Suspeito de matar estudante Vanessa Lara é denunciado pelo Ministério Público

Da Redação
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou, nesta segunda-feira, 13, um homem de 43 anos pelos crimes de feminicídio e ocultação de cadáver no caso que vitimou a estudante de psicologia Vanessa Lara de Oliveira Silva, de 23 anos, em Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A acusação formal inclui ainda a circunstância de violência contra a mulher seguida de morte.
Segundo o órgão, o denunciado, Ítalo Jeferson da Silva, deve responder pelos crimes de feminicídio, com as qualificadoras legais, e ocultação de cadáver. O MPMG também requereu à Justiça a fixação de indenização mínima não inferior a R$ 100 mil aos familiares da vítima, a título de reparação pelos danos causados.
Crime
As investigações apontam que o crime ocorreu em 9 de fevereiro deste ano, em uma área de mata na faixa de domínio da rodovia BR-381, nas imediações do bairro Bela Vista. Vanessa havia saído do trabalho e seguia a pé em direção a um ponto de ônibus quando passou a ser seguida pelo denunciado.
De acordo com a denúncia, em um local isolado e de vegetação densa, a jovem foi abordada com violência, abusada sexualmente e, em seguida, morta por asfixia mecânica. O Ministério Público sustenta que o homicídio foi cometido tanto para assegurar a impunidade do crime antecedente quanto por razões relacionadas ao menosprezo à condição do sexo feminino.
— A vítima e o denunciado não possuíam qualquer vínculo ou relacionamento prévio — afirmou o MPMG.
Após a morte, o corpo foi ocultado em uma canaleta de drenagem, sob vegetação alta, com o objetivo de dificultar sua localização. O cadáver foi encontrado no dia 10 de fevereiro, após buscas realizadas por familiares e populares, com auxílio de um drone.
Prisão do suspeito
O suspeito foi identificado como Ítalo Jeferson da Silva, de 43 anos. Ele foi preso no dia 12 de fevereiro, no município de Carmo do Cajuru, a cerca de 115 quilômetros de Belo Horizonte.
Conforme o registro da Polícia Militar, familiares relataram que o homem chegou em casa no dia do crime sujo de barro, com lesões e arranhões pelo corpo, além de apresentar marcas de sangue nas roupas. Ainda segundo informações da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o investigado possuía passagens pelo sistema prisional desde 2003 e havia obtido, em dezembro, a progressão do regime fechado para o semiaberto domiciliar.
Repercussão e protestos
O assassinato da estudante gerou forte comoção e mobilizou manifestações públicas em diferentes cidades da região. Em Juatuba, milhares de pessoas se reuniram na Praça dos Três Poderes em um ato que pediu justiça e o fim da violência contra a mulher.
A mobilização reuniu moradores da cidade e de municípios vizinhos, que levaram cartazes e mensagens cobrando punição ao responsável e a adoção de políticas públicas de proteção às mulheres.
Em Pará de Minas, cidade onde Vanessa morava, também houve manifestação. O ato foi realizado na Praça Padre José Pereira Coelho e reuniu familiares, amigos, autoridades e integrantes de movimentos sociais. A mobilização foi organizada pela Associação Por Elas, em parceria com a Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal e o Conselho Municipal da Mulher.
Durante o protesto, participantes exibiram faixas e cartazes e utilizaram camisas com a fotografia da jovem. O ato contou ainda com falas públicas que cobraram medidas governamentais para enfrentar a violência contra a mulher. A deputada estadual Lohanna França (PV) participou da mobilização e prestou apoio à família da vítima.
Próximos passos
Com o oferecimento da denúncia, o caso passa a avançar na esfera judicial. O Ministério Público sustenta que o homicídio foi praticado por razões da condição do sexo feminino, além de ter sido cometido para assegurar a impunidade de outro crime, circunstâncias que caracterizam o feminicídio, nos termos da legislação penal vigente, com as alterações introduzidas pela Lei nº 14.994/2024.
O denunciado responderá pelos crimes previstos nos artigos 121-A (feminicídio), com as qualificadoras legais, e 211 (ocultação de cadáver) do Código Penal. O MPMG também requereu à Justiça a fixação de indenização mínima não inferior a R$ 100 mil, a título de reparação dos danos causados aos familiares da vítima, conforme previsto no artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal. A partir desta etapa, caberá à Justiça analisar a denúncia apresentada e dar prosseguimento ao processo criminal.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
