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Cidades

Três anos após tragédia, nova ossada é encontrada

Por Portal Agora

Bruno Bueno

 

Madrugada de 31 de janeiro de 2020. Moradores do Centro e Sidil escutam um barulho estrondoso e assustador. Muitas pessoas pensaram se tratar de trovões, raios e ventanias. Infelizmente, era algo bem pior. Parte do Cemitério da Paz desmoronou em instantes. Restos mortais de diversas pessoas se perderam em meio aos deslizamentos. A dor de parentes e amigos, que já tinham perdido seus entes queridos, ficou ainda maior. Trinta jazigos foram atingidos. Três anos e meio depois da tragédia, muita coisa aconteceu. As famílias entraram em conflito com a Prefeitura na busca por resoluções. O tema virou assunto político e policial. Na manhã de ontem, uma nova ossada foi encontrada por servidores do Executivo.

 

Ossada

 

De acordo com a Prefeitura, parte da ossada foi encontrada na obra próxima ao Cemitério da Paz. O gerente de Administração de Cemitérios e Serviços Funerários, Cláudio Juliano de Aquino, foi informado pelo engenheiro responsável pela obra, Leonardo Antunes. 

 

— Cláudio compareceu ao local, juntamente com o engenheiro Leonardo, onde constatou-se a presença dos restos mortais no local do desmoronamento — explicou a Prefeitura em nota.

 

A retirada dos restos mortais acontece hoje à tarde. A ação, realizada pelo Serviço Municipal do Luto, será acompanhada por um perito criminal da Polícia Civil.

 

Prazos

 

Em fevereiro deste ano, a Prefeitura anunciou que pretende concluir todo o processo de reconstrução dos túmulos que foram soterrados até novembro. Durante a reunião, a vice-prefeita Janete Aparecida (PSC) disse que dois túmulos ainda não foram exumados.

 

— O prazo de três anos não havia vencido e o juiz não se manifestou sobre a autorização. O Município teve que aguardar o tempo determinado por lei, que se encerrou no fim do último ano, porém, o atraso perdurou na exumação por causa do período chuvoso — explicou. 

 

A empresa responsável pela reconstrução dos túmulos solicitou, à época, um aditivo no contrato firmado com um cemitério particular. 

 

— Existem apenas três túmulos disponíveis e as famílias podem precisar — comentou a Prefeitura no começo deste ano.

 

Está prevista a construção de um memorial para as vítimas.

 

— A vice-prefeita salienta que todos os esforços do município serão feitos para que essa grande tragédia seja corrigida de forma justa e respeitosa — ressaltou na época.

 

Batalha judicial

 

2021 foi marcado por vários conflitos entre as famílias das vítimas e a Prefeitura de Divinópolis. Os parentes cobravam a identificação dos corpos e, principalmente, a reconstrução dos túmulos. Várias manifestações foram realizadas e alguns processos correm na Justiça.

 

A Associação dos Jazigos do Cemitério da Paz foi criada neste período e teve papel importante na luta das famílias. A presidente, Andrea Maciel, tinha sete familiares enterrados na área que desabou. 

 

Memorial

 

Um memorial improvisado foi construído na capela de São Miguel para acolher as famílias das vítimas. O local recebeu melhorias na parte elétrica e estética, com reformas no velário, forro e telhas novas.

 

Advogados de familiares atuaram para que todos os restos mortais fossem colocados em uma vala comunitária.

 

— Eles querem colocar uma vala comum para colocar todos os corpos misturados e fazer um memorial. Os associados não aceitam isso. Eles querem a identificação de todos os corpos — disse um dos advogados à época.

 

Política

 

O assunto foi tema na Câmara de Divinópolis. Em novembro de 2021, foi criada uma Comissão Especial para apurar possíveis irregularidades na exumação dos corpos. A pasta foi composta pelos vereadores Roger Viegas (Republicanos), Hilton de Aguiar (MDB) e Ademir Silva (MDB).

 

Advogados, representantes da empresa que realizava obras no local, famílias e servidores da Prefeitura de Divinópolis foram ouvidos pelos parlamentares.

 

Galileu x Gleidson

 

O desabamento aconteceu na gestão de Galileu Machado (MDB).  Na época, o Executivo explicou que deslizamento aconteceu “poucas horas depois de a obra ter sido interditada pelo próprio Município” pela falta de projeto arquitetônico aprovado na etapa em que se encontrava. O cemitério foi fechado imediatamente. 

 

A administração de Gleidson Azevedo (PSC), que começou os trabalhos no início de 2021, voltou a discutir o tema. 

— A atual gestão percebeu a necessidade de alterações pontuais no cronograma, para agilizar a solução, bem como resguardar que as obras sejam executadas com segurança e dentro dos prazos apresentados — afirmou à época.

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