Vereador acusado de abuso tinha como alvo crianças carentes

Rafael Camargos
Crianças carentes com idades de 7 a 11 anos. Pelo que foi divulgado pela Polícia Civil, esse é o perfil das vítimas do vereador Carlos Anderson da Silva (PDT) de 45 anos, conhecido como “Carlos Henrique da Rádio”, preso na quarta-feira, 8, suspeito de abusar de menores.
Carlos da Silva foi o vereador mais votado de Carmo do Cajuru nas eleições de 2016 e foi preso pela Polícia Civil durante uma operação na cidade.
O homem pode ter feito outras vítimas, mas, até o momento, nenhuma foi encontrada. As investigações começaram há um mês, quando o delegado Weslley Amaral de Castro recebeu as primeiras informações, dando conta de que o investigado teria abusado sexualmente de algumas crianças. Foi apurado que pelo menos seis crianças, com idades entre 7 e 11 anos, haviam sido molestadas pelo vereador. Em um dos casos, exames comprovaram que chegou a ocorrer sexo. Com as demais, as provas são de prática de ato libidinoso.
Investigações
Segundo o delegado, os abusos ocorriam há pelo menos dois anos e todas as crianças que foram questionadas sobre o fato foram categóricas em relatar com riqueza de detalhes os abusos, de maneira coerente e uníssona.
— Cheguei à cidade há aproximadamente 40 dias e recebi a denúncia. Diante disso, começamos a apurar com uma equipe do conselho tutelar e a diretora de uma escola. Em princípio, apareceu uma vítima, nós ouvimos e, em seguida, o número se ampliou — contou.
Mesmo com o depoimento das vítimas, o vereador negou várias vezes o crime.
— As crianças não demonstraram nenhuma insegurança ao afirmar o abuso, e a primeira vítima indicou outras. Pelo que descobrimos, nestes dois anos foram as mesmas vítimas, mas devem aparecer outras no decorrer das investigações — frisou o delegado.
Crianças carentes
As investigações comprovaram que todas as crianças eram carentes e, para atraí-las, o vereador as chamava para ir até o sítio para nadar, cuidar de animais e assistir filmes, quando aproveitava para cometer os abusos.
No decorrer do cumprimento do mandado de prisão preventiva e busca e apreensão, foram apreendidos computadores, pendrives, DVDs com conteúdo pornográfico.
O delegado disse ainda que as investigações continuaram até os policiais verificarem a existência de conteúdo pedófilo nas mídias apreendidas.
O vereador tem passagens policiais por calúnia, foi preso e levado ao presídio Floramar de Divinópolis. Ele deve responder por pelo menos cinco crimes e, se condenado, pode ser condenado a 116 anos de prisão.
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