Um anti-protesto

Leila Rodrigues
A rede social virou um palco de lamúrias. Ali as pessoas desabafam, protestam, julgam, opinam e lavam a roupa suja para todos assistirem. No carnaval, não foram poucas as manifestações contra a festa. "A crise vai entrar de recesso e volta depois do carnaval."
Eu proponho uma reflexão diferente. Já gostei muito de carnaval. Muito mesmo. Daquelas que achava cinco dias muito pouco. Eu poderia dizer que hoje não curto mais a festa porque o carnaval da minha época não existe mais, porque as marchinhas acabaram ou algo do tipo. Mas não é isso. Eu continuo apaixonada pela música e pela dança. Mas a minha época é outra. Hoje dou preferência ao descanso, às pequenas rodas de amigos onde podemos conversar, rir, cantar e porque não, dançar também.
Não me sinto em condições físicas de acompanhar o carnaval de Salvador, embora eu ache incrível ver o pique daquelas pessoas. O que Ivete Sangalo, Belo e companhia fazem é de arrepiar. Pessoas do mundo inteiro vêm ao Brasil participar desse momento mágico.
Também não sei se daria conta de passar a noite assistindo a um desfile de carnaval no Rio de Janeiro ou São Paulo, mas eu admiro o espetáculo e, sobretudo, o amor daquelas pessoas pelas suas escolas. Vamos concordar que a Portela este ano foi belíssima!
Não é porque eu não participo mais que eu vou dizer que o carnaval não presta e que todos que estão lá são alienados. Se for assim, eu já fui uma alienada um dia? E quando estou na minha casa dançando eu sou uma alienada também?
Os índios têm seus rituais de dança, os africanos têm seus rituais de dança, os árabes tem seus rituais de dança... Enfim, pessoas que cantam e dançam são mais felizes. Isso vai muito além do conto da cigarra e da formiga. É neurociência. A dança libera endorfina. A dança produz contentamento. Traduzindo para o bom português, quem está ali, está se divertindo! As pessoas estão dando a si mesmas um alimento chamado alegria.
Se você não gosta ou não se sente confortável no meio da muvuca, é um direito seu fazer bom uso desses dias. Um retiro espiritual, um encontro com a família, um bom livro, filmes, séries ou qualquer coisa que te faça bem.
Libere suas endorfinas do seu jeito e deixe que cada um aproveite os seus dias da forma como lhe convém. Isso sim é saudável. Qualquer coisa diferente disso, cheira a crise inveja, crise pessoal. Melhoras para você!
leilarodrigues-palavras.blogspot.com.br
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