2026 começa, mas perguntas permanecem: quem matou Pablo e Dhandara em Divinópolis?

Elian Ozéias
O ano de 2026 teve início, mas para algumas famílias o tempo parece não avançar. A dor permanece intacta, alimentada pela ausência de respostas. Entre os casos que seguem sem solução estão as mortes de Pablo de Almeida Martins, de apenas 14 anos, e Dhandara Kellen Ferreira, de 18. Dois adolescentes, duas histórias interrompidas precocemente e um mesmo cenário: investigações em andamento, laudos inconclusivos e famílias que clamam por justiça.
Caso Pablo
Pablo de Almeida Martins desapareceu no dia 28 de fevereiro de 2025. Dois dias depois, o corpo do adolescente foi encontrado no bairro Ferrador, próximo ao município de Carmo do Cajuru, em estado avançado de decomposição. O primeiro laudo da Polícia Civil classificou o caso como “encontro de cadáver”, sem apontar a causa exata da morte.
No dia 13 de junho de 2025, a dona de casa Simone Martins, mãe de Pablo, concedeu entrevista ao Agora em busca de respostas. Desde então, ela vive entre o luto e a indignação.
— Eles me deram um laudo com fotos, mas não tem um motivo certo da causa da morte do meu filho. Ele tinha só 14 anos. Fizeram uma covardia com ele. O rostinho dele estava queimado — desabafou.
Simone afirma que o filho passava por dificuldades, mas que nada justificaria a brutalidade do que, segundo ela, foi feita com o adolescente.
— Esteja ele fazendo o que fosse no dia, foi muita covardia. Ele estava começando a viver. Eu não durmo, tenho pesadelos. Minha filha de oito anos também não está bem — relatou.
Abalada emocionalmente, Simone contou que precisou deixar Divinópolis.
— Eu não aguento mais ficar aqui. Chego e passo mal. Faço tratamento com psicólogo e psiquiatra. Quero justiça. Quero saber quem matou meu filho — concluiu.
Dhandara Kellen
Dhandara Kellen Ferreira, de 18 anos, estava desaparecida desde o dia 10 de setembro de 2025. Três dias depois, em 13 de setembro, o corpo da jovem foi encontrado em uma área de mata às margens de uma lagoa, no bairro Primavera, em Divinópolis.
Segundo a mãe, Janes Kellen Campos Ferreira, o último contato com a filha aconteceu na tarde do desaparecimento.
— Ela saiu de casa por volta das 15h30. Estava tranquila, conversamos pelo WhatsApp e não comentou que iria sair — contou.
A família descobriu que Dhandara solicitou um mototáxi para o bairro Primavera. O motorista se apresentou espontaneamente e indicou o local onde a deixou.
Janes também revelou que a filha já havia registrado boletim de ocorrência contra um rapaz identificado como “ficante”, após ter sido agredida. A jovem mantinha ainda um relacionamento com um adolescente que mora no bairro, apontado por familiares como principal suspeito. Ele se apresentou à Polícia Civil, prestou depoimento e permanece em liberdade.
Defesa nega envolvimento
O advogado do adolescente, Nabil Hoblos, afirmou, na época, que o jovem negou qualquer participação no crime.
— Essa imputação ocorreu antes mesmo de uma investigação conclusiva. Ele teve a imagem divulgada em redes sociais, sofreu ameaças e agiu por medo — explicou.
Segundo o advogado, o procedimento corre em segredo de Justiça.
— A justiça precisa ser feita com responsabilidade. Não podemos confundir justiça com vingança — ressaltou.
Sonhos interrompidos
Descrita como comunicativa e carismática, Dhandara havia retomado os estudos pelo EJA e sonhava em concluir o ensino médio. Ela deixa dois irmãos, de 1 e 11 anos.
— Ela era inocente, acreditava nas pessoas. Todo mundo gostava dela — disse a mãe.
Dois casos, a mesma pergunta
Passados meses, e agora um novo ano, as famílias de Pablo e Dhandara seguem sem respostas. Os dois casos continuam sem autoria definida, reforçando a sensação de impunidade e o sofrimento de quem espera por justiça.
Até o fechamento desta matéria, a Polícia Civil não se manifestou sobre o andamento das investigações. Enquanto isso, a pergunta permanece ecoando em Divinópolis: quem matou Pablo e Dhandara?
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