problema. Alguém vive sem água? Eu nunca vi ninguém viver sem água, então por que nós temos que conviver tantos dias sem nenhuma gota na torneira? — questionou o morador Joselito Silva.
Copasa
Por meio de nota, a Copasa informou que a falta de água registrada na região Sudeste de Divinópolis é decorrente de um vazamento registrado na rua Mercúrio, no bairro Niterói, e que já está sendo corrigido pelas equipes da companhia. A previsão é de que a situação do abastecimento seja normalizada na noite desta segunda-feira, 27.
Já na semana passada, houve registro de falta de água na região após uma unidade da companhia, que concentra três poços artesianos, ter sido furtada e depredada na madrugada da última sexta-feira. Equipes solucionaram os problemas causados pelos atos de vandalismo no último sábado, 25, e o abastecimento foi completamente normalizado no domingo, 26.
Prefeitura
A principal promessa de campanha e plano de governo do prefeito Gleidson Azevedo (PSC), era de que ele, como chefe do Executivo, faria a Copasa cumprir as cláusulas contratuais que tratam do fornecimento de água à população. Em comunicado, a Prefeitura disse que, mais uma vez, acionou a Copasa judicialmente, com o objetivo de obrigar a empresa a abastecer as unidades essenciais como escolas, hospitais, postos de saúde, comerciais e casas particulares, através de caminhões pipas.
Para minimizar os impactos causados, o Município procedeu ao abastecimento com água potável das unidades de saúde, escolas, cemitérios, zona rural e algumas residências urbanas. Contudo, a cidade conta com apenas um caminhão pipa utilizado para atender as comunidades rurais, o que tem sido insuficiente.
— Já foram feitas reuniões, contato e cobrança para a Copasa, mas não obtivemos sucesso na resolução do problema. O Município está tentando abastecer as escolas e postos de saúde com o caminhão pipa disponível, mas não é o suficiente. Diversas áreas estão sendo afetadas com a falta de água. Agora o Município está utilizando dos meios legais e aguarda a liminar para fazer a companhia realizar o fornecimento de água — explicou a vice-prefeita e secretária de Governo, Janete Aparecida (PSC).
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