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Virou rotina

Por Portal Agora
Virou rotina

Virou rotina

Se causam algum tipo temor, é muito pouco. Porque, se causassem, a intensidade das operações no Brasil já teria diminuído, não só isso, mas também as mais diversas práticas de corrupção. O certo é que é raro um dia em que o Brasil não amanhece com a Polícia Federal (PF) nas ruas. O alvo da madrugada de ontem foi o ex-governador Fernando Pimentel (PT). As acusações? Maracutaias políticas. Como se fosse novidade.

Ah, os esquemas!

A ação de ontem foi um desdobramento de outra operação, a Acrônimo, que tem como um dos investigados Pimentel. O esquema teria movimentado R$ 3 milhões e contado com participação de uma empresa no Uruguai. Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-governador em Belo Horizonte. Em seu apartamento, além de documentos, foram apreendidos R$ 60 mil em euro, libra esterlina e real. Pimentel nega todas as acusações, mas, também na política, não custa lembrar aos nossos digníssimos representantes que contra provas não há argumentos. Isso em qualquer situação!

Sem dinheiro?

A maioria dos Estados está quebrada, isso é fato. Mas não é que nem parece. Enquanto a população padece com a falta de atendimentos básicos, são criados cargos e mais cargos. Um exemplo é que mais de um terço dos que foram instituídos nos Estados neste ano correspondem a vagas a serem ocupadas nos Ministérios Públicos, Assembleias Legislativas, entre elas as de Estados que enfrentam grave crise financeira, como é o caso de Minas Gerais. Ao menos 1.357 funções já foram criadas - cerca de 500 delas ligadas a Promotorias - impondo novos gastos obrigatórios aos cofres públicos estaduais. Realmente não dá para entender.

Impacto grave

Ainda na nossa Minas Gerais, mesmo passando por uma grave crise financeira, se discute a criação de novos cargos para servidores estaduais. O governador Romeu Zema (Novo) enviou à Assembleia Legislativa um projeto de lei complementar que, ao propor a extinção e a criação de novos cargos e funções na Advocacia-Geral do Estado (AGE), implicará impacto financeiro anual nas contas públicas superior a R$ 2,5 milhões. A pergunta é: não daria para adiar pelo menos até equilibrar as contas do Estado?

Já passou

O projeto cria dez cargos de assistente do advogado-geral do Estado, com salário de aproximadamente R$ 7 mil, e um cargo de procurador-chefe, com vencimento de R$ 12 mil. O texto já passou pelo plenário da Assembleia, em primeiro turno. O total da despesa com funcionários é de R$ 44 bilhões, mais de 60% da receita. E vai aumentar ainda mais? O problema é que quem acaba "pagando o pato" são os servidores, muitos não recebem nem 10% do valor pago a estes cargos criados.

Crise

Como parte visível da crise, os servidores de diversas categorias têm sofrido com atrasos no pagamento dos salários. O governador pretende fazer com que Minas entre no Regime de Recuperação Fiscal do governo federal – o que também precisa de aprovação dos deputados estaduais. Por mais que haja desavenças entre o Executivo e o Legislativo, é preciso prevalecer o bom senso, afinal, quem paga sem atrasos, merece mais consideração.

Diminuir?

O sonho de consumo dos brasileiros é que os deputados, prefeitos, vereadores e outros políticos ganhassem salários de professores. Imagine a economia que isso geraria aos cofres públicos de todo o país? Mas é sonho mesmo. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), parece estar bem intencionado com sua intenção de trabalhar para mudar o salário médio de R$ 30 mil na Casa a fim de diminuir o custo da administração pública, que, segundo ele, ficou "cara", porém muito longe do necessário. De qualquer forma, já é alguma coisa. Quem sabe! Além de sonhar, oremos.

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