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Vingança após furto de TV motivou chacina em clínica, diz Polícia Civil

Por Redação Jornal Agora
Vingança após furto de TV motivou chacina em clínica, diz Polícia Civil
O que restou no cômodo onde as vítimas foram queimadas vivas (Foto: Ricardo Welbert)

Ricardo Welbert 

A Polícia Civil prendeu ontem dois jovens e apreendeu um adolescente suspeitos de participar do ataque a uma casa usada para recuperação de viciados em álcool e drogas no bairro Itacolomi, em Divinópolis. Durante o crime, ocorrido na noite de 26 de abril, eles teriam invadido o imóvel por volta das 21h30 atirando para o alto e agredindo alguns detentos com paus. Em seguida, teriam ateado fogo na casa. Três internos que tentaram se esconder debaixo de camas não conseguiram fugir das chamas e morreram carbonizados. Os outros nove ficaram feridos.

Após o ataque, os criminosos fugiram. Os primeiros suspeitos foram detidos ontem. Eles têm 24, 21 e 17 anos. De acordo com o delegado Vivalde Levilesse Júnior, todos moram no mesmo bairro, não possuem antecedentes criminais e negam o crime.

— Conseguimos averiguar que o motivo do crime foi o fato de que a residência de um dos autores [o de 24 anos] foi furtada dias antes do ataque à clínica. Na ocasião, levaram um televisor. O morador ficou revoltado e, acreditando que o furto tenha sido praticado por alguém da clínica e motivado por vingança, reuniu alguns conhecidos para, juntos, atearem fogo no estabelecimento e causarem toda essa barbárie — detalha.

Os investigadores chegaram aos suspeitos por meio de informações recebidas por moradores do bairro, entrevistas com vizinhos e oitivas com os sobreviventes. Algumas vítimas reconheceram os capturados.

— Até o momento, nós conseguimos identificar apenas três, mas tudo indica que tenham sido cinco ou seis envolvidos — ressalta.  

Dentre as vítimas que sobreviveram, duas foram baleadas. Uma delas levou um tiro de raspão na cabeça e a outra, na perna. Uma dessas vítimas contou à política que afirmou que os tiros foram disparados pelo adolescente detido ontem.

— Ele era um dos que estavam empunhando uma arma de fogo e efetuou os disparos. Outro estaria carregando um bastão de madeira, com o qual agrediu alguns internos — relata o delegado.

Ontem foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas casas dos suspeitos e nenhuma arma foi encontrada. Os jovens foram encaminhados ao presídio Floramar. Responderão por homicídios tentados e consumados e incêndio. Se somadas, as penas previstas para esses crimes podem render a eles até 36 anos de prisão.

O adolescente apreendido foi alvo de um mandado de busca e internação. Ele responderá por atos infracionais nas mesmas categorias criminais que os jovens.

Investigações seguem 

Os investigadores tentam agora identificar os outros envolvidos.

Outro núcleo da investigação é o que apura a possível responsabilidade do pastor que dirigia a comunidade terapêutica atacada. Segundo a Prefeitura de Divinópolis, o projeto social funcionava sem alvará.

Vítimas 

Os três mortos foram identificados como José Ricardo Silva Ribeiro, de 54 anos (natural de Divinópolis); Juscilei Bento da Silva, 37; e Leonardo Lopes Rodrigues, 32 (ambos de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte).

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros socorreram os nove feridos com idades entre que variam entre 27 e 55 anos.

De acordo com o delegado Marcelo Nunes Júnior, que cuidou do caso na fase inicial, a principal hipótese era de que o ataque não tenha tido o objetivo de matar alguém, mas sim de assustar os integrantes da clínica.

— Trabalhamos com a hipótese de os autores tenham sido moradores da região. Havia muitas reclamações da vizinhança, de vários moradores e representantes do bairro, que afirmaram que desde que a clínica foi instituída no local começaram a ocorrer arrombamentos e furtos a residências no entorno. Essa é uma linha plausível — disse o delegado à ocasião. A versão confirmada ontem confirmou essa linha de investigação.

Chamas destruíram parte da estrutura (Foto: Ricardo Miranda/TV Alterosa)

 

Imagem de satélite mostra local onde fica clínica atacada (Foto: Google Maps/Reprodução)

 

 

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