Uma das nações mais alegres do mundo se tornou apática

Flávio Flora
Superando os índices médios mundiais, divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a maior taxa de pessoas com depressão na América Latina é da população brasileira. Segundo o relatório divulgado ontem, 4,4% da população do planeta (cerca de 322 milhões de pessoas)sofrem de depressão, 18,4% mais do que há dez anos.
A OMS estima que 5,8% da população brasileira (11,5 milhões) estejam afetadospela depressão, ao lado de Cuba (5,5%), Paraguai (5,2%), Chile e Uruguai (5,0%).Em números absolutos, o Brasil fica atrás apenas da China e da Índia (ambos com população superior a um bilhão de habitantes). Em termos relativos, estão à frente do Brasil a Ucrânia (6,3%), que convive com conflitos armados desde 2014, os Estados Unidos (5,9%), a Austrália (5,9%) e a Estônia (5,9%).
Apatia e indiferença
Na observação global, as mulheres são as mais afetadas, chegando a 5,1%, enquanto os homens apresentam uma taxa éde 3,6%. Em números absolutos, na Ásia vive a metade dos 322 milhões de vítimas mundiais da doença.
A depressão é a doença que mais causa incapacidade no mundo, atingindo cerca de 7,5% da população mundial, segundo a OMS, sendo também a principal causa de mortes anuais por suicídio (cerca de 800 mil casos).
De acordo com a OMS, a depressão provoca perdas econômicas globais acima de US$ 1 trilhão por ano, em decorrência dos afastamentos e a baixa produtividade por causa da apatia e da perda de energia no cotidiano. O problema afeta principalmente países pobres e em desenvolvimento, atingindo pessoas mais idosas, com pico de idade entre 55 e 74 anos, e crianças e adolescentes com menos de 15 anos, todavia em taxas menores.
Ansiedade e envelhecimento
A depressão não é o único mal que acomete a humanidade e vem crescendo em número de casos nos últimos 10 anos (15%). Os transtornos de ansiedade atingem, hoje em dia, cerca de 264 milhões de pessoas (3,6% da população mundial).
Segundo a OMS, este aumento é resultado do crescimento e envelhecimento da população. Com 18.657.943 brasileiros atingidos pela doença, o país lidera a lista de prevalência da doença, com taxa de 9,3%, bem acima da média mundial, de 3,6%.
Muita ansiedade
O Brasil está presente nessa estatística da ansiedade, liderando na América Latina com 9,3% da população, ou seja, com uma taxa três vezes superior à média mundial.
A situação brasileira supera também as taxas do Paraguai (7,6%),Noruega (7,4%), Nova Zelândia (7,3%),Chile (6,5%)e Uruguai (6,4%). Em números absolutos, o Sudeste Asiático é a região com mais casos de ansiedade: 60 milhões.
O distúrbio de ansiedade, como a depressão, afeta mais as mulheres (4,6%), do que os homens (2,6%).
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