Viver e deixar viver

O filósofo e imperador romano Marco Aurélio dizia: “o que pode acontecer a um cachorro que não seja próprio de acontecer a um cachorro”, da mesma forma o que pode acontecer a um homem que não seja próprio que aconteça a um homem... “não vês as plantinhas, os pequenos pássaros, as formigas, as aranhas, as abelhas executando suas tarefas próprias, contribuindo para a boa ordem do universo”.
O homem, portanto, deve agir sem apego ao fruto da ação, sem desejo de recompensa.
Entretanto, pode-nos surgir a seguinte pergunta: Como não sentirmos ligados a ação que realizamos?
Os conselhos dos mestres de sabedoria, diz-nos que podemos sim, espiritualizar tanto quanto seja possível o nosso modo de vida. Agir por lei significaria agir por amor.
Devemos separar a paixão do amor, visto que a paixão estaria ligada ao desejo e envolvida com o objeto em questão, sendo ela, colérica e irracional. Já o amor seria inteligente e racional, algo frio e incondicional.
Platão nos ensina sobre o amor que manifesta sobre três formas: o primeiro seria o amor passional, com características passageiras.
Se elevarmos o nosso nível de consciência, encontraremos um sentimento mais duradouro, e daí surgiria uma segunda forma de amor que estaria ligada as nossas virtudes, ou seja, direcionada ao nosso gosto por aquilo que seja bom, belo e justo. Vamos gostar de uma pessoa que seja generosa, responsável, disciplinada, fraternal, etc. Porém, Platão nos faz pensar que este tipo de amor seria um pouco egoísta, visto que gostaríamos daquilo que nos faça algum bem, ou seja, a já falada busca de recompensa.
Daí a necessidade de ainda buscarmos um amor ainda mais elevado, chamado por muitos de amor platônico, a que podemos também chamá-lo de amor de Cristo, de Buda ou de Krishina. Seria um amor incondicional, um dar sem querer receber. Este é o sentimento que permite que todas as coisas se mantenham unidas. Quando convivemos com uma determinada pessoa sem querer forçá-la a viver de acordo ao nosso pensamento.
O professor Jorge Angel Livraga já dizia: “A verdadeira convivência é viver e deixar viver”.
Platão também dizia que: “o verdadeiro amor é moderado e harmonioso, isento de sensualidade e grosseria”.
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