Afastamentos por ansiedade e depressão lideram licenças de trabalho no Brasil

Da Redação
O Brasil enfrenta uma crise alarmante de saúde mental no trabalho. Segundo dados do Ministério da Previdência Social, 2024 registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais, um aumento de 68% em relação ao ano anterior. Ansiedade e depressão lideram as causas de licenças prolongadas, impactando trabalhadores, empresas e a economia do país.
Em Divinópolis tem um programa pelo SUS que oferece atendimento psicológico, além de prevenção ao adoecimento mental.
Sobrecarga
A sobrecarga de trabalho, a pressão por resultados e a falta de suporte emocional têm levado um número crescente de profissionais ao esgotamento.
A psicoterapeuta Liliane Carvalho, especialista em psicologia clínica e terapia sistêmica, ressalta que esse crescimento possivelmente reflete um esgotamento emocional da população, relacionado a fatores como sobrecarga profissional, insegurança financeira, dificuldades nas relações familiares e até mesmo certo impacto do efeito das redes sociais na autoestima e no bem-estar.
— A saúde mental nunca esteve tão fragilizada. As exigências da vida moderna e a pressão no ambiente de trabalho fazem com que muitas pessoas cheguem ao limite. Ignorar os sinais pode resultar em afastamentos prolongados e dificuldades ainda maiores para a recuperação — alerta.
Sedentarismo e saúde mental
A relação entre sedentarismo e transtornos psicológicos também tem sido amplamente estudada. O professor Felipe Schuch (UFSM), em pesquisa apresentada no Congresso Brain 2024, revelou que pessoas fisicamente ativas têm 25% menos chances de desenvolver ansiedade e 18% menos risco de depressão.
Outro estudo, da Universidade de Yale e Oxford, publicado na revista The Lancet Psychiatry, analisou 1,2 milhão de pessoas e concluiu que aqueles que praticam exercícios regularmente relatam 43% menos dias de sofrimento psicológico.
— O corpo e a mente estão profundamente conectados. Movimentar-se é uma forma de regular emoções, liberar tensões e melhorar a autoestima. Pequenos hábitos, como uma caminhada diária, já fazem uma grande diferença — afirma.
Os dados revelam ainda que atividades como caminhada, ciclismo e esportes coletivos estão associadas à redução dos sintomas depressivos.
Terapia
Além da prática de atividades físicas, profissionais afirmam que a terapia é essencial para ajudar as pessoas a lidarem com desafios emocionais e desenvolverem resiliência.
—Frequentar terapia não é sinal de fraqueza, mas de coragem e autocuidado. É um espaço seguro para compreender suas emoções, construir resiliência e transformar padrões que causam sofrimento — enfatiza a psicóloga.
De acordo com ela, a abordagem sistêmica permite uma compreensão mais ampla das relações entre trabalho, família e ambiente social, auxiliando no equilíbrio entre responsabilidades profissionais e bem-estar pessoal.
Medidas de prevenção
A saúde mental no ambiente corporativo é um desafio coletivo que exige a adoção de medidas essenciais para minimizar o impacto da crise.
Entre elas, destaca-se a promoção do bem-estar emocional, com investimentos em programas de suporte psicológico e atividades que reduzam o estresse. O combate ao estigma também é fundamental incentivando a normalização da terapia e do tratamento para transtornos mentais.
Além disso, a profissional fala que a adoção de hábitos saudáveis, como a prática de atividade física, uma alimentação equilibrada e boas práticas de sono, contribui para a qualidade de vida dos colaboradores. Por fim, ela diz que o acesso facilitado à psicoterapia e ao suporte especializado é essencial tanto para a prevenção quanto para o tratamento de questões relacionadas à saúde mental.
— Precisamos falar sobre saúde mental de forma ampla e acessível. Quanto mais cedo os sinais forem identificados e tratados, maiores as chances de recuperação e qualidade de vida — conclui a psicoterapeuta Liliane Carvalho.
Divinópolis
Em Divinópolis, as unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) desempenham um papel importante no suporte à população, oferecendo atendimento psicológico e programas de prevenção ao adoecimento mental.
A crise de saúde mental no trabalho exige um olhar atento e soluções eficazes. Somente com ações conjuntas entre profissionais de saúde, empresas e políticas públicas será possível reverter esse cenário preocupante.
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