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Polícia

Vítima e a mãe escapam de tentativa de homicídio no bairro Interlagos em Divinópolis

Por Bruno
Vítima e a mãe escapam de tentativa de homicídio no bairro Interlagos em Divinópolis

Da redação 

Divinópolis registrou na noite desta quarta-feira, 10, mais uma tentativa de homicídio, desta vez no cruzamento da rua Bom Sucesso com a rua Padre Abel, no bairro Interlagos. O ataque ocorreu por volta das 22h20 e feriu um homem de 31 anos, no braço esquerdo, possivelmente causado por disparo de arma de fogo. 

Ele foi socorrido e liberado após atendimento na UPA. Sua mãe, que estava no banco do passageiro, não foi atingida.

Ocorrência

Segundo o boletim da Polícia Militar, os militares encontraram no local o veículo da vítima, um Chevrolet Onix, com os vidros quebrados, danos na parte frontal e diversos impactos que indicam perfurações de projéteis. A placa de sinalização onde o carro colidiu também apresentava sinais de choque.

A vítima relatou aos policiais que retornava da UPA após receber atendimento médico, acompanhado da mãe, quando percebeu outro veículo se aproximando pela faixa da esquerda. Em seguida, ouviu vários disparos. Ele afirmou que tudo aconteceu muito rapidamente e que sua primeira reação foi puxar a mãe para protegê-la e se abaixar, perdendo o controle direcional do automóvel.

Apesar do susto, apenas um disparo o atingiu. Ele não soube apontar suspeitos, tampouco indicar motivação para o atentado. A causa permanece desconhecida, e a Polícia Civil investiga. 

Números 

A ocorrência se junta a um cenário que tem sido repetidamente registrado em Divinópolis ao longo de 2025. Conforme levantamento feito pelo Jornal Agora, o município contabiliza 47 homicídios e 15 tentativas, números que já superam, com folga, os índices de todo o ano de 2024, quando foram registradas 23 mortes violentas.

O recorte etário das vítimas revela um dado ainda mais alarmante: 30 dos assassinados tinham menos de 30 anos, e a idade mais atingida é a de 25 anos, reforçando um padrão que coloca jovens no centro da letalidade urbana.

No ranking dos bairros mais afetados, o Planalto aparece em primeiro lugar, com quatro homicídios em 2025. A região, historicamente marcada por vulnerabilidade social, se mantém como epicentro de crimes com arma de fogo, ocorridos tanto nas ruas quanto em estabelecimentos comerciais.

‘Teoria da etiqueta’

O cientista social Emanuel de Morais contextualiza o fenômeno à luz de teorias sociológicas e alerta para os riscos de naturalização da violência.

— “O inferno são os outros”, escreveu Sartre. Na prática, isso se traduz em nossa dificuldade de reconhecer problemas estruturais que se repetem diante dos nossos olhos. É fácil apontar o Rio como sinônimo de violência, mas ignoramos que Divinópolis, 10º município mais populoso de Minas, caminha para assumir semelhante estigma — afirma.

Ele destaca o papel da mídia e da opinião pública na construção dessas percepções, além do impacto direto da ausência de políticas públicas efetivas.

— As pessoas querem segurança, mas ela não nasce da exaltação da violência. Quando homicídios e feminicídios se acumulam e nada é feito, o município avança rapidamente para o rótulo de cidade violenta, enquanto governantes assistem, inertes — conclui.

Morais também cita a “teoria da etiqueta”, muito utilizada para explicar como comunidades passam a ser associadas automaticamente ao perigo, reforçando estigmas que dificultam intervenções preventivas.

Região Sudeste 

Os registros policiais mostram que a maior parte dos atentados e homicídios ocorre na região Sudeste, em bairros, como Interlagos, Nações, Ponte Funda e adjacências. São bairros com histórico de crescimento rápido, déficit de políticas de presença do Estado e maior incidência de vulnerabilidade socioeconômica.

A PM afirma seguir com operações. A Polícia Civil busca esclarecimentos em casos ainda sem motivação definida, como o atentado desta quarta-feira.

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