Um mergulho na vida e obra de GTO

Jorge Guimarães
Há seis meses, no final de junho de 2016, o Coletivo GTOh reunia-se pela primeira vez com o propósito de fazer visitas à obra de Geraldo Teles de Oliveira, o GTO. E a convite do artista plástico e neto do escultor, Alex Teles, houve uma reunião entre o historiador Faber Barbosa, a pedagoga Lisa Paiva, o psicanalista Alfredo Gontijo e o professor Eduardo Maia.
A ideia inicial era conhecer a fundo a vida e obra de GTO. Assim, a partir das primeiras pesquisas, percebeu-se a grandiosidade da arte do escultor, que possui obras em mais de 120 países, e a valorização de sua arte nas grandes capitais e grandes centros de arte e o quase completo desconhecimento pelo público de sua cidade. Será que a máxima “Santo de casa não faz milagre” é mesmo verdadeira?
Propostas
Então, a partir dos primeiros encontros, três propostas iniciais nascem como movimento norteador do Coletivo GTOh.
A primeira é o registro audiovisual de pessoas que conviveram com GTO e participaram, de alguma forma, da vida do homem e, posteriormente do artista.
A segunda investida é a publicação de uma biografia romanceada destinada ao público infantil.
— Acreditamos que uma das vias para a democratização e valorização da nossa cultura é através da arte-educação. É preciso, cada vez mais, levar para as escolas obra de arte, artistas, toda e qualquer manifestação cultural que seja relevante para o desenvolvimento intelectual dos alunos — afirma o professor Eduardo Maia.
O terceiro movimento do Coletivo GTOh é a publicação de um livro com vários artigos promovendo o diálogo da obra de GTO com outras áreas do conhecimento como a Literatura, a Psicanálise, a Pedagogia, entre outras, a fim de atingir o máximo de pessoas.
— Por meio do Coletivo GTOh, levantamos reflexões e discussões que possam contribuir com o despertar da consciência coletiva, sobre a importância das raízes culturais, a motivação e o interesse sobre a sua cultura, tornando-o um cidadão mais sensível e consciente da importância de suas memórias para preservação de sua história — complementa o neto de GTO, Alex Teles.
Entrevistados
Desde julho de 2016, já são cinco os entrevistados: Dona Ester (sobrinha), Juvenil de Oliveira (sobrinho), Mário Teles de Oliveira (filho), Cinico (sobrinho) e Sr. Luiz Porfírio (amigo de infância).
— A cada despretensioso encontro, ricos rituais de grande sabedoria, máximas espirituais, filosofia rebuscada, música e mesmo um detalhe cinematográfico ficam registrados. Tudo isso, sabe-se, devido à presença luminosa de Geraldo Teles de Oliveira (GTO) — detalha o historiador Faber Barbosa.
Vida
Sem nunca ter realizado anteriormente qualquer atividade artística, GTO começa, por volta de 1965, com 52 anos de idade, a esculpir grandes blocos de madeira para com eles concretizar a sua arte.
Em suas obras, a figura humana é retratada de forma esquemática e repetida, em estruturas geométricas, como o retângulo e o círculo.
GTO confere a seu trabalho essa perspectiva singular, que é, ao mesmo tempo, a fé no ofício e na própria capacidade de criar formas belas que refletem o espanto ante o mundo em que vive. Nas suas esculturas, ele aborda temas variados: as danças, as festas religiosas e toda manifestação da vida do interior de Minas, além de alegorias sobre acontecimentos e vultos de que ouviu falar.
— O que temos percebido, a cada entrevista, é que GTO vive em cada palavra dita por aqueles que amaram, por detrás do artista brilhante, o menino pobre, sem leitura, simples, que modestamente deixou como legado, entre outras, uma escola de criação — finaliza a pedagoga Lisa Paiva.
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